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Crítica | Monarch: Legado de Monstros – 2X03: Segredos

Adultério é feio, ai, ai, ai!

por Ritter Fan
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  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e das outras obras do MonsterVerse.

Depois de dois episódios minimamente movimentados, Segredos vem para frear frear por completo a narrativa e focar exclusivamente nos dramas humanos que a série tenta construir desde o início. Não há intrinsecamente de errado nisso, pois é uma estrutura comum em séries desse tipo, especialmente em começo de temporada, em que normalmente é desejável que haja algum tipo de equilíbrio entre ação e planejamento e até mudanças de status quo. O problema específico de Monarch é que o drama humano é ultrapassado, antiquado e cansativo, enquanto que a ação só pode ser realmente chamada assim com muita generosidade de coração, pois o pouco que há parece perdido, sem propósito maior que não seja o genérico “temos que impedir que o kaiju faça isso e aquilo”.

Quando digo que os aspectos humanos da história são antiquados, quero literalmente dizer que eles parecem vir diretamente dos anos 50. E sim, eu sei que, nos flashbacks, é justamente essa década que ganha foco, mas, ironicamente, não é no passado que reside o problema maior, já que lá, por incrível que pareça, há uma harmonia bastante eficiente entre drama e ação, mais especificamente entre o triângulo amoroso que seria um escândalo na época e o Titã-X e suas baratas lá em uma ilha chilena. Meu ponto é que tudo exala anos 50, já que o maior drama da série, que, muito sinceramente, achei que já tinha deixado de ser drama, é a infidelidade de Hiroshi que, mesmo casado, manteve uma segunda família em Tóquio. Os jovens já se chocaram com isso e já se aclimataram a isso, mas, agora, e a vez de Keiko ficar chocada com as indiscrições de seu filhinho, em um reaproveitamento safado de narrativa que, ainda por cima, ganha eco no passado, com Keiko não resistindo ao charme de um Lee Shaw todo sujo e esfaqueado em uma cabana caindo aos pedaços.

A questão maior com esse drama todo – e eu incluo aí a homossexualidade de Cate que, tenho certeza, será pauta para mais expressões de espanto muito em breve – é a perene pergunta: para aonde isso vai? Afinal, o que esses dois adultérios mudam na história? Haverá um retcon enlouquecido dizendo que Hiroshi é filho de Lee Shaw e não do primerio marido de Keiko? Uau, nossa, fico com palpitações só de imaginar as possiblidades narrativas para algo tão incrivelmente radical… Hiroshinho foi abandonado pelo padrasto aos 11 anos para viver com sei-lá-quem? NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO, que horror, como pode algo assim acontecer?????? Parece uma novela da Globo particularmente ruim, para não dizer novela mexicana, tudo isso enquanto o Titã-X passeia livre, leve e solto pelo Oceano Pacífico ameaçando as cidades costeiras e ninguém faz absolutamente nada de concreto.

No entanto, pelo menos nesse lado da história, a da caça ao novo titã, a coisa fica levemente mais interessante. Vemos a Apex, representada por Jason Trissop (Cliff Curtis), tomando o controle indireto da Monarch com óbvios objetivos espúrios que deixa Tim desesperado a ponto de desobedecer ordens diretas de seu chefe e facilitar a fuga de Lee e Keiko, juntamente com Hiroshi e Kentaro, este último que, no agregado até agora da temporada teve no máximo meia página de roteiro para decorar, com o objetivo de localizar e modificar o protótipo de sonar de Hiroshi para atrair o titã para longe dos centros populacionais. Não é nada fora de série, claro, mas pelo menos é alguma coisa, assim como é alguma coisa Tim pedir para May infiltrar-se na Apex para ela obter informações relevantes, o que ela faz com a maior facilidade do mundo e sem ser vigiada de perto por Brenda (Dominique Tipper), ainda que ela provavelmente esteja sendo sim vigiada.

Até que tem uma historinha aí nessa conurbação de Apex e Monarch e isso é algo que pode ser desenvolvido na temporada, ainda que “desenvolvimento” – de tramas ou de personagens – não seja exatamente o forte da série, isso para usar um eufemismo. E, com isso, eu volto à pergunta: o que as linhas narrativas que seriam talvez relevantes para os meus finados avós podem afetar a história que deveria ser a central? O que exatamente ganhamos vendo Cate em São Francisco lembrando dos velhos tempos e quase se auto imolando por achar que é a responsável pelo apocalipse kaiju? Com mais esse episódio, Monarch: Legado de Monstros parece ser uma série que fica correndo atrás do rabo, sem vergonha alguma de basicamente repetir o que vimos na temporada inaugural, sem trazer nada de novo, de relevante ou de apenas e tão somente divertido.

Monarch: Legado de Monstros – 2X03: Segredos (Monarch: Secrets – EUA, 13 de março de 2026)
Criação e showrunner: Chris Black
Direção: Hiromi Kamata
Roteiro: Kari Drake
Elenco: Anna Sawai, Kiersey Clemons, Ren Watabe, Mari Yamamoto, Anders Holm, Wyatt Russell, Kurt Russell, Joe Tippett, Takehiro Hira, Dominique Tipper
Duração: 48 min.

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