Crítica | Mônica – Tesouros

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Nesta continuação da ótima Força (2016), temos Mônica de viagem com os pais para um Hotel Fazenda, um momento em família e longe dos amigos que serve para o casal se conectar melhor e para Mônica descansar um pouco, ver coisas novas, ter novas experiências. Como é de praxe nessas aventuras das Graphic MSP, uma série que outras questões sentimentais e familiares vão sendo trabalhadas no decorrer da trama, sendo esta história uma espécie de conclusão ou reafirmação do status familiar da dentucinha após os momentos difíceis pelos quais passaram no livro de 2016.

O momento de preparação e despedida de Mônica de seus amigos é o meu favorito da história — o que provavelmente deve chocar um pouco alguns de vocês, mas explicarei melhor isso no decorrer da argumentação. Há ali toda uma grandeza das relações fraternas e da beleza que é ver esses amigos juntos, provocando-se, conversando, brincando. Até o “hotelzinho de cachorros” do Cebolinha (que vimos surgir em Recuperação) é citado e, ao longo da história, temos algumas outras referências bem bacanas como Mônica jogando Pokémon e lendo o quadrinho Bear, fofíssima criação de Bianca Pinheiro. Há também uma rápida referência ao Capitão Feio, através de uma notícia do rádio e estes são alguns dos detalhes legais que tornam o Universo dessas graphic novels bem mais interessante.

Desse ponto de partida até o momento de chegada da família ao seu destino, ou seja, no comecinho do livro mesmo, eu confesso que tive um maior engajamento diante da história, algo que só retornou mesmo na reta final, no último dia de Mônica e seus pais no Hotel Fazenda e o intenso dia que ela tem com Antônio, o menino solitário que mora no local. E claro, isso é mais uma questão de recepção da história mesmo. Eu não gostei do menino — só simpatizei com ele quando é revelada aquela surpresa linda no final — e talvez isso tenha me afastado bastante da aventura. Mesmo tendo gostado do enredo como um produto fechado, foi aquele tipo de experiência que realmente não se completou, não clicou. Acontece.

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Olhem a placa do carro.

Um ponto que eu gostaria de chamar a atenção e que me fez achar um pouquinho estranho nessa história (me digam o que vocês pensam sobre isso) foi a lembrança da Mônica para Cascão e Cebolinha em momentos específicos da trama. Ela também se lembra da Magali, mas aquela me pareceu a única lembrança orgânica. Nas outras duas, eu tive a incômoda impressão de que a recepção dela para aquele tipo de atitude com o novo amigo (brincar na lama com os porcos e curtir o conserto do Sansão) estava atrelada aos seus amigos e não ao Antônio. Como tive dificuldade de conexão com parte da história, isso pode ser a mais completa implicância minha, mas como faz parte da minha visão geral da obra e este é o lugar de se falar sobre isso, então, aqui está.

Independente dessa aproximação ou não, eu gostei de Tesouros. A mensagem da autora é clara e todo o trajeto é bastante sutil. Em alguns pontos eu vi a mim mesmo, viajando com meus pais e imaginando que seria tudo um porre enorme, mas depois curtindo muitíssimo a viagem, talvez até mais do que eles. Tesouros é uma história sobre encontrar aquilo que é capaz de nos conectar, de nos trazer felicidade e de manter a esperança que nosso coração estará aquecido pelo amor e companheirismo daqueles que cativamos.

Mônica – Tesouros (Brasil, março de 2019)
Graphic MSP #22
Roteiro: Bianca Pinheiro
Arte: Bianca Pinheiro
Editora: Panini Comics, Graphic MSP, Mauricio de Sousa Editora
Páginas: 98

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.