Home FilmesCríticas Crítica | Monster Hunter

Crítica | Monster Hunter

por Rodrigo Pereira
5070 views (a partir de agosto de 2020)

A franquia Monster Hunter é bastante famosa dentro do mundo virtual e já possui algumas dezenas de jogos lançados, desde os consoles até os smartphones. Criado em 2004, o game se passa em um mundo fantástico repleto de monstros dos mais variados, onde o jogador controla um caçador que deve derrotar esses adversários para se desenvolver e conseguir enfrentar as mais poderosas criaturas. A adaptação cinematográfica segue a mesma lógica, mas para por aí.

Dirigido por Paul W.S. Anderson, famoso por adaptar para o cinema, entre outros jogos, a franquia Resident Evil, o filme traz de volta a parceria do diretor com Milla Jovovich no papel principal, interpretando a patrulheira Artemis, líder de uma equipe do exército estadunidense que vai até um local de jurisdição da ONU para verificar o desaparecimento de uma outra equipe. Ao começar a busca na localização indicada, o grupo é pego de surpresa por uma tempestade misteriosa, que os transporta para um mundo paralelo ao nosso. O mundo de Monster Hunter.

É nessa parte, quando estamos começando a nos acostumar aos personagens, que os desafios começam a aparecer e, um a um, todos os integrantes da equipe são mortos, restando somente Artemis. Chega a ser difícil de entender o porquê o diretor nos apresenta aos personagens, iniciando uma dinâmica interessante entre o grupo através do companheirismo e de suas reclamações acerca do trabalho, se todos são mortos e completamente descartados em seguida. Isso sequer chega a ser um spoiler, já que acontecem antes de trinta minutos de projeção. Talvez seja uma forma sem sentido de ligar aos minutos iniciais da obra, em que vemos uma embarcação navegando por um vasto deserto e com uma tripulação bastante peculiar e aparentemente interessante, mas que é atacada por um dos monstros e, com exceção do caçador interpretado por Tony Jaa, reaparece somente no último ato.

A partir desses acontecimentos, passamos a maior parte da fita acompanhando o desenrolar do relacionamento entre Artemis e o caçador, que parte de algo hostil para uma amizade entre guerreiros, criando o provável único ponto positivo de todo filme, ainda que se torne um pouco cansativo pela demora da direção em seguir em frente com a história. Até vejo uma tentativa de engrandecimento dos guerreiros e seus atos ao colocá-los em perspectiva ao gigantescos monstros e ao cenário em si, com planos abertos demonstrando o minúsculo tamanho humano perante a imensidão do deserto e de suas rochas. No entanto, são tão poucas e breves sequências sem continuidade que parecem perdidas em meio à narrativa, criando imagens sem grande significado.

Sem falar da terrível edição, principalmente durante os combates. A utilização de vários cortes é amplamente aplicada em sequências de ação para dar dinamismo ao combate e, assim como qualquer recurso cinematográfico, pode gerar cenas incríveis (ou nem tanto). Paul W.S. Anderson abusa tanto desse recurso, principalmente nas lutas de Artemis e seu amigo caçador, que cheguei a ter uma leve tontura durante alguns combates, criando sequências em que só queria o final da luta para acabar com todo seu confuso frenesi. Já nos enfrentamentos com as monstruosas criaturas, apesar de melhores, também são cenas pouco animadoras, onde temos a percepção que os guerreiros vencerão a fera de qualquer maneira, mesmo com uma ou outra pequena adversidade.

Ao final, Monster Hunter consegue ser um emaranhado de nada. Seus combates, quando não causam náuseas na plateia, não acrescentam grandes momentos à obra. Com exceção das personagens de Jovovich e Jaa, o resto dos integrantes dos dois grupos são praticamente inexistentes, fazendo com que sequer nos importemos caso vivam ou morram. Nem mesmo a personagem de Ron Perlman, que passa a impressão de só ter algum destaque por ser interpretado por um ator famoso, chega a nos cativar de alguma forma. Paul W.S. Anderson, como mostra a cena que encerra a obra, parecia mais importado em criar algo já pensando em sua sequência que entregar um filme minimamente interessante. Melhor que tivesse deixado esse universo somente para os games.

Monster Hunter — Alemanha, China, Estados Unidos, Japão, 2020
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson, Kaname Fujioka
Elenco: Milla Jovovich, Tony Jaa, T.I., Ron Perlman, Diego Boneta, Meagan Good, Josh Helman, Jin Au-Yeung, Jannik Schümann, Hirona Yamazaki, Nic Rasenti, Nanda Costa, Aaron Beelner, Schelaine Bennett, Adrián Muñoz
Duração: 104 min.

Você Também pode curtir

47 comentários

Cleber Silva 27 de março de 2021 - 12:30

Minha nota e 8 para o filme, e olha que não sou muito fã de blockbuster.

Responder
Edilson Edilson Siqueira Perei 5 de março de 2021 - 17:47

O filme é sobre a esposa do diretor kkkkkkkkkk
O cara ja é ruim como direto e ainda coloca a esposa atriz meia boca sempre como principal foco e os segundarios praticamente descartados

Responder
Rodrigo Pereira 6 de março de 2021 - 16:09

Tenho que rever os outros trabalhos do PWSA para falar com mais propriedade, mas Monster Hunter se encaixa bastante no que falaste.

Responder
Luiz Lima 3 de março de 2021 - 23:44

Só pra saber, tem alguma cena em slow motion da Milla indo de encontro com um monstrão ou então fazendo qualquer outra coisa?

Responder
Rodrigo Pereira 6 de março de 2021 - 16:09

Tem algumas cenas de slow motion durante o filme.

Responder
Lara Loira 3 de março de 2021 - 23:44

Milla , destinada a fazer filmes caçando criaturas, parece q nunca mais a chamarão pra outra coisa

Responder
Rodrigo Pereira 6 de março de 2021 - 16:10

Pior que eu tenho uma certa simpatia por ela, mas só isso não basta, né…

Responder
Andries Viljoen 3 de março de 2021 - 03:25

Algumas breves dicas básicas para TENTAR curtir um filme do Paul W. S. Anderson:

A. Não espere um filme mind fuck, com um roteiro brilhante ou com personagens bem desenvolvidos;

B. Se a sua esposa (Milla Jovovich) estiver no filme, pode ter certeza:
I) ela será a protagonista;
II) haverá muitas tentativas de momentos badass dela (algumas falhas, outras clichês e algumas bem sucedidas);
III) seu personagem sobreviverá à situações que humano algum deveria sobreviver;
IV) haverá muitas cenas de combate foda!

C. Se o filme for adaptação de algum jogo, EM HIPÓTESE ALGUMA, DE JEITO NENHUM, espere que esse filme vá ser fiel ao tal jogo.

Com isso em mente, aproveite as cenas de ação, os efeitos visuais, sonoros e os combates.

P.S.: eu achei que estava vendo coisas quando a atriz brasileira Nanda Costa apareceu.

Responder
Luiz Santiago 3 de março de 2021 - 03:26

Nossa que legal! Cineasta que vem até com manual de apreciação! Adorei! Tomara que essa moda pegue!

https://uploads.disquscdn.com/images/b4120e1299409ac25e823eacf03816016fc68e022d70e761ff3df8f314151799.jpg

Responder
Lucas Casagrande 5 de março de 2021 - 17:47

hahahahaha

Responder
Rodrigo Pereira 6 de março de 2021 - 16:09

Tô confuso. Tenho que fazer curso para curtir o trabalho dele, é isso? https://media2.giphy.com/media/3o6ZteoxZ5ITGRDvEY/giphy.gif

Responder
blackisamu 1 de março de 2021 - 10:41

Desse Diretor eu gosto apenas de Magnólia, só não entendi aquela chuva de sapos desnecessária☻

Responder
Iann Jeliel Pinto Lima 1 de março de 2021 - 16:18

Errou o diretor hahaha

Responder
blackisamu 1 de março de 2021 - 16:18

Huahuahuahua

Responder
Vinicius Maestá 1 de março de 2021 - 16:18

Magnólia é do Paul Anderson original

Responder
Robson Costa 3 de março de 2021 - 23:44

Ele foi irônico gente (espero)

Responder
Peter 1 de março de 2021 - 10:41

Pro filme ter ganhado a nota de horrível aqui, é um sinal do divino para eu realmente não ir ver essa bomba.

Responder
Sussurrador 3 de março de 2021 - 03:25

Veja e forme sua própria opnião criticas não são nada nem todo mundo odiou

Responder
vinland 1 de março de 2021 - 00:56

O único filme dele que eu realmente achei bom foi O enigma do Horizonte. Resident Evil é aquela farofa divertida né. Todo mundo tem um Guilty Pleasure, e esses filmes com certeza são os meus rsrsrs

Agora Monster Hunter foi não dá pra engolir né. Tenebroso!

Responder
Rodrigo Pereira 1 de março de 2021 - 10:41

Faz tanto tempo que não vejo filmes do PWSA que teria que rever pra ser justo com ele, mas Monster Hunter não dá, ficou muito ruim.

Responder
Lucio Adriano Mendonça 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Passou tão rápido o filme. Muita coisa aleatória. Quase um live action de Futurama.

Responder
Lucio Adriano Mendonça 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Com a Milla vai ter continuaçao até o setimo filme?

Responder
Iann Jeliel Pinto Lima 1 de março de 2021 - 00:56

Amigo não fale isso não que vai que acontece KKKKK

Responder
Rodrigo Pereira 1 de março de 2021 - 10:41

Pela cena final, o dois já tá garantido, mas só o primeiro já tá de bom tamanho pra mim hahaha.

Responder
Sussurrador 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Não achei tão ruim assim mas de longe será um dos melhores filmes baseado em games os últimos lançados nesses anos Sonic o filme,Detetive Pikachu,Rampage Destruição Total e Tomb Raider a Origem conseguem ser bem melhores

Responder
Rodrigo Pereira 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Que bom que, diferente de mim, conseguiu aproveitar melhor a experiência com o filme haha.

Responder
Sussurrador 3 de março de 2021 - 03:25

Sim,mas acho que poderia ser melhor mesmo talvez na próxima vem ai Mortal Kombat também

Responder
Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2021 - 16:08

Se tu é crítico de cinema mesmo, explica aí porque Paul W.S. Anderson é 18,98 vezes MELHOR que John Ford.

Responder
Iann Jeliel Pinto Lima 28 de fevereiro de 2021 - 16:16

KKKKKKKKKKKKKKK estou de olho nos comentários para ver se aparece algum com essa explicação

Responder
Vinicius Maestá 1 de março de 2021 - 00:56

Lá no Letterboxd já encontrei vários críticos defendendo esse Paul Anderson versão mundo invertido aí.

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2021 - 00:56

Gênio incompreendido. MUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Responder
planocritico 1 de março de 2021 - 00:56

O melhor filme do sujeito – que é só mediano – é Mortal Kombat. Honesto, simples, com surpreendentemente bons efeitos, muita coisa propositalmente brega, trilha sonora bacaníssima e até tem algumas (poucas) lutas legais. Pronto. O resto pode guardar na mesma prateleira dos filmes do Uwe Boll, aquela que fica no chão do porão úmido e cheio de ratos da casa…

Abs,
Ritter.

Vinicius Maestá 1 de março de 2021 - 00:56

Mortal Kombat foi meu filme preferido da infância hauauahhuahua. Amo até hoje! Aliás, tava ouvindo hoje aquela trilha sensacional por causa do trailer do novo que tá chegando aí em breve.

PS: Gostava até do Aniquilação huahauahuhauuh que vergonha!

Iann Jeliel Pinto Lima 1 de março de 2021 - 01:04

Eu acho Enigma do Horizonte o melhor dele. Nunca revi Mortal Kombat, ainda gostava na infância, mas acho que dificilmente isso vai se sustentar hoje. Mas sim, de resto, é nível Uwe Ball pra baixo.

Luiz Santiago 1 de março de 2021 - 01:04

Penso o mesmo sobre Mortal Kombat!

Vinicius Maestá 1 de março de 2021 - 00:56

Rapaz, eu fico louco como tem uma galera que se une para defender uns caras que muitas vezes até são bons, mas são colocados num pedestal, que eu não consigo entender. Shyamalan, por exemplo, é o deus cinematográfico do século XXI para esse povo.

Luiz Santiago 1 de março de 2021 - 01:04

Uma amiga me mandou o print de um “texto” feito por um “crítico” defendendo esse “diretor” e + uma galera ruim por aí, dizendo que nós outros, críticos e cinéfilos, estamos viciados no “cinema certinho”, no “cinema das regras” e no “cinema das convenções” e não sabemos apreciar o que esses visionários gloriosos têm para mostrar, fora da casinha e usando o próprio sistema para lutar contra o sistema. Pois é. Um tardígrado tem uma capacidade mental 100% maior…

Iann Jeliel Pinto Lima 1 de março de 2021 - 01:04

Adoraria saber que texto é esse que eu até imagino qual seja hahahaha
Acho massa defender gostos excêntricos, mas as vezes é viagem demais dessa galera.

Iann Jeliel Pinto Lima 1 de março de 2021 - 01:04

Eu adoro o Shy, mas esse pessoal exagera mesmo.

Iann Jeliel Pinto Lima 1 de março de 2021 - 01:04

Conheço vários e não sou um deles. Pra mim ele é um dos piores diretores de cinema de todos os tempos!

Responder
Rodrigo Pereira 28 de fevereiro de 2021 - 16:16

Só esse filme do PWSA é, no mínimo, 50x melhor que qualquer coisa feita pelo Ford. O senhor sabe disso. Se poupe, me poupe, nos poupe.

Responder
Raffiinha 28 de fevereiro de 2021 - 16:07

Nossa, um filme ruim do Paul W.S. Anderson com a Milla Jovovich. Quem poderia imaginar, não é mesmo?

Responder
Rodrigo Pereira 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Eu sempre dou um voto de confiança aos envolvidos, mas estaria mentindo se dissesse que fiquei surpreso com o resultado ruim.

Responder
dave120 28 de fevereiro de 2021 - 16:07

Nossa, a maneira que o Paul conseguiu transformar o título para Monster Survivor e deixou a única luta mano a mano contra o monstro pro PRÓXIMO FILME é fantástica.

Responder
Rodrigo Pereira 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

É o que acontece quando faz algo já pensando no futuro antes de terminar o presente ¯_(ツ)_/¯

Responder
zeino lucchini 28 de fevereiro de 2021 - 16:07

Filme não diz porque foi feito.

Responder
Rodrigo Pereira 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Acho que quase ninguém gostou mesmo.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais