Crítica | Monstro do Pântano: Geração Espontânea

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O fim do arco Regênese nos mostrou que o Monstro do Pântano estava aprendendo, na marra, o significado da palavra “equilíbrio“. Após as suas aventuras fora do planeta, nas duas últimas tramas de Alan Moore no título (De Terra a Terra e Reunião), o Pantanoso confundiu o Parlamento das Árvores — que o julgou morto e criou um broto para assumir a identidade de elemental do Verde. Com a volta do Pantanoso, o dilema estava dado: não podem haver dois seres vegetais destinados à proteção desse Reino. Com a recusa de Alec em se enraizar à Mente ou matar o broto, uma série de consequências negativas começaram a cercar os dois seres. A natureza, aqui, mostra a sua face bastante trágica e dura. Deve haver apenas um representante do Verde e ponto final. Caso essa lei seja desobedecida, os rebeldes e todos à sua volta sofrerão consequências.

Em Geração EspontâneaRick Veitch segue desenvolvendo essa premissa narrativa. O Monstro do Pântano está quase que literalmente apagando incêndio o arco inteiro, ora tentando barganhar com o Parlamento, ora tentando evitar que Abby sofra algum grande problema (muitas vezes de maneira conveniente demais) ou rechaçando a atuação de Constantine em torno desse caso. Uma preocupação inicial vem com a corrupção que o Broto está tendo nesse processo, pois ele já possuiu entidades que o Verde tentou incorporar, como Fertilidade (Vênus do Charco), Indústria (Demônio do Palude), Alienação (São Columba) e Iluminação (Fantasma Oculto nos Juncos), mas foi podado em todas essas ocasiões. A poda, porém, não impediu que algumas caraterísticas desses “falsos Monstros do Pântano” passassem para o inocente Ser. Todos percebem que sua incorporação ou sua destruição se torna cada vez mais necessária.

Na primeira edição do arco, Medo de Voar, com a qual me identifiquei em todos os aspectos, temos a primeira grande representação do mar de “coincidências” que a teimosia do Musguento iniciou. Indivíduos com sobrenome similares a Holland são escolhidos emergencialmente e testados pelo fogo para que (talvez) cedam as caraterísticas de suas almas para o Broto e então geraram um novo Monstro. A cada falso início tudo se torna ainda pior, como vemos nas edições Para Vencer a Corrida de RatosO Incêndio é Aqui (onde nossa simpatia por Chester se torna ainda maior) e Centro do Ciclone. É então que o roteiro junta todos os azares e provações, informações e até as buscas de Constantine no meio do caminho para dar ao Pantanoso um momento para pensar. Até que ele encontra a solução na curiosa O Pensador.

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Algumas ideias de Veitch aqui parecem muito boas até certo ponto. Quando chega a hora de executar a grande ação ou trazer à tona a problematização, o dilema, o pensamento sobre a questão central (que nesse arco se assemelha bastante a uma discussão sobre o aborto), o texto emperra. Em L’Adoration de la Terre, revista que finaliza o arco, isso fica ainda mais claro. Ou melhor, mais confuso. Se o leitor já tinha tentado aceitar a questão do Dragão do Pântano (o Monstro podia tê-lo levado para qualquer outro planeta, mas… para Marte?), a “possessão” de Constantine, a presença de Arcane no Inferno (por um motivo que não parece claro ou ter qualquer relação com a narrativa) ou a recolocação de Matt Cable na trama (?), é na decisão final do Monstro do Pântano que a gente encontra maior resistência.

Embora eu não tenha desgostado do plano, confesso que o final desse arco me pareceu confuso demais, o que nunca é algo positivo para o encerramento de uma história com premissa tão difícil quanto essa. E como se não bastasse, há a indicação de forças do bem e do mal novamente em disputa, elemento que recebe uma outra camada de confusão pela presença de Etrigan e do Vingador Fantasma na última parte. Tudo bem que essa participação está claramente para ser explicada adiante, mas em se tratando do arco, não é uma participação orgânica. O problema para o Broto parece que foi resolvido. Mas a gente teme que as coisas não sejam tão simples quanto parece. Porque nunca é.

Swamp Thing Vol.2 #71 a 76: Spontaneous Generation (EUA, abril a setembro de 1988)
No Brasil:
Monstro do Pântano – Regênese Vol.2 (Panini, 2016)
Roteiro: Rick Veitch
Arte: Rick Veitch
Arte-final: Alfredo Alcala
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza
Capas: Dave McKean, Rick Veitch, Tom Yeates, John Totleben, Mike Kaluta
Editoria: Karen Berger
155 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.