Crítica | Monstro do Pântano: Prelúdio Para o Holocausto

plano critico monstro do pantano martin pasko cordeiros para o matadouro

Eu realmente não entendo como uma história que começou de forma tão interessante no arco Os Gritos da Carne Faminta (composto pelas primeiras oito edições do segundo título solo do Pantanoso) termine com uma imensa bagunça cheia de maluquices como esta que vemos aqui em Prelúdio Para o Holocausto. Escrita por Martin Pasko, esta segunda parte da saga dá continuidade à fuga do Monstro do Pântano, Liz e Dennis da Corporação Sunderland, que agora sabemos obedecer a ordens ainda maiores do que ela própria, ordens ligadas ao governo americano mas que não são de todo reveladas aqui.

Com o confuso Harry Kay (Helmut Kripptman) em evidência, o texto avança para algo completamente diferente da promessa feita no arco anterior. Primeiro, tivemos que lidar com a manifestação dos estranhos poderes de Karen “Casey” Clancy, algo que foi ficando mais complexo a cada nova revista e que de fato me acendeu muitas dúvidas sobre como o autor iria conseguir se sair (bem) dessa enrascada. Pois é… não conseguiu. Toda a ideia de conspiração corporativa, a caça da Sunderland, as dúvidas em relação ao tipo, alcance e proveniência dos poderes de Casey, tudo isso se aglutina aqui numa bagunça narrativa que o leitor realmente não consegue acreditar até mesmo como Len Wein, à época editor do título, permitiu que seguisse em frente.

No começo, porém, o texto mantém a boa sequência de eventos, com uma dupla linha de exposição que entretém e nos deixa curiosos para as respostas que virão. O problema é que quando essas respostas começam a vir, a única palavra que conseguimos pensar é “bagunça“. De repente, Casey tem seus poderes elevados à maior potência possível. E ela não é mais uma bruxinha ou mutante muda e telepata. Ela é uma enviada do inferno, o corpo possuído pelo demônio que faria dela o Anticristo. Vejam, não é a primeira vez que o Musguento lida com demônios em sua jornada. A grande questão é que o roteiro vai incrementando as implicações maléficas de Casey, que consegue ficar adulta em alguns quadros, que do nada está atrás de um mitológico pêndulo e que consegue trazer à tona os horrores nazistas, tendo aí a relação entre ela e o Anticristo anterior: Adolf Hitler. Então o Monstro do Pântano acaba no meio de um plot com demônios e nazistas e a tentativa de trazer o Armagedom à Terra, mas tudo é tão confuso que a partir de certo ponto penamos imensamente para poder chegar até o final da edição.

plano crítico monstro do pantano holocausto

O início da bagunça.

No meio de todo o processo, um certo romance entre Liz e Dennis se ergue, um Golem (sim, você leu direito) aparece para lutar conta a menina (agora mulher) possuída e um castelo feito por projeção mental é erguido, local onde acontece a terrível batalha final. A úncia coisa que realmente aproveitamos do meio desse arco para frente é a informação de que o que está matando o Monstro do Pântano é uma infecção, uma ação de bactérias e Dennis sugere que a cura possa vir com Alec voltando para o pântano que lhe deu origem e novamente mergulhando nele. A coisa é tão simplista e boba — especialmente porque o roteiro anteriormente dava indicações de coisas bem mais complexas que isso — que nos faz rir.

A resolução se torna problemática porque na primeira parte da narrativa questões de botânica e biologia haviam sido levadas em consideração para o problema, ou seja, um aceno literal para algo mais complexo é levantado e no fim, abandonado para a explicação rasa “um banho de pântano irá servir“. Depois de nazistas, demônios, pêndulo mágico e possessões (além de todo aquele lenga-lenga horroroso e confuso sobre Harry Kay ser nazista, depois judeu, depois colaboracionista…) era tudo o que o leitor não precisava para terminar essa história.

Swamp Thing Vol.2 #9 a 13: Prelude to Holocaust (EUA, janeiro a maio de 1983) 
Roteiro: Martin Pasko
Arte: Jan Duursema, Tom Yeates
Arte-final: Tom Mandrake, John Totleben, Tom Yeates
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza, Todd Klein
Capas: Tom Yeates, Steve Bissette
Editoria: Len Wein
85 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.