Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X02: Worlds Apart

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

Apenas um pequeno lapso de ritmo no primeiro bloco com os Sunderland me impediu de dar nota máxima para mais este excelente episódio de Swamp Thing, a pérola do DC Universe criminosamente cancelada menos de uma semana antes da exibição de seu segundo episódio. E aqui temos uma reafirmação dos personagens que povoam as margens do pântano, a nomeação de alguns parentescos entre os locais e o prosseguimento da história a partir da primeira aparição completa do Monstro do Pântano (que design maravilhoso!), tanto para o espectador quanto para Abby, embora ela só tenha sabido quem era de verdade a criatura depois de ouvir da garotinha que parece estar em contato com o Verde através da substância jogada naquelas águas. A “doença” aqui é um link clandestino da vegetação local e dessas pessoas “doentes” com forças que eles não deveriam ter contato de forma artificial.

Para mim, é como ver um quadrinho ganhando vida. A história nos trará, pelo que foi reportado desde o início, os principais elementos dramáticos da fase de Alan Moore escrevendo para o personagem (provavelmente elementos misturados dos 4 primeiros arcos), mas em termos de estética e criação de atmosfera, o trabalho de produção dessa série até aqui tem se mostrado um reflexo perfeito do clima de terror B contido nos dois grandes inícios do personagem nas HQs: Gênese Sinistra (1972) e Os Gritos da Carne Faminta (1982). Aqui, o roteiro de Mark Verheiden e Doris Egan explora ainda mais os “mistérios escondidos” na cidade, mas sem complicar a história de um jeito desnecessário — em outras palavras, sem espaço para enrolação. Em vez de criar janelas ou diálogos inúteis, texto e direção nos mostram coisas acontecendo o tempo inteiro e é esta ação uma constante aplaudível desde o episódio anterior.

Elementos de comédia ou laços pessoais sombrios e chamativos também aparecem aqui, com duas excelentes introduções de personagens. Primeiro, com Daniel Cassidy, o Demônio Azul (Blue Devil), interpretado por Ian Ziering e depois com um personagem que deve ser um dos antagonistas de peso da temporada, Jason Woodrue (incrivelmente interpretado por Kevin Durand), o futuro Homem Florônico. Essa adição delineia o papel das forças em torno de Abby e Alec, ao mesmo tempo que expande a mitologia para a cidade, que já tem como centro de atenções a família e a corporação Sunderland. Por falar neles, exceto pelo já citado desacerto de ritmo no início do episódio, vemos algo realmente assustador e instigante se levantar aqui, algo que deve indicar um problema ainda mais complicado para o Pantanoso e outros possíveis mocinhos resolverem no futuro.

O roteiro está claramente construindo uma outra camada dramática a partir daí. Uma camada mística, elencando espíritos e forças das trevas, como muito bem alertou Madame Xanadu (só uma exclamação para a caracterização e representação de Jeryl Prescott: UAU!). Minha aposta inicial é que a relação sombria com o fantasma Shawna Sunderland e este cenário vá trazer das duas uma para o centro das atenções: ou Anton Arcane ou a abertura de algo ainda mais demoníaco, perigoso e terrível para a vida do Monstro do Pântano, a escuridão que ele enfrentou no arco O Assassinato dos Corvos, embora eu ache este um evento grandioso demais para constar logo na primeira temporada da série.

Curioso notar aqui que Crystal Reed, mesmo estando bem em seu papel (sua personagem é de constituição bastante simples e emotiva e a triz entrega isso bem para nós) ela é o elo dramatúrgico mais fraco do elenco. Até os coadjuvantes estão sensacionais aqui e um ponto observado — e que deve ser levado em consideração — é que a produção não apenas investiu em um soberbo uso de efeitos práticos e excelente direção de fotografia, mas também em um casting realista para esse tipo de ambiente geográfico do sul dos Estados Unidos, inclusive com indicações de flora e fauna aparecendo em distintos momentos do episódio, tanto ligadas à investigação de Abby, como tratadas de maneira bem humorada, como acontece com a mãe de Matt Cable, a Xerife da cidade. E ainda mais presente do que no episódio anterior, a trilha sonora aqui não perdoa ninguém, sendo utilizada de maneira cirúrgica, especialmente na aplaudível sequência final do episódio. Que jornada, senhoras e senhoras! E que burrada do DC Universe em cancelar essa maravilha!

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X02: Worlds Apart — EUA, 7 de junho de 2019
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Mark Verheiden, Doris Egan
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Andy Bean, Derek Mears, Henderson Wade, Maria Sten, Jeryl Prescott, Jennifer Beals, Will Patton, Kevin Durand, Elle Graham, Leonardo Nam, Selena Anduze, Justin Miles, Keith Arthur Bolden, Ian Ziering
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.