Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X03: He Speaks

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

He Speaks nos traz uma sólida marcação de personagens e cenários para Swamp Thing, começando do título do episódio, que entrega com tranquilidade aquilo que havia sido um dos meus pequenos medos no início da temporada: afinal, o Monstro do Pântano vai falar ou não? Como já comentei antes, nos quadrinhos, o personagem demora um pouquinho para perceber que pode falar, e mesmo não sendo exatamente um grande orador (ele pensa mais do que fala) sua comunicação é feita normalmente, com a indicação de uma voz gutural — algo colocado aqui de modo aplaudível. O DC Universe já tinha feito um absurdamente lindo trabalho de distorção de voz com o Homem-Robô em Doom Patrol e agora segue os mesmos passos com a fantástica manipulação sonora para a voz do Pantanoso.

Dirigido por Deran Sarafian e escrito por Rob Fresco, este terceiro episódio encerra o ponto de convergência de personagens para o show, algo que eu não imaginei que viria tão cedo e que admirei bastante aqui. Claro que a finalização de pequenos arcos dentro de uma temporada sempre acaba tendo pequenos incômodos (aqui, um problema de ritmo e continuidade na primeira parte do bloco de Abby), mas o resultado final manteve-se bastante positivo. Percebam como cada núcleo recebe um chacoalhão aqui: Avery Sunderland mostra sua verdadeira face (Will Patton só precisa olhar para a câmera para ser assustador); intensifica-se o contato de Maria com “a filha”; o destino do Demônio Azul começa a mudar, segundo previsões de Madame Xanadu; Liz avança em sua investigação jornalística; uma motivação passional é adicionada ao amor pela botânica de Jason Woodrue e, por fim, o Conclave é citado.

Para quem não sabe, o Conclave faz parte do primeiro título solo do Monstro do Pântano, e suas ações criminosas e ligações com os muitos tipos de experiências parece que serão expandidos aqui. Isso é muito bom, porque dará uma solidez enorme para todo o arcabouço químico que está em jogo e será bem mais fácil, a partir desse ponto, fazer as ligações necessárias para expandir o cânone do Universo desse personagem, que é fascinante e gigantesco. Ainda em relação a teorias e aparições, eu estou bastante curioso para ver como a série deve guiar as aparições de Shawna e aqueles insetos que parasitaram o homem que o Monstro do Pântano matou e o fizeram reviver, buscando vingança. Pelo fato de serem animais e pela forma como Shawna está aparecendo aqui, a série pode estar indo para dois caminhos possíveis: ou abrindo as portas para a introdução de Anton Arcane e os Não-Homens (#medo³) ou trazendo O Podre à tona, uma parte do Reino Vermelho da DC Comics que também pode afetar o Verde, como expliquei lá em Pilot.

Em termos gerais, o episódio também resolve — ou se refere sem rodeios — ao problema moral do Monstro do Pântano, colocando a morte em perspectiva e fazendo com que o lado humano do personagem seja levado em consideração, outro grande acerto do roteiro. À parte a toada meio burocrática nas cenas do hospital e o já citado problema de ritmo no início do bloco de Abby, He Speaks é mais um ótimo capítulo desse terror botânico e quase sobrenatural que fizeram o desfavor de cancelar… Anton Arcene tá de olho, viu Warner!

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X03: He Speaks — EUA, 14 de junho de 2019
Direção: Deran Sarafian
Roteiro: Rob Fresco
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Andy Bean, Derek Mears, Henderson Wade, Maria Sten, Jeryl Prescott, Jennifer Beals, Will Patton, Kevin Durand, Elle Graham, Leonardo Nam, Selena Anduze, Given Sharp, Micah Fitzgerald, Tim Russ, Al Mitchell, Matt Burke, Ian Ziering
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.