Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X04: Darkness on the Edge of Town

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

A preparação de um mistério, problemática ou nova temática dentro de uma temporada é uma das coisas mais interessantes que nós, seriadores, podemos constatar. Especialmente quando essa preparação é bem feita, a exemplo do que temos aqui em Swamp Thing.

Sob direção de Carol Banker (que também assinou Jason Todd e Cyborg Patrol), este terceiro episódio mostra um outro terror em evolução ou aparição no pântano, assim como adiciona um pouco mais de informações sobre o Monstro, tanto no laboratório quanto na própria fala do personagem para Abby, quando diz “as árvores falam comigo“. Se no episódio passado nós tivemos a exposição de uma das organizações centrais da primeira Era do Musguento nos quadrinhos (O Conclave), aqui temos a primeira e leve indicação da existência de uma força maior no Verde, que guia o seu mais novo avatar, ainda confuso e tentando aprender e entender o que se passa com ele.

Nas HQs, essa força inteligente que domina o Verde é o Parlamento das Árvores ou Mente, uma das coisas mais legais criadas na fase de Alan Moore, no arco O Assassinato dos Corvos. Também merece destaque a linda cena em que Alex estende seus galhos até Abby para que ela tire uma amostra do tecido e a analise em laboratório. Os efeitos para esse tipo de transformação é mais delicado, com galhos mais filhos e com mais folhas e lodo do que as transformações gerais das raízes do pântano, o que dá um toque de personalidade muitíssimo interessante para o Monstro. Nessa mesma trilha, a cena do laboratório nos deixa atentos para o fato de agora termos Jason Woodrue trabalhando diretamente com a matéria do Monstro do Pântano, seguindo exatamente o que temos nos quadrinhos. O Homem Florônico vem aí!

Já vi algumas pessoas reclamarem que o protagonista está “demorando demais” para se descobrir e que ele não precisa do laboratório para isso. Eu nem vou invalidar essa reclamação com o fato de que é justamente assim que as coisas se passam nos quadrinhos, mas com o fato de que isso é a única coisa que faz sentido dentro da premissa da série: Alec é um cientista. Nem ele sabia direito, quando humano, o que estava acontecendo no pântano, quem dirá agora, que está totalmente transformado. Da mesma forma é o seu acesso ao Verde, que também não faz sentido aparecer inteiramente pronto e fluído.

Toda origem de super-herói da DC é marcada por uma linha de treinamento e compreensão, especialmente nas versões pós-Crise. E isso não é apenas o produto de uma boa adaptação como também faz sentido para o desenvolvimento do personagem. O que esses espectadores queriam? Que já no episódio 4 o Musguento estivesse brotando por todos os lados, tomando chá de hibisco no Parlamento das Árvores, fazendo estripulias com o seu acesso ao Verde e já tivesse resposta para tudo? As coisas precisam de um desenvolvimento narrativo lógico e orgânico (hehehe), uma verdadeira jornada de aprendizado, e isso demora um pouco para acontecer. Esta é uma série de TV, não a casinha do pastel instantâneo!

Com as peças em movimento e mais algumas ótimas cenas noturas (eu realmente tenho paixão pela fotografia noturna dessa série), temos aqui um episódio em tese simples, mas que contribuiu para o avanço do entendimento geral de como os Sunderland estão se organizando em torno da garotinha salva e de como cada uma das partes tomam conhecimento das novas forças que agem naquela região… Isso não vai acabar bem. O aviso de Madame Xanadu ao Demônio Azul e os pesadelos causados pela força misteriosa também indicam algo, especialmente no pesadelo de Abby. Seria aquele homem o seu tio Anton? Já podemos começar a fazer campanhas de jejum e oração? Como o Monstro diz, isto é só o começo. E a mão de xingar a Warner/DC chega a tremer.

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X04: Darkness on the Edge of Town — EUA, 21 de junho de 2019
Direção: Carol Banker
Roteiro: Erin Maher, Kay Reindl
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Derek Mears, Henderson Wade, Jennifer Beals, Kevin Durand, Elle Graham, Benjamin Keepers, Al Mitchell, Will Patton, Maria Sten, Bianca Berry Tarantino, Andrew Yackel
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.