Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X05: Drive All Night

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

A essa altura do campeonato (meio da temporada), a gente já consegue ver algumas indicações de linhas narrativas que claramente estavam ligadas a histórias um pouquinho maiores, quando a série tinha 13 episódios, e que ganharam uma apresentação mais prematura no enredo do show, algo que basicamente marca todo este quinto episódio, chamado Drive All Night, com a primeira citação do Verde e a chegada de um estranho guia…

Como base central da narrativa, leia-se o núcleo de Abby e seus derivados, tivemos uma maior delineação dos eventos de Darkness on the Edge of Town, só que desta vez com decisões mais marcantes e que empurram a série para frente no momento certo. Para nós, seriadores, é muito comum a dinâmica de construção de uma temporada adotada pelos produtores de Swamp Thing, ou seja, uma alternância entre apresentação paulatina de diferentes problemas para diferentes núcleos, com episódios de resoluções, ações ou consequências vindas dessas apresentações. Drive All Night marca bem esse território do meio do show, começando por adicionar uma marca de temporalidade para ninguém botar defeito.

Aqui está: a força maléfica ativa no pântano está crescendo e se desenvolvendo há anos. Os produtos jogados pela empresa de Sunderland naquelas águas só agilizaram a manifestação física dessa força através da natureza e ganharam um pouco mais de vantagem através de um descuido (na verdade, um ato de bondade que deu errado) de Madame Xanadu ao tentar contato com Shawna para aplacar a dor de Maria, o que abriu a porta para que o espírito, agora fortalecido, pudesse se manifestar no lugar que mais o atraía. Na mesma esteira de avanço de núcleos, vimos um pouco mais sobre o Dilema do Demônio Azul (uma adição às pequenas pistas do episódio anterior) e um aumento da tensão na relação entre Sunderland e Liz, personagem que tem ficado mais interessante a cada episódio. Meu ponto é que seria mais interessante mostrá-la trabalhando diretamente com as provas, escrevendo a reportagem, fazendo algumas ligações simples mas que ressaltassem o seu papel de jornalista. Não que o papel dela em campo seja ruim, não é isso. Mas não corresponde totalmente ao que é esperado para uma jornalista investigativa, entendem?

E a um só tempo tivemos a explicação para a temporalidade das forças do mal que estão tomando o pântano, a explicação para o que está acontecendo com Shawna — não explicação como origem, mas a ideia por trás de sua volta espiritual ao mundo dos vivos — e o descontrole que está tomando toda a cidade, como já previra Xanadu. Mais uma vez temos uma direção competente ao guiar a ação e os momentos de maior conhecimento para os personagens, especialmente nas já famosas cenas noturnas da série, onde temos a coisa que mais me deixou feliz no show desde o episódio piloto: a aparição do Vingador Fantasma (Macon Blair) na forma de um pescador cajun, vindo fazer exatamente aquilo que o personagem fazia nas revistas do Monstro do Pântano, observar e orientar apenas o necessário. É sério, vocês não têm noção da minha alegria. Eu inicialmente suspeitava que ele fosse apenas um dos místicos enviados por Constantine para falar com o Monstro, mas esse diálogo aqui me levou às alturas:

__ Who are you?

__ Just a passing stranger… Maybe a phantom from a dream, trying to help you understand the things you already know.

Para quem não pegou a referência pelo diálogo, o nome original do Vingador Fantasma é Phantom Stranger, e em algumas de suas aventuras iniciais, as pessoas que ele ajudava diziam que haviam sido ajudadas por um estranho fantasma durante o sonho ou que tiveram seus seus olhos para coisas que elas já sabiam, mas não prestavam atenção. É pra glorificar de pé uma introdução tão bem feita! Agora eu quero ver o personagem com as roupas do Vingador Fantasma até o final da temporada! Já que parece que está sendo construída uma Liga da Justiça Sombria, eu não duvidaria nada…

Embora fosse mais interessante se o roteiro tomasse a maior parte do tempo desenvolvendo o Monstro do Pântano e em seguida a camada que lhe trará a compreensão de tudo, não posso deixar passar algo muito positivo do episódio, outra imensa surpresa no final, com Jason Woodrue contando parte da verdade para Sunderland e dando início à caçada ao Musguento. E se você não leu os quadrinhos, saiba que é exatamente assim que acontece logo no primeiro arco do Alan Moore à frente do personagem. E é nesse contato do Pantanoso com Woodrue que ele realmente entenderá quem de fato é (ou o que ele pensa que é). Eu já estou me tremendo todinho só em pensar em ver isso na tela. Mal posso esperar para o próximo episódio.

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X05: Drive All Night — EUA, 28 de junho de 2019
Direção: Greg Beeman
Roteiro: Franklin Rho
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Andy Bean, Derek Mears, Henderson Wade, Maria Sten, Jennifer Beals, Will Patton, Kevin Durand, Elle Graham, Given Sharp, Macon Blair, Al Mitchell, Scott Deckert, William Mark McCullough, Melissa Collazo, Marisa Blake, Ian Ziering, Jeryl Prescott
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.