Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X06: The Price You Pay

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

Confirmando as suspeitas plantadas em Drive All NightThe Price You Pay trouxe um avanço curioso para os acontecimentos em Marais, dando novas características à série. Eu havia comentado no episódio passado que era possível perceber certas inclusões (como a do Vingador Fantasma, por exemplo) que claramente vieram antes da hora, na reformulação de metade do enredo da temporada após o cancelamento de três episódios, já na pós-produção. E para quem não compreende o que isso significa, é o seguinte: esses episódios foram escritos e filmados, mas as muitas diferenças criativas entre os criadores e os chefões do estúdio acabaram tendo como resultado esse encurtamento — depois disfarçado com um novo anúncio, de que o problema estava nos descontos de impostos combinados com o governo da Carolina do Norte e que não foram cumpridos, caso parcialmente real, mas posteriormente desmentido como verdadeiro motivo para o encurtamento da série, assim como o seu fatídico cancelamento.

O que se dá neste sexto capítulo da é uma curiosa demarcação de território dentro da ala do suspense secular envolvendo Sunderland em Marais, suas atividades de pesquisa científica tentando obter o maior lucro através da natureza local (o pântano que lhe tirou o pai é o pântano que o fará ainda mais rico) e como isso terminou ligando-se ao Monstro do Pântano. Para que este aspecto da história andasse, a roteirista Tania Lotia procurou trabalhar com a intriga em alta, fazendo através dela um trampolim para algo maior, no que é ajudada pela direção simples e eficiente de Toa Fraser.

Certas linhas narrativas foram enxugadas (Maria e a garota adotada) para que o restante do texto se desenvolvesse, embora eu não tenha muita certeza qual será a toada final da temporada, visto que a série só tem mais quatro episódios e o caminho de aprendizagem do Pantanoso parece estar ainda apenas na superfície. De todo modo, o que nos foi entregue mantém o Musguento no pântano e Woodrue seguindo com suas pesquisas, o que deve ser a tônica para a transformação do personagem em Homem Florônico mais para o final da temporada. Novamente devo dizer o quanto gosto do ator Kevin Durand nesse papel, que transmite com bastante força a personalidade do personagem, algo vilanesco na superfície, mas com uma camada racional, científica e até emotiva a ser considerada. Vilões assim, complexos e cheios de meios-tons morais são os mais interessantes e isso só me faz lamentar ao saber que parte de sua trama foi cortada para dar espaço a outras coisas na reformulação do programa.

O experimento dele é feito em Daniel Cassidy, que começa a se transformar em Demônio Azul, mas como Xanadu deixou claro, ainda não é o tempo certo para certas coisas virem à tona. Eu preferia que o motivo que tivesse levado o personagem ao hospital tivesse sido outro, algo um pouco mais sério do que a pancada que ele levou no episódio passado. Mas aqui está ele em coma e mais um pouco de sua história de origem é mostrada, agora com a presença do Vingador Fantasma, com roupas que realmente lembram a do personagem nos quadrinhos, embora menos pomposa. Macon Blair interpreta o Vingador com uma naturalidade tão gostosa (e que exibe uma autoridade tão grande), que eu nunca pensei que fosse dar certo. Sempre imaginei o Vingador como uma representação mais… mística e que nada diferente poderia ser interessante para ele. Bem… eu estava errado.

Agora tenho minhas dúvidas se Sunderland irá parar com os caçadores e as coisas realmente vão acontecer exclusivamente no Pântano ou se a noção da identidade do Monstro virá através de experimentos científicos após a sua captura. O que tivemos aqui no final pode ser um indicativo de que os braços da série não vão se afastar tanto do que já foi apresentado. O que tivemos aqui indica, inclusiva, a adaptação da soberba história Rito de Primavera através de uma outra perspetiva, também muito bonita, mas bem menos poderosa do que na HQ (pelo menos nesse início. Veremos aonde isso vai dar). Essa lindeza, assim como a fuga e uso das árvores para criar espinhos mostram que o Monstro está realmente aprendendo mais sobre o Universo do qual faz parte. Pela forma como a série está andando, eu ainda acho necessário um episódio que seja majoritariamente focado nessa questão, para que os significados em torno do Pantanoso sejam explicados ao menos em seu conceito geral nesta adaptação.

Com a parte sobrenatural ganhando mais terreno, a série passa a ter um conceito ainda mais divertido, pelo menos para mim. Há uma certa urgência no episódio, algo que tem uma explicação clara do por quê, mas que me deixa meio temeroso que certas coisas não saiam assim tão legais até o fim da temporada. Se em Titans e Doom Patrol, que não tiveram 3 episódios cancelados na pós-produção, os Finales foram aquém do restante da temporada, imaginem no presente caso. Vamos esperar e ver como a jornada lodosa da série será encerrada. Ou melhor… em que condições a série estava quando foi prematuramente podada.

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X06: The Price You Pay — EUA, 05 de julho de 2019
Direção: Toa Fraser
Roteiro: Tania Lotia
Elenco: Crystal Reed, Andy Bean, Derek Mears, Henderson Wade, Maria Sten, Jeryl Prescott, Jennifer Beals, Will Patton, Kevin Durand, Ian Ziering, Selena Anduze, Macon Blair, Scott Deckert, Laurie Fortier
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.