Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X07: Brilliant Disguise

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

Curiosamente o episódio que mais elementos-chave de andamento para o que ainda resta da série me pareceu o que mais jogou na retranca, especialmente no que diz respeito à exploração do Verde, do Podre e do lar dos Sunderland, local de onde veio um dos plot twists mais interessantes da temporada.

Andrew Preston e Rob Fresco são os responsáveis pelo roteiro aqui e o que fazem é um curioso trabalho de ligação entre o capítulo anterior e as difíceis decisões aqui tomadas, terminando com partidas de personagens em cada núcleo principal (Abby para Atlanta — realmente isso irá se concretizar? — e Avery se afastando pelo menos do comando da empresa). Falando de Abby e do Monstro do Pântano, tivemos uma boa continuação da relação entre os dois, afetados pelos esporos da planta alucinógena que fez com que ele fosse visto em seu corpo anterior. Aqui vem o primeiro grande problema do episódio: quase um medo incompreensível dos roteiristas em dar nome aos bois. Notem como as linhas do ator Andy Bean quase nunca se completam. Todo o raciocínio dele em relação ao Pântano é imediatamente interrompido para uma reticência boba ou um corte (estes sim, muito bons, graças à montagem elogiável do episódio) para outro bloco.

Agora fica um pouco difícil saber qual o caminho escolhido pelos produtores para com a narrativa, uma vez que muita coisa da série foi retirada e não haverá uma possibilidade de desenvolvimento para o que ficar em aberto. Dito isto, meu temor está quase todo na apresentação do Monstro do Pântano como ele mesmo. Em The Price You Pay eu tinha ficado extremamente animado pela forma inteligente como o primeiro contato com o Verde e mesmo com o Musguento estava acontecendo. Vendo que este episódio daria continuidade àquela linha narrativa me animou ainda mais, só que a lentidão do Pantanoso para realmente notar o que está acontecendo começa a pesar na temporada. Nos quadrinhos, a PERCEPÇÃO de sua real figura (ele não é quem ele acha que é) acontece quando cai nas mãos de Sunderland, e o Dr. Woodrue realiza testes e descobre algo incrível. A grande questão é: o Monstro do Pântano tem as memórias de Alec. A memória de um cientista. E além disso, ele nota coisas muito mais rápido agora, pela consciência à qual está ligado. Mesmo que não saiba direito como usar seus poderes (isso é bem normal e fiel aos quadrinhos), ao menos saber falar sobre e definir coisas dessa consciência ele deveria conseguir. Neste episódio, parece que há um medo em fazer isso.

E é justamente como um derivado dessas reticências que a ligação com o Podre se torna solta demais. Esse conceito está ligado a um evento que esteve no mundo do Monstro (no arco da escuridão, à época da Crise), mas que ganhou representação bem mais rica no Universo do Homem Animal, especialmente a partir de A Caçada. É ótimo que esta visão esteja adicionada à série, mas notem como a ligação entre o pedaço florido que o Monstro cria em uma parte do pântano simplesmente não se faz sentir quando ele e Abby chegam à parte consumida pelo Podre, pela escuridão. Outro ponto aí é a ausência de uma citação mais direta quanto à causa dessa escuridão (Xanadu seria de muita ajuda num episódio como este), problema que respinga em outra ausência: Shawna. Ela se perdeu no pântano para sempre e a menina está livre mesmo? Onde está a menina? A questão do tempo em relação à recuperação de Maria é outra coisa que me deixou meio “oi?“, mas nada assim tão grave. O importante é que aí temos algo interessantíssimo: a virada do jogo pelas mulheres enganadas e não tão moralmente aplaudíveis: Dona Sunderland e Lucilia Cable.

O jantar com Nathan Ellery foi incrível, mas o roteiro simplesmente abandonou uma parte (interessante!) da conversa e resolveu toda a questão em elipse, focando, ao cabo, na relação entre o casal Woodrue. Ninguém se importa muito com isso, a gente quer ver coisa sobrenatural, certo? Fica agora a tríade final de episódios responsáveis por terminar a apresentação do Monstro do Pântano e, ao que parece, resolver o problema da escuridão/Podre, talvez descobrindo bastante de si no processo. Para mim, após esse episódio, algumas coisas em relação à presença do Vingador Fantasma e do Demônio Azul começam a fazer sentido, mas vamos esperar para ver o que a série tem a dizer sobre isso, inclusive sobre Avery, que parece que não morreu — e suspeito que será “salvo” pela escuridão, pelas forças que trouxeram Shawna como fantasma. Nota: eu realmente queria que Avery tivesse morrido. Gosto do personagem, mas faria sentido aqui. E teria sido uma boa saída da série.

Surpreendentemente a linha dos Cable é a mais bem conduzida de todo o episódio, porque apresenta uma série de novidades, mantém algumas informações em segredo mas não fica fazendo pantinho com coisas importantes para aquela parte do texto. Exceto nos momentos do Podre do pântano, Brilliant Disguise é um episódio bem dirigido, com belos efeitos e boa variedade de cenários, novamente abraçados por uma linda direção de fotografia, meu verdadeiro xodó dessa série. É um episódio que faz muita coisa avançar, mas tem dificuldade de entregar o básico do básico para o público: definições precisas das coisas mais simples. Rogo para que esta reta final saiba trabalhar bem o que foi construído até aqui.

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X07: Brilliant Disguise — EUA, 12 de julho de 2019
Direção: Alexis Ostrander
Roteiro: Andrew Preston, Rob Fresco
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Andy Bean, Derek Mears, Henderson Wade, Maria Sten, Jennifer Beals, Will Patton, Kevin Durand, Selena Anduze, Michael Beach, Dorothy Recasner Brown
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.