Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X10: Loose Ends

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

E então Swamp Thing chega ao fim.

Trabalhando da melhor maneira possível com o material que tinham, após o encurtamento da série, e sofrendo com o cancelamento ainda em sua primeira semana, a saga do Monstro do Pântano não teve muita sorte em sua existência televisiva de 2019. Para quem, como eu, acompanhou o programa do começo ao fim, a jornada foi extremamente prazerosa e marcada pela imaginação das maravilhas que os showrunners poderiam ter feito se a produção tivesse seguido como fora imaginada e, melhor ainda, se tivesse tido a oportunidade de continuar. Como nenhuma dessas coisas aconteceu, resta-nos vibrar pelo ótimo resultado final e seu amargo sabor. Triste fim.

Após a grande revelação de The Anatomy Lesson, minha curiosidade era como o roteiro do Finale trabalharia o novo momento para Alec, que descobriu que é uma planta com a mente de um homem morto. Agora que tudo terminou, posso preencher uma lacuna do personagem que alguns de vocês me perguntaram nos comentários do episódio passado e que imaginei que seria trabalhado aqui, mas não foi. A concepção do Monstro do Pântano se dá pela presença de três principais fatores: um corpo moribundo + fogo + mergulho nas águas de um pântano. Toda vez que o Verde precisa de um representante, ele faz com que o broto (a essência desse avatar a ser “plantado” na Terra) fique atento para tais condições. Se as caraterísticas da flora local forem ideais — aqui, o Verde tinha, para “ajudá-lo” a encontrar o caminho, a substância que acelerava o crescimento das plantas –, o broto incorpora a essência do morto. A matéria vegetal imita a forma do moribundo e assume as suas memórias, passando a representar o verde como um novo avatar… o Monstro do Pântano.

Essa jornada na série se mostrou bastante funcional e mesmo com as alterações feitas em relação aos quadrinhos, conseguiu encontrar rapidamente a sua identidade, culminando com a famosa lição de anatomia e terminando com as pontas soltas, que na verdade foi a revista onde Alan Moore criou a separação entre o que fora o personagem até aquele momento e tudo o que seria dali em diante. De muitas maneiras, Loose Ends olha diretamente para essa linha divisória e coloca fim a alguns caminhos, ao mesmo tempo que abre perspectivas para outros. Notem como o bloco de Maria parece corrido e deslocado, como se até o episódio passado tivessem um montão de coisas para fazer com a personagem e aqui trouxeram um “fim” para ela, numa loucura de paz providenciada por Xanadu. Ou como o arco de Avery e Lucilia finaliza-se de maneira lógica, mas com uma reticência enorme, até com uma piscadela para uma possível interferência do Verde na questão.

Todavia, de todos esses finais, o que mais me incomodou foi o do Demônio Azul. É evidente que sua saída de Marais viria após um evento ainda mais intenso que o do episódio passado, mas o roteiro abreviou sua estadia e ocultou a grande treva que estava para sair das águas, empurrando-a de maneira quase elegante, no belo diálogo final entre Alec e Abby, para uma segunda temporada que jamais acontecerá. Mas se o encerramento da missão do Demônio Azul foi a minha parte menos favorita do episódio, tudo o que esteve relacionado ao Monstro do Pântano ganhou minha total atenção. Gostei de todas as lutas e gostei a ação do personagem diante de seus dilemas. Ele está mais reconhecível do que nunca e tem os mesmos impulsos, a mesma aproximação com Abby e o mesmo tipo de olhar esperançoso que tem nos quadrinhos, afinal, este é o mundo que ao menos em um aspecto vital — a flora — ele precisa proteger.

A cena pós-créditos também é simplesmente incrível. Vemos aqui o surgimento do Homem Florônico (eu adorei a composição do corpo de madeira do personagem, mas gostaria muito que tivessem umas pequenas folhas verdes espalhadas ali…) e o pensamento dele não é apenas lógico em relação ao que foi o personagem na série, mas emula bastante o pensamento de sua versão nos quadrinhos. Embora ainda “seja cedo” (na verdade é tarde demais) para dizer, essa versão da TV cria uma figuração ainda mais maldosa para o vilão, enquanto sua contraparte nas HQs era um homem mal até a página dois… pelo menos nessa sua primeira encarnação.

Sombrio, bem dirigido e com caminhos elogiáveis considerando todos os empecilhos que tiveram pelo caminho, este episódio de Swamp Thing traz o fim para a série. Tanto o show quanto o Verde, na realidade e na ficção, foram explorados, manipulados e destruídos prematuramente, quando só estavam trazendo coisas boas para as pessoas ao seu redor. Ao menos para o Verde existe uma vingança inconteste em andamento: a humanidade estará extinta em alguns milênios… Já para nós, enquanto nos entupimos de agrotóxicos, respiramos cada vez mais porcaria e derrubamos florestas para plantar soja, criar boi e construir shopping, só resta mais esse amargor de ter perdido uma série com tanta coisa para oferecer. Como se a gente precisasse de mais essa frustração. Pois bem, é o fim… Adeus, Monstro Pântano.

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X10: Loose Ends — EUA, 2 de agosto de 2019
Direção: Deran Sarafian
Roteiro: Erin Maher, Kay Reindl
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Andy Bean, Derek Mears, Henderson Wade, Selena Anduze, Jennifer Beals, Cuyle Carvin, RJ Cyler, Lunden De’Leon, Kevin Durand, Robert Fortunato, Jennifer Gatti, David Kallaway, Justice Leak, Will Patton, Given Sharp, Maria Sten, Ian Ziering, Jeryl Prescott
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.