Crítica | Monstro do Pântano: Triângulos Infernais

Triângulos Infernais foi originalmente publicado aqui no Brasil pela Panini (2016), num encadernado chamado Regênese Vol.3. As revistas que de fato formam esse arco são as #77 a 81 da Monstro do Pântano Vol.2, e como adendo, tivemos no mesmo encadernado a inclusão do Anual #3 da mesma revista, uma história chamada Primos Distantes. Minha presente crítica e avaliação acima falam apenas das edições correntes do arco. O anual incluso é bem… peculiar, para não dizer bizarro (no sentido negativo), trazendo um roteiro vergonhoso de Rick Veitch, chamando toda a atenção para Grodd e diversos gorilas/aliados que são atraídos pelo primata mentalmente poderoso para destruir a cidade de Solovar. Não me pergunte o que uma história como essas está fazendo num Anual da revista do Monstro do Pântano, em vez da revista do Homem Animal. Isoladamente há alguns bons momentos e as cores de Adrienne Roy são lindas nessa edição, mas de resto, ela nada traz de realmente importante ou coerente para o Pantanoso.

Já o verdadeiro arco começa com a revista que lhe dá título, e nela existe uma DR entre o Monstro do Pântano e Abby, dias após o rito de concepção com a presença de Constantine. Sei que alguns leitores não curtem esse aspecto do enredo, mas vamos lá pessoal, já se passaram 77 edições dessa relação, é hora de se acostumar com o tipo de laço que o Elemental criou com Abby. É verdade que muitas vezes (nesse arco mesmo!) isso acaba saindo dos trilhos, tornando-se um melodrama proto-romântico besta, mas não é sempre não. E considerando que agora conseguiram implantar o Broto no útero de Abby, faz ainda mais sentido o teatrinho de casal que eles encenam. Quando bem trabalhado, como nesse roteiro de Jamie Delano, é algo interessante. E a briga aqui é legal porque afasta os pombinhos e coloca a Sra. Pântano dando um rolê com Constantine, numa noitada amigável e muito respeitosa por parte do personagem. Daí surge o link para a edição seguinte, Semeadura ao Vento (To Sow One’s Seed in the Wind) uma loucura sem limites escrita por Steve Bissette.

Eu não sei o que me impressiona mais aqui, se o fato de termos um cara que trabalhou com Martin Pasko e com Alan Moore à frente do Pantanoso escrevendo um troço desses ou a real ausência de propósito dessa edição. O curioso (e ainda mais bizarro) é que não é uma revista ruim. Tom MandrakeAlfredo Alcala mandam muito bem na arte e a história tem a “cara das loucuras do pântano”, mas… para quê? Quando Moore resolvia chutar o balde e fazer uma coisa bem maluca, tinha um propósito ou, quando não, era uma incrível aventura autocontida que se sustentava perfeitamente pela alta qualidade. Bem… não é o caso aqui. A história só consegue não ser ruim, mas não acho um real motivo para ela existir. Será que o Pantanoso estava fazendo um exame de rotina (um pré-Natal-Elemental) para ver se o bebê estava bem? Mas precisava de tudo isso? De toda forma, a arte me garantiu estrondosas gargalhadas ao ver o Monstro refeito com forma de mulher, numa reação empática de sua natureza após sair do útero de Abby. Hummm… pensando bem, a proposta é bem bonita não é não?

plano crítico os avatares do verde sequestrado monstro do pantano

Vênus do Charco, São Columba, Fantasma Oculto nos Juncos e Demônio do Palude.

Já a edição seguinte, Esperando Deus (Waiting For God (Oh!)) com Rick Veitch de volta aos roteiros e à arte, não me interessou muito. Por mais que eu goste da ideia de elementos do passado serem retomados — como o ataque e morte do Monstro em Gotham, no arco De Terra a Terra, um ano antes — fiquei novamente pensando sobre o real propósito disso. O Pantanoso do nada resolver ir se vingar dos homens que o alvejaram e querer matar Lex Luthor é uma ação retardatária e estúpida. A trama vale mesmo pelos embates entre o protagonista e o Superman, além de mostrar o primeiro sequestro de um Ancião desprendido do Parlamento das Árvores, a Vênus do Charco, preparando-nos para as duas edições finais do volume, estas sim realmente muito boas: O Mais Longo dos Dias (The Longest Day) e Enlutada (Widowsweed), uma excelente forma de se fazer um crossover sem atrapalhar a história central e utilizando dessa necessidade editorial para tentar coisas novas.

À época, a DC Comics estava publicando a saga Invasão!, e a maneira como Veitch traz isso para as mensais do Pantanoso é admirável. Basicamente surge uma boa desculpa para tirar o Monstro do planeta Terra e ‘matá-lo’ mais uma vez, sendo que a preparação para isso é muito boa, mostrando quatro lendários Elementais transportados para planetas que os confunde e, pelo que entendi, neutraliza — tudo isso antes da chegada efetiva dos Dominadores, com o ataque ao Monstro acontecendo por último. Em Enlutada, vemos o fechamento de um ciclo aberto muitos anos antes, na maravilhosa O Visitante do Espaço. Infelizmente a presença de Guy “Lixo” Gardner na história estraga qualquer humor e beleza possível — principalmente depois do que ele faz –, mas há sentido para tudo isso dentro da história, completando de maneira muito triste o ciclo aberto no passado, além de fechar o arco com uma promessa e a dúvida sobre onde (e como) estaria o Monstro do Pântano agora.

Swamp Thing Vol.2 #77 a 81 + Annual #3: Infernal Triangles + Distant Cousins (EUA, outubro a dezembro de 1988 / Anual 1987)
No Brasil:
 Monstro do Pântano: Regênese n°3 (Panini, 2016)
Roteiro: Jamie Delano, Steve Bissette, Rick Veitch (mensais); Rick Veitch (anual)
Arte: Tom Mandrake, Rick Veitch (mensais); Rick Veitch, Shawn McManus, Jim Fern, Stan Woch (anual)
Arte-final: Alfredo Alcala, Rick Veitch (mensais); Tom Yeates (anual)
Cores: Tatjana Wood (mensais); Adrienne Roy (anual)
Letras: John Costanza (mensais); Augustin Mas (anual)
Capas: Dave McKean, Rick Veitch, Tom Yeates, John Totleben (mensais); Brian Bolland (anual)
Editoria: Karen Berger, Art Young
180 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.