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Crítica | Monstros no Trabalho – 1ª Temporada

por Iann Jeliel
2162 views (a partir de agosto de 2020)

Monstros no Trabalho

Monstros no Trabalho é uma espécie de “continuação” da história de Monstros S.A. Coloco em aspas, porque não tinha realmente muito o que continuar a partir do fim da história, em que a empresa Monstros S.A passaria a utilizar a energia das risadas, ao invés do grito das crianças, para fornecer a Monstrópolis, além daquele universo ressignificar o olhar dos monstros sobre humanos, ambos não mais enxergando uns aos outros como ameaça. Tanto que, a única expansão de mundo que a Disney/Pixar fez propriamente com Monstros S.A, foi o preludio Universidade Monstros, contando a origem da amizade entre Mike (Billy Crystal) e Sulley (John Goodman). Inclusive a base estrutural “dramática” da série bebe muito da jornada do Mike naquele filme, que não era talentosamente assustador para passar na universidade e tinha de lutar contra isso, só que agora replicada em um novo personagem, no processo inverso.

Tylor (Ben Feldman) é um monstro assustador, recém-formado em primeiro lugar na Escola de Medo da Universidade Monstros, forçado a se readaptar e virar um comediante para a nova política do riso. Mais um motivo, para colocar Monstros no Trabalho como uma “continuação”. Acompanhamos personagens novos dentro de um mesmo cenário, ao invés da duplinha dinâmica que conquistou nossos corações. O que poderia ser algo negativo, mesmo com ainda uma forte presença de ambos dentro da proposta, que visa acompanhar a rotina daqueles personagens dentro da empresa, o qual, Mike e Sully foram promovidos como novos chefes administrativos. No entanto, mesmo estando presente em quase todos os dez episódios, a história não é deles. Pelo menos, não nessa temporada. E está tudo bem. A participação deles é suficiente e os novos monstros conseguem ser bastante carismáticos também.

Além de Tylor, acompanhamos toda uma equipe denominada MIFT – Monsters, Inc. Facilities Team, ou em português, o Time de Manutenção da Monstros S.A, ou em outras palavras, os mecânicos do negócio –, integrando Fritz (Henry Winkler), o supervisor paizão do time, o vice supervisor e anti-herói Duncan (Lucas Neff), a trabalhadora empenhada Cutter (Alanna Ubach) e a imperativa Val (Mindy Kalling). A série, portanto, fica dividida entre um caráter episódico com as desventuras e problemáticas que os MIFTers precisam resolver dentro da fábrica, e o linear, acompanhando o protagonista passar por dificuldades tentando virar um comediante. Se tratando de episódios curtos, o aspecto de caso da semana é o mais levado em conta. Monstros no Trabalho é quase como uma sitcom dos personagens da animação.

Tirando os dois episódios iniciais demasiadamente introdutórios, pelo menos metade dos demais capítulos conseguem ser genuinamente engraçados ao criar situações inventivas partindo de um sequenciamento de problemas gerado pela incompetência desajustada dos MIFTers trabalhando – destaco os episódios The Cover Up e The Damage Room nesse sentido. Já arco do protagonista, é fragmentado entre os capítulos, mas essencialmente é deixado para ser resolvido próxima do clímax, onde se localiza os três melhores episódios, justamente por unir a importância desta narrativa como uma grande “situação” engraçada a resolver, tais como outras trabalhadas em episódios esporádicos.

Tecnicamente, a animação se aproxima do nível mais detalhista de Universidade Monstros, só que sem o mesmo preenchimento vivido dos dois filmes, o que é plenamente justificável em termos orçamentários. Mesmo contando com várias participações, para além de Wazowski e Sullivan, de personagens vindos dos originais, o preenchimento populacional da Monstros S.A é limitado a poucos monstros passeando pela ambientação, sejam demais funcionários, trabalhadores ou visitantes, só aparecendo de vez em quando, monstros em quantidade maior (ainda não tão grande quanto Universidades) em sequências com maior apelo. Fora que o espaço da empresa é pouco explorado em variedade de cenários, focando mais no antigo andar do susto, corredores padrões e no galpão onde ficam hospedados os MIFTers. Ou seja, nada de vermos mais daquela gigantesca área de armazenamento de portas vistas no final de Monstros S.A ou alojamentos novos e desconhecidos semelhantes.

Isso acaba sendo um pouco frustrante, porque dentro do aspecto rotineiro, é natural esperar uma maior exploração da geografia da fábrica que nunca ocorre. Além disso, a ideia de finalizar os episódios com curtas de Mike dando aula consegue ser tanto um triunfo, quanto um “problema”. Veja, a maioria deles são ótimos e bem engraçados, funcionais para manter o personagem sempre como esse porta voz ilustrativo do universo da Monstros S.A, mas fica a sensação de que eles poderiam ser inseridos de uma maneira mais natural para dentro dos episódios, quiçá, termos um episódio dedicado inteiramente numa aula de Mike e seu curso de comediante. Quem sabe, fica a ideia para um episódio da próxima temporada, se for havê-la – tomara que sim.

Reitero, Monstros no Trabalho é mais uma série passatempo do que uma série que propõem uma continuação “séria” do filme original, apesar de canônica, como serão outras dessa Pixar produzida aos montes para preencher catálogo do DisneyPlus. Olhando por esse prisma, como uma oportunidade de ver novamente, os nostálgicos e icônicos personagens passando o bastão para novos em um humor descompromissado, ela é inegavelmente divertida.

Monstros no Trabalho (Monsters at Work) – 1ª Temporada | EUA, 2021
Criação: Bobs Gannaway
Diretores: Stephen J. Anderson, Kaitlyn Ritter, Kathleen Thorson Good, Shane Zalvin
Roteiristas: Bobs Gannaway, Kelsey Mann, Bob Peterson, Ethan Sandler, Evan Gore, Bart Jennett, Heather Lombard, Ricky Roxburgh, Travis Braun
Elenco (Dublagem Original): Billy Crystal, Ben Feldman, Mindy Kaling, Henry Winkler, Lucas Neff, Alanna Ubach, Stephen Stanton, John Goodman, Christopher Swindle, Jennifer Tilly, Bob Peterson, Hiromi Dames, Michaela Dietz, Bonnie Hunt, Bobs Gannaway, Dee Bradley Baker, Carlos Alazraqui, Curtis Armstrong, Gabriel Iglesias, John Ratzenberger, Dave Wittenberg
Duração: 10 episódios – 22 minutos em média cada episódio

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