Crítica | Moone Boy – 2ª Temporada

estrelas 3,5

Depois do hiato de um ano, Moone Boy volta para a sua Segunda Temporada. A longa espera, no entanto, não foi recompensada com muitos louros, ou pelo menos a quantidade de louros que se esperava ver de uma série que na sua 1ª Temporada trouxe leveza, humor inteligente e uma inocência há muito não vista em programas de TV com personagens crianças. A ótima condução dos roteiros continua, mas o charme maior característico da temporada de abertura, se perdeu.

A mudança de tom talvez tenha vindo com tramas paralelas que ganharam demasiada importância em detrimento da visão de mundo do pequeno Martin Moone, como por exemplo o casamento e a gravidez de Fidelma. Até o novo membro da família, Dessie, se tornou um personagem de maior relevância na temporada, uma atenção especial do roteiro que não entendemos de todo, porque não se trata de alguém com forte constituição cômica ou importância notável para a série.

Mesmo que tenhamos em mente a incursão de um outro membro na família e a necessidade de torná-lo mais visto pelo público e fazê-lo cercar os protagonistas mais vezes ao longo da temporada, não justifica o fato de suas ações ou importância, mesmo que momentâneas, suplantem outros fatores e personagens que mereciam maior destaque ou mais amplo trabalho de exploração em seus dramas particulares. Ou mesmo o estabelecimento de uma linha narrativa central mais forte, como o que aconteceu na temporada anterior.

O interessante é que se isolarmos apenas os momentos em que Martin e seu melhor amigo interagem como principais focos narrativos de um episódio qualquer — Ghost Raft, por exemplo — teremos lembranças muito fortes da 1ª Temporada, porque esse era o tipo de linha de enredos que se destacavam naquela ocasião. Ainda assim, Moone Boy se configura uma série deliciosa e divertida de assistir.

O ano-base dessa temporada é 1990, e todos os sintomas e comportamentos europeus típicos da época podem ser vistos, ao menos em breves flashes. Aliás, o primeiro episódio da temporada, Boylé Boylé Boylé, centrado na participação da Irlanda na Copa do Mundo de 1990, traz à tona cenas de montagens com vídeos da época que servem para nos contextualizar perfeitamente bem ao ambiente histórico.

Talvez se houvesse uma menor preocupação em criar uma base grande de personagens e histórias particulares para cada um desses eventos, a temporada fosse menos burocrática e trouxesse mais o charme inocente do ano anterior. Apesar disso, não podemos negar que Moone Boy ainda é uma comédia adorável e que nos traz um tipo de humanismo e leveza que se se ausentaram cada vez mais das séries, principalmente (e de maneira curiosa) as que trabalham com crianças. É muito bom ver um retrato meio maluco e completamente plausível do crescimento de um garoto ao lado de seu amigo imaginário, suas descobertas pessoais, suas fantasias, frustrações, desejos e família bastante incomuns. Nada que também não tenha feito parte, em maior ou menor grau, da nossa saudosa infância.

Moone Boy – 2ª Temporada (Reino Unido, Irlanda, 2014)
Criador: Chris O’Dowd
Direção: Ian Fitzgibbon
Roteiro: Chris O’Dowd, Nick Vincent Murphy
Elenco: Chris O’Dowd, David Rawle, Deirdre O’Kane, Clare Monnelly, Sarah White, Peter McDonald, Aoife Duffin, Ian O’Reilly, Norma Sheahan, Ronan Raftery, Mark Doherty
Duração: 23 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.