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Crítica | Morcegos – Assassinos da Noite

por Leonardo Campos
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Uma regra básica do horror ecológico é ser exagerado com humor. Se o filme focar demais em sua pretensão e empacar a narrativa com diálogos idiotas e dosagem mínima de ação, o resultado é a descrença total em qualquer possibilidade de entretenimento, em muitos casos, inteligentes, com alegoria e reflexões diversas. Morcegos – Assassinos da Noite não é reflexivo demais, os debates científicos são básicos, apesar de bem pertinentes e interessantes, mas o filme nos ganha por sua alta dosagem de aventura. É divertido, dinâmico, sabe a hora de acabar e não busca ser algo a mais do que não pode ser. Tal como a maioria dos filmes com esse animal no lugar de monstro, a espécie em destaque é o morcego-vampiro, conhecida por sugar o sangue de outros animais e possuir hábitos asquerosos, presentes no imaginário desta criatura assídua no campo do terror. Aqui, a estrutura é a mesma de sempre: prefeito corrupto ou temeroso dos resultados de sua gestão, polícia incompetente e uma heroína que sai em busca das respostas diante dos incidentes com os morcegos, transformados em monstros ceifadores de veados e seres humanos.

Sob a direção de Eric Bross, realizador que utiliza como norte, o roteiro escrito por Doug Prochilo, acompanhamos uma cientista, Maddy Rierdon (Lucy Lawless), instigada com a misteriosa morte de um de seus alunos. A vítima foi encontrada com todo o sangue extraído de seu corpo. É uma apresentação de cadáver muito peculiar, algo que lhe causa estranhamento e aguça a sua curiosidade. Para caminhar com o processo que, obviamente, enfrenta a descrença da população e das autoridades, ela depende da ajuda de seu companheiro (Dylan Neal) e de alguns alunos que oferecem apoio no processo de investigação. É quando se descobre que os morcegos-vampiros da região sofreram uma mutação absurda e agora partem para os habitantes da cidade com toda voracidade possível, numa promessa de carnificina que não deixará muita gente viva.

Agora, a protagonista e seu grupo terão de levar a investigação até o fim, pois os mamíferos voadores e assustadores se tornam cada vez mais astutos e agressivos, ao passo que a narrativa avança, numa iniciativa que não pode ser gerida pelo verbo recuar. Depois de deixar o ofício de cientista do governo para se dedicar ao casamento e filhos, Maddy Rierdon não contava com um desafio tão assustador em sua jornada como professora universitária das imediações de Nova Orleans. Este é um momento de colocar aplicar as teorias na prática e buscar a sobrevivência de todos, até mesmo dos imbecis que ao longo dos 90 minutos de Morcegos – Assassinos da Noite, atrapalham o desenvolvimento da investigação. Ciência, experimentos, o perfil dramático dos personagens e outras características menores envolvem o filme numa cuidadosa embalagem pop com referências, citações da metodologia da pesquisa e uma atriz lendária no protagonismo.

Diante do exposto, a aventura cheia de momentos de horror é divertida, mas é um filme sobre morcegos assassinos, “aquele” tipo de narrativa que nós geralmente olhamos com desdém, tanto no tema como em sua estrutura. Neste caso, o filme lançado em 2005 não segue o padrão dos monstros bizarros comuns aos produtos Asylum e canal Sci-fi. Vão além, mesmo com todas as limitações orçamentárias de um telefilme, também lançado em DVD. Os efeitos visuais aqui ficaram sob a responsabilidade da equipe comandada por Rick Kerrigan, ainda pouco atraentes, mas sem apresentar as bizarrices comuns aos animais do subgênero, recriados em designs horrorosos. A direção de fotografia de Horacio Marquinez às vezes escure demais as cenas, mas não atrapalha demais. O design de som, gritante, assinado por Robert Webber, anuncia os morcegos constantemente, com sua sinfonia selvagem peculiar, mixada com a trilha sonora de Douglas J. Cuomo, caprichada no MIDI para a construção da atmosfera ideal. Todos os setores funcionam em prol do entretenimento, sem grandes assinaturas, isto é, nada memorável, mas correto em sua promessa de diversão garantida.

Morcegos – Assassinos da Noite (Vampire Bats/Estados Unidos, 2005)
Direção: Eric Bross
Roteiro: Doug Prochilo
Elenco: Lucy Lawless, Dylan Neal, Craig Ferguson, Brett Butler, Jessica Stroup, Robin Hines, Josh Segarra, Tony Plana
Duração: 90 min.

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