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Crítica | Mortal Kombat (2011)

por Iann Jeliel
4401 views (a partir de agosto de 2020)

Ao lado de Street Fighter, Mortal Kombat reina nos jogos de luta desde o lançamento do primeiro jogo, nos anos 90. Infelizmente, a franquia foi perdendo em níveis qualitativos com os anos, principalmente pela bagunça que a história virou e pela modernização da jogabilidade desvinculada das origens, levando a Midway, empresa até então responsável pela franquia, à falência. Pelo potencial que ainda tinha, a Warner adquiriu os direitos dos games e restaurou a Midway, tornando-a NetherRealm Studios, como sua subdivisão oficial para jogos de luta, liderada pelo criador de MK, Ed Bloom. Inspirada pela última parceria de relativo sucesso antes da falência, no caso, o game Mortal Kombat vs DC, o estúdio teve seu primeiro game como uma grande aposta de recomeço da franquia, evoluindo boas ideias trazidas do crossover e aplicadas à dinâmica tradicional de MK, modernizada em parâmetros tecnológicos e narrativos.

A primeira coisa que chama a atenção nesse remake/continuação é a presença do modo história. Algo até então incomum em jogos de luta, ao menos explicitamente, levantado pelo jogo antecessor, ainda muito como uma experimentação, agora se consolida em protagonismo como peça fundamental para o funcionamento do revival. Se antes a história era uma mera desculpa para justificar o crossover, em Mortal Kombat 9 ela possui um planejamento complexo como retcom. Nada do que foi feito antes é exatamente anulado, o início do game continua o fim do último canônico Armageddon, propondo a ele um final que precisa ser mudado na criação de outra temporalidade da narrativa. Dessa forma, o jogo recria os eventos dos três primeiros games – antes, contados somente por narrações, anotações, material bônus ou menções em outras continuações –, valorizando muito mais a formação da mitologia e narrativa particular de cada personagem ali envolto, ao mesmo tempo em que vai criando, através de pontuais e precisas alterações da linha do tempo, sua própria e nova história canônica para a franquia daí para a frente.

Basicamente, para além de um valor cinematográfico, o modo história organiza toda a complexa cronologia da franquia de modo coerente e com escala bem mais grandiosa. Deveras, um grande mérito que não podia ficar de graça. O jogo força o player pelo menos na primeira jogatina a realmente assistir às mais de 5 horas de cutscenes, sem oferecer a opção de pular. No entanto, a montagem entre elas e as inserções de gameplay são muito bem calculadas, trazem uma crescente orgânica que leva o interesse imediato de quem é ou não é o publico-alvo. Além disso, há também um aumento gradual de dificuldade das batalhas, ou seja, a campanha não se vende fácil somente pela narrativa, ela estimula que o jogador busque melhorar suas habilidades enquanto gameplay para que consiga passar de tudo e concluir a história. Para isso, há outros vários setores do game destinados a oferecer tutoriais do básico ao estratégico para que o jogador crie sua melhor forma de jogar, com qualquer um dos personagens disponíveis.

Um dos pontos mais altos é o equilíbrio entre os 27 avatares, todos devidamente bem encaixados na história, tendo a sua própria alternativa revelada na finalização do clássico formato de torneio também disponível (incluindo aí os personagens bônus das versões mais completas), com distintos estilos para diferentes estratégias de jogo, dando um balanço ideal para o competitivo de multiplayer. Nesse aspecto, a otimização da jogabilidade é sublime, movimentos extremamente fluidos, variações de golpes bem criativas, possibilitando uma enorme quantidade de combos diferentes que podem ser criados, inclusive pela mente de cada jogador, o que torna bastante estimulante dedicar um  tempo para treino e aprendizado da mecânica, aumentando a vida útil do game. Outros elementos que colaboram para isso, além do formato de torneio clássico mencionado a ser zerado com cada personagem, é a “Torre dos Desafios”, com 300 challenges diferentes que são muito divertidos de fazer, além de outros mini games como: Test Your Might (apertar o botão o mais rápido possível), Test Your Sight (apertar o botão o mais rápido possível em uma uma frequência específica) e Test Your Luck (lutas com condições aleatórias, as quais tinham suas especificações a depender da formação de um determinado desafio da torre).

Tudo conquistado no game libera criptomoedas que podem ser usadas para liberar conteúdo extra – concept arts, diferentes skins ou combos de cada personagem – na Krypta, um longínquo cenário onde cada cova contém um material a ser liberado com uma quantidade x de criptomoedas. Ou seja, não faltam coisas para se fazer no game, que apesar de ter demasiadas DLC’s, todo seu principal conteúdo é passível de ser liberado dentro do próprio game. Por fim, vale mencionar, já que estamos falando de Mortal Kombat, a violência do game. Não é novidade que a franquia possui um determinado nível de sanguinolência, por vezes até gratuito. É uma marca que a consolidou à frente de Street Fighter, uma violência cartunesca e propositalmente exagerada para se manter entretiva e descompromissada.

Seria fácil, nos recursos da nova geração, cair num terreno propositalmente mais realista a fim de chocar seus jogadores – algo que aconteceu nos jogos seguintes. No entanto, apesar de o gráfico valorizar o rasgar de roupas e as feridas dos personagens dentro da batalha, a estética dos corpos hiperdimensionados (músculos gigantes, peitos maiores ainda), com imaginações anatomicamente impossíveis (Os X-Ray e Fatalities superexplícitos), e a valorização da mitologia como um todo destacam essa violência no lugar em que sempre foi e deveria estar, mais próximo da paródia tarantinesca do que qualquer outra coisa.  Mortal Kombat é isso, uma franquia de luta com o diferencial de ter um riquíssimo e exagerado universo, o qual essa versão de 2011 conseguiu explorar em sua máxima, inovando dentro do clássico, satisfazendo jogadores antigos e atraindo muitos novos. É o auge da franquia e a colocou inquestionavelmente como a mais dominante dessa geração.

Mortal Kombat
Desenvolvedor: NetherRealm Studios
Lançamento: 19 de abril de 2011
Gênero: Luta
Disponível para: Xbox 360, PS3, PC, PlayStation Vita

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19 comentários

yohaw 4 de maio de 2021 - 00:05

apesar de afastado do mundo dos jogos, é bom perceber que o PC está voltando os olhos a velhas categorias de críticas que aconteciam anteriormente. E nada melhor do que representar esse retorno com uma franquia que – novamente – recebeu uma adaptação ruim de doer.

de longe, o MK9 é um dos melhores jogos de luta já feitos, além de representar um novo fôlego a NetherRealm, que depois do 3° jogo claramente esteve perdida em como sair da caixa e continuar agradando seu público – vide o tenebroso Mortal Kombat 4, aqueles gráficos e mecânica de combate, Senhor…

só é uma pena que esse novo universo abordado pela trama foi resetado no 11 com aquela trama fraquinha da Kronika, senti que poderiam trabalhar melhor a premissa.

em resumo, a crítica é bastante verossímil ao espírito que o Ed Bunda sempre trouxe de MK: um enredo sem grandes preocupações em desenvolver uma trama extremamente complexa, apenas fornecendo o cardápio e você decidindo se vai gostar ou não. Até porquê, convenhamos, que jogos de luta não tem um público pela sua trama, e sim pela porrada desenfreada.

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Vinicius Maestá 16 de abril de 2021 - 04:35

Que ótimo poder ver a área de games sendo representada no site novamente! Pretendem se manter constantes com as críticas de jogos? Tô nessa de jogar alguns games novamente agora que tenho uma visão mais crítica e seria bacana poder ir compartilhando essas experiências com vocês que tem um olhar mais apurado e influenciado pelo cinema. É raro achar nesse meio uma galera que traga pensamentos mais críticos e fora da caixa, geralmente analisam muito o aspecto técnico e deixam outros, como a narrativa, de lado.

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Iann Jeliel Pinto Lima 16 de abril de 2021 - 20:16

Eu realmente queria poder fazer críticas de games com mais frequência, por que amo essa área até antes de cinema. Adoraria trazer essa visão mais crítica para apimentar os debates, tentar confrontar mais o público de games que realmente precisam ser mais confrontados.

Contudo, por questões financeiras, me distanciei consideravelmente de jogar. Não tenho um console desde o XBOX 360 e já estamos na geração do X BOX SERIES X. Fora que, o meu último console, o próprio 360, já não funciona mais. Não sou muito de jogar no PC, então real, isso só seria possível de adquirir um novo – o qual pretende ser o PS5, para que essa frequência exista. Mal posso esperar o dia, que quando chegar, será o inicio constante do Plano Gamer!

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Vinicius Maestá 17 de abril de 2021 - 06:52

Essa questão financeira é uma parada que pega mesmo, ainda mais nesse início de geração em que o console custa uma moto. Tenho o PS4, e não sei se você sabe, mas pelo menos as promoção das lojas virtuais fazem bons descontos de jogos a todo momento, então o complicado para nós meros mortais é comprar a máquina mesmo.

Enfim, vou torcer para você poder adquirir um console o quanto antes para rechear o Plano Gamer aí para a gente. Como eu disse, será ótimo ter críticos de cinema fazendo críticas de jogos, pois a galera do meio gamer é bastante crua e caem muito no senso comum quando analisam roteiro e narrativa.

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Iann Jeliel Pinto Lima 17 de abril de 2021 - 16:09

Sim, a questão maior é adquirir a máquina. Os jogos a gente vai pegando um usado ali, outro na promoção acolá. Enfim, torçer para que ainda esse ano dê certo de ter um e iniciar esse Plano Gamer!

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João 13 de abril de 2021 - 21:02

Um ótimo jogo, reinventou a franquia que estava em decadência, pena que estragaram tudo com o 10 e o 11

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Iann Jeliel Pinto Lima 14 de abril de 2021 - 17:44

Não acho que seja tão radical assim. O X é muito bom e o 11 não sei dizer pq não joguei. Mas sim, esse é o melhor jogo de MK!

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João 14 de abril de 2021 - 20:20

Pra mim o início do jogo já mostrando o Scorpion e o Sub-zero apanhando do Johnny Cage foi o cúmulo.

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Iann Jeliel Pinto Lima 17 de abril de 2021 - 16:08

Entendi kkk

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Guilherme Gomes 12 de abril de 2021 - 08:50

Boa a crítica! Mesmo sendo feito em 2011, talvez o que tenha mais chamado a atenção seja os gráficos ( para a época) e o modo história que é realmente muito boa. MK é uma franquia que sabe se reinventar, principalmente se observarmos o seu jogo mais atual. Infelizmente, nunca cheguei a jogar esse jogo, mas vi bastante gameplays ( principalmente as de modo história), e sempre me trouxe interesse, e essa crítica apenas reforçou isso kkkk. Já está na minha lista!
Abraços,
Guilherme.

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Iann Jeliel Pinto Lima 12 de abril de 2021 - 11:17

Depois do 9 entrou o caminho pra mais reinvenções. Não cheguei a jogar o 11, mas o 10 é bom também, ainda que abaixo desse.

Recomendo muito que busque jogar esse 9, até hoje, acredito que tenha envelhecido bem.

Abs!

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Thomaz Carvalho 11 de abril de 2021 - 20:11

Eu sempre falo com meus amigos que MK é a melhor franquia de luta, não por ter necessariamente os melhores jogos, mas por ter sobrevivido tanto tempo, se adequando. Esse jogo é a prova viva, realmente uma obra prima que elevou a história da franquia. Adorei a crítica

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Iann Jeliel Pinto Lima 12 de abril de 2021 - 11:15

É minha favorita com a alguma sobra, principalmente por conta desse jogo. Foi uma das grandes reinvenções de franquia da história dos games!

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Iann Jeliel Pinto Lima 12 de abril de 2021 - 11:15

É minha favorita com a alguma sobra, principalmente por conta desse jogo. Foi uma das grandes reinvenções de franquia da história dos games!

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Luiz Lima 11 de abril de 2021 - 15:43

Eita rapaz, que saudade da época que lançou esse jogo. Eu não jogava a sério um MK desde o Ultimate para o Super Nintendo (joguei muito o Shaolin Monks para o PS2, mas era um MK diferente), aí quando saiu esse foi uma expectativa monstruosa. Tinha dia que varava a madrugada jogando no modo online dele com uns amigos.

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Iann Jeliel Pinto Lima 11 de abril de 2021 - 17:25

Puts, nem fale. Não joguei tanto online (nunca fui tão fã de mutiplayer), mas nesse caso, passei algumas horinhas da minha vida. Jogava muito de Raiden e Smoke. Era competitivo pra caramba. Bons tempos desse inicio de geração.

Falando em Shaolin Monks, talvez traga critica dele também.

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Luiz Lima 12 de abril de 2021 - 14:53

Já tem meu apoio caso for fazer do Shaolin Monks. Foi fácil um dos jogos mais divertidos que eu tive no PS2… mal terminava ele e já começava de novo. No caso do MK, eu te acompanho na escolha do Raiden, mas no lugar do Smoke eu usava muito o Ermac e de vez em quando até o esquecido Stryker…kkkkkkkkkkkkkkkkk

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Iann Jeliel Pinto Lima 12 de abril de 2021 - 18:47

Ermac era muito apelão, gostava de não jogar contra ele não ahsahsha

Também sabia jogar de Striker, Liu Kang e Scoorpion.

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Flavio Batista Dos Santos 14 de abril de 2021 - 19:24

Faz a critica de Shaolin MOnks, por favor. Q jogo sensacional.
Historia e gameplay incriveis

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