Home FilmesCríticas Crítica | Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion

Crítica | Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion

por Ritter Fan
395 views (a partir de agosto de 2020)

A longeva e lendária franquia de videogames Mortal Kombat criada pela Midway Games em 1992 já gerou uma infinidade de obras derivadas nas mais diversas mídias. Apenas no audiovisual, foram dois longas live-action, uma série animada e duas séries live-action, a segunda delas já sob os auspícios da Warner Bros., que adquiriu a propriedade em 2009. Um pouco mais de 10 anos depois, portanto, a WB, pródiga na produção de longas animados para os personagens da DC Comics, parece ter decidido seguir o mesmo caminho com a franquia, o que parece uma escolha perfeitamente lógica.

Dirigido por Ethan Spaulding, que já trabalhou nessa cadeira para a Warner/DC em O Filho do BatmanBatman: Assalto em ArkhamLiga da Justiça: Trono de Atlântida, não tenta reinventar a roda visualmente e trabalha com traços e movimentações em computação gráfica que fazem a mímica da qualidade recente dos longas animados dos super-heróis da produtora, ou seja, algo que fica ali na linha mediana, sem grandes arroubos técnicos. No entanto, o que diferencia esse primeiro capítulo de Mortal Kombat Legends é o que diferenciava a franquia de games em sua origem e que levou à auto-regulamentação dos jogos nos EUA: a violência extremamente explícita. Nesse quesito, a equipe técnica esmerou-se no banho de sangue, normalmente por intermédio de punhos ou do uso de instrumentos cortantes, com direito à muita câmera lenta para os famosos fatalities (que são orgânicos à animação, ainda bem), além de um bem-vindo efeito de raio-x, digamos assim, que permite que o espectador veja o efeito da pancadaria nos ossos, músculos e órgãos dos lutadores. E o melhor é que Spaulding não exagera nesse artifício, deixando-o quase como uma exclusividade de Scorpion, mesmo que as lutas sejam uma constante nos 80 minutos da animação.

Como o título deixa bem claro, o mote do roteiro de Jeremy Adams é a vingança de Scorpion, ou Hanzo Hasashi (Patrick Seitz) como o vemos no excelente e muito gráfico preâmbulo que lida com o extermínio de seu clã e sua própria morte seguida de renascimento como o lutador místico e famoso dos jogos. Tudo o que gira em torno de Scorpion, apesar de ser uma estrutura clichê de busca de vingança, funciona muito bem, aliás, até mesmo quando ele é levado para competir no Mortal Kombat, algo que não se encaixa perfeitamente à história que estava sendo contada, mas que, claro, é todo o objetivo da animação.

De certa forma, Adams não consegue trazer o torneio para seu roteiro de maneira fluida e isso afeta profundamente a direção de Spaulding que trata dessa linha narrativa quase que completamente em paralelo, sem saber muito bem equilibrar o lado pessoal de Scorpion e sua sede de sangue contra Sub-Zero e a existência de um evento místico de lutas entre seres dos mais variadas universos em uma ilha interdimensional. Isso fica ainda mais claro na medida em que os demais personagens clássicos dos games são apresentados, com todos eles caindo de para-quedas na animação sem maiores explicações, especialmente Liu Kang (Jordan Rodrigues), Sonya Blade (Jennifer Carpenter) e Johnny Cage (Joel McHale), permanecendo como coadjuvantes de luxo.

Aos que não se importam por desenvolvimento de personagens ou por roteiros coesos, Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion será um maná dos deuses, mas quem quiser um pouco mais do que apenas pancadaria divertida não encontrará aqui. Na verdade, até mesmo as lutas envolvendo Kang, Blade e Cage são apenas razoáveis, novamente reiterando o ponto acima: os combates em si ficam à margem da história de Scorpion. Afinal, é esse personagem que não só é o único a ganhar desenvolvimento, com ele também é brindado com os melhores embates. Teria sido muito mais honesto se o subtítulo da animação fosse o foco único do trabalho de Spaulding e Adams, já que o restante fica parecendo exatamente o que é, perfumaria.

Os trabalhos de voz do elenco merecem comenda, porém. Patrick Seitz, que já fizera a voz de Scorpion em Mortal Kombat vs. DC Universe, Mortal Kombat (2011) e Mortal Kombat X, retorna para seu personagem e é o grande destaque aqui não só pela atenção dada ao herói/anti-herói (seja lá o que ele for exatamente), como também pela qualidade e imponência de sua vocalização, mesmo quando ele fica apenas em sons guturais de raiva incontida. Logo atrás, vem o sempre ótimo comediante Joel McHale como o irritante, mas levemente engraçado, Johnny Cage, que acha que está em um set de filmagens por boa parte da animação. Carpenter e Rodrigues também estão bem em seus respectivos papeis, assim como os demais dubladores em papeis menores como Dave B. Mitchell como Lorde Raiden e Artt Butler como Shang Tsung.

Prometendo descaradamente uma continuação que faria muito bem se equilibrasse melhor a importância de seus personagens e do próprio torneio mortal, Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion, mesmo com seus evidentes problemas, até que não é um começo desapontador para uma eventual série de longas animados. Resta só esperar que a Warner invista mais nessa empreitada, mas sem deitar nos louros e sem repetir uma estrutura única que pode até funcionar em games, mas que não se sustenta por muito tempo no audiovisual.

Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion (Mortal Kombat Legends: Scorpion’s Revenge, EUA – 2020)
Direção: Ethan Spaulding
Roteiro: Jeremy Adams (baseado em videogame criado por Ed Boon, John Tobias)
Elenco: Patrick Seitz, Steve Blum, Jordan Rodrigues, Darin De Paul, Joel McHale, Jennifer Carpenter, Artt Butler, Robin Atkin Downes, Dave B. Mitchell, Ike Amadi, Kevin Michael Richardson, Grey Griffin, Fred Tatasciore
Duração: 80 mim.

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32 comentários

Jordison Francisco 20 de fevereiro de 2021 - 00:54

não esperava que seria a melhor adaptação de um game para outra mídia. Eles cumpriram com perfeição a frase “Eu sou fã quero service”. O principal defeito é ser curto demais. Por mim já pode virar um seriado.

Essa animação consegue resumir o filme dos anos 90, acrescenta e recria algumas coisas bacanas quais não tem lá, e tudo isso ainda fica com menor duração que a direção noventista.

O filme é bom porque ele traz tudo o que os jogos possuem: violência visual, muito sangue, lutas interessantes e dinâmicas e um foco legal nos personagens. Difícil alguém que seja fã dos jogos não sentir um pouco de nostalgia e empolgação assistindo. Ainda termina com gosto de quero-mais, então espero que venham umas sequências bem legais por aí. A animação é boa, tem um começo bem empolgante, visceral e muito sanguinolento, após vai ficando para os fãs adorarem.

Estranhei só algumas escolhas estéticas. A câmera tremida e cortes rápidos me incomodaram em certos momentos. Entendo que pode ter sido pra emular os filmes de ação atuais, agora isso normalmente é usado em filme pra esconder coreografias ruins e falta de habilidade dos atores, não tem motivo colocar em uma animação. A coisa toda das terras, dominação decidida por combate, em fim, vamos vendo personagens clássicos atrás do outro, outro ponto negativo para mim são os traços quadrados.

O tal torneio é bem bobo, né? Além de concordar com o Johnny Cage que a existência do mundo humano ficar nas mãos de um combate de artes marciais não fazer sentido, também incomoda que cada um tem só uma luta e pronto? Porque, se fossem seguindo sem interrupções, quais seriamos outros desafios? Parece que sempre forçam para esse lado para ficar mais próximo do videogame, e dava para criar um roteiro mais interessante porque não tem sentido se prender a um torneio quando a gente sabe que os personagens já vão ter que combater até a morte em algum momento, afinal algo muito grande depende disso. Exageraram nas palhaçadas do Jhonny Cage também, sei que o personagem é assim agora ficou cansativo, podiam ter dado uma segurada.

Eu preferia que o próprio sub zero tivesse matado o clã e a família do scorpion a mando do quan chi, porque do jeito que ficou o sub zero meio que morreu sendo inocente.

Para gamers, fãs e aprofundados conhecedores da historia, valeu pelo começo da história.

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planocritico 20 de fevereiro de 2021 - 00:54

O problema da animação é justamente ter apagado o torneio e focado no Scorpion. Ou era uma coisa ou outra, não as duas coisas juntas.

Abs,
Ritter.

Responder
SUPRAMATY 30 de abril de 2020 - 20:43

Eles encheram muita lingüiça e esqueceram que o torneio é que precisa ter mais foco senão os games não fazem tanto sentido. É surreal demais perceber que eles começaram uma história que começa bem simples, porém com o passar dos anos tentaram aprofundar mais com personagens vindo do submundo e/ou retornando. No fim virou uma massaroca que na hora de uma animação eles tem tanto material e pouco espaço para retratar tudo num roteiro. Mas como escreveram antes, pode ser apenas um teste para ver se estão chegando perto do que querem dar aos fãs com o próximo filme.

Sugestão: uma critica a respeito do desenho e adaptação Aeon Flux.

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planocritico 1 de maio de 2020 - 00:47

Eu achei que eles ficaram no meio termo. Resolveram fazer uma história do Scorpion que “por acaso” tem um torneio. Deveriam ter ficado em uma coisa ou outra.

Abs,
Ritter.

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Carlos Lopes 22 de abril de 2020 - 14:06

Scorpion mesmo não sendo o principal da franquia e sem dúvidas o mais usado pelos jogadores. Qnd jogava MKI e MKII nos fliperamas 70% das jogatinas eram de Scorpion, depois Sub-Zero e bem longe os outros. Liu Kang pode ser o escolhido pra salvar a Terra, mas no jogo, vc vai escolher um ninja amarelo com arpão ou um carinha sem camisa que fica gritando igual uma galinha?? Acho que foi pra agradar a velha guarda de MK

Responder
Carlos Lopes 22 de abril de 2020 - 14:06

Scorpion mesmo não sendo o principal da franquia e sem dúvidas o mais usado pelos jogadores. Qnd jogava MKI e MKII nos fliperamas 70% das jogatinas eram de Scorpion, depois Sub-Zero e bem longe os outros. Liu Kang pode ser o escolhido pra salvar a Terra, mas no jogo, vc vai escolher um ninja amarelo com arpão ou um carinha sem camisa que fica gritando igual uma galinha?? Acho que foi pra agradar a velha guarda de MK

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Miguel Martins 21 de abril de 2020 - 18:31

Eu sei que foge um pouco, mas acha que um livro sobre a saga de Mortal Kombat, seria mais aceito como adaptação do que o áudio visual?

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 20:31

Acho que MK é muito visual demais para funcionar direito em livros. Eu sei que fizeram um livro do primeiro jogo e dos dois filmes live-action, mas nunca li.

Abs,
Ritter.

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Kakaka 23 de abril de 2020 - 02:47

vc sabe dizer qual o nome do livro?

Responder
planocritico 26 de abril de 2020 - 18:05

É Mortal Kombat mesmo.

Abs,
Ritter.

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Camilo Lelis Ferreira da Silva 21 de abril de 2020 - 15:48

(…) Prometendo descaradamente uma continuação que faria muito bem se
equilibrasse melhor a importância de seus personagens e do próprio
torneio mortal(…)
“.
Eu penso que esta Animação (Mortal Kombat: A Vingança de Scorpion), seja um sinal para a chegada de algo que os fãs vêm pedindo a muito tempo, mas de um jeito nada esperado: um longa animado de “Mortal Kombat: Shaolin Monks”, famoso Beat-up protagonizado por Liu Kang, Kung Lao, Johnnu Cage e Jax.

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planocritico 21 de abril de 2020 - 16:08

As portas, agora, foram abertas. Tudo pode acontecer.

Abs,
Ritter.

Responder
Wies e thal 22 de abril de 2020 - 15:49

Já que abriram, podiam fazer também Deuses entre nós

Responder
Alex Fonseca 21 de abril de 2020 - 13:22

Ritter, quais suas expectativas em relação ao longa que deve sair ano que vem?

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 14:06

Não tenho nenhuma, para ser sincero. Acho muito difícil adaptar um game de lutas para o formato de um filme que não acabe sendo um videogame passivo. Mas tomara que seja bacana!

Abs,
Ritter.

Responder
Alex Fonseca 21 de abril de 2020 - 14:37

Verdade. Pelo menos, o material que saiu até agora, é animador. Além do mais, James Wan é um nome que me agrada.

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 15:23

Mas ele é só produtor até onde sei.

Abs,
Ritter.

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Camilo Lelis Ferreira da Silva 21 de abril de 2020 - 15:48

Se for no Nível “MORTAL KOMBAT: REBIRTH/LEGACY” do Machinima, então deve ficar muito bom…

Responder
Junito Hartley 21 de abril de 2020 - 11:40

Eu achei o filme muito bom, gostei da quantidade de violência mostrada afinal estamos vendo uma história de mortal Kombat, só não curti muito o quão rápido foi o torneio. E achei as partes do Jonny cage engraçadas hehe

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 14:06

Justamente meu ponto: o torneio é a side story do filme, que foca na vingança de Scorpion.

Abs,
Ritter.

Responder
O Gambit dos x-men 21 de abril de 2020 - 11:01

Finalmente! obrigado Plano Crítico!

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 14:06

Mas o que você achou do filme?

Abs,
Ritter.

Responder
O Gambit dos x-men 21 de abril de 2020 - 14:32

Eu gostei do filme! Eu gostei dos personagens, eles são interessantes(em especial o Jhonny Cage pois ele me representa kkkk) A mitologia criada neste filme é interessante mas eu não sentir que ela foi bem explorada como deveria, a trama é bem simples mas ela é executada de maneira competente, achei estranho o fato do filme ser do Scorpion, mas enfim..eu achei ele um filme bom, nada de muito excelente, mas também comparado a certos filmes da franquia – cof cof mortal kombat 2 cof cof – esse é o melhor filme da franquia e também é uma excelente porta de entrada para novos fãs assim como eu!

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 14:32

Também gostei do filme. Bem mais do que achava que iria gostar. E pode até ter sido estranho o filme ser do Scorpion, mas tudo o que girou ao redor dele acabou sendo as melhores partes da animação. O torneio em si foi bem fraquinho…

Abs,
Ritter.

Responder
O Gambit dos x-men 21 de abril de 2020 - 14:32

Concordo!

Rafaella Reis Tavares 21 de abril de 2020 - 20:47

Eu to achando que que caso o filme faça sucesso, eles investem em uma sequencia e eles se aprofundam no que foi apresentado no filme.Caso saia sequencia,ela deve ser baseada no 2 do original trazendo a invasao de Shaun Khan.

planocritico 22 de abril de 2020 - 02:52

Pode ser!

Abs,
Ritter.

O Homem do QI200 21 de abril de 2020 - 09:58

Achei foda demais, violento e sanguinolento como eu gosto. A cada fatality, reagia que nem o poema dor suburbana do Junior: matar, socar, esfaquear, sangrar. Só um porém: queria ter visto mais do Sub-Zero.

E sim, só queria ver a porrada comendo.

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 14:13

Entendo, mas porrada boa mesmo só com o Scorpion. O resto foi firula…

Abs,
Ritter.

Responder
Beto Magnun 21 de abril de 2020 - 05:26

Nesses tempos difíceis inventei de assistir essa animação afim de conseguir um pouco de diversão boba.
A trama teria fluído melhor se não tivesse enfiado o Liu Kang e cia no meio. Ou não…
Nem as lutas me agradaram. O recurso do “raio-x” é divertido quando estamos jogando, mas nesse ficou algo bem “zack Snyder”: muito, mas muito slow motion. Chaaaaato.
Compensa mais ver os cinematics do MK 11 no youtube.

Responder
planocritico 21 de abril de 2020 - 14:13

Exato. Apesar de ser inevitável mostrar o torneio, o roteiro não soube equilibrar isso com a história muito mais interessante de Scorpion. Mas não achei chato não!

Abs,
Ritter.

Responder
SUPRAMATY 30 de abril de 2020 - 21:42

O único erro que eles insistiram em colocar, foi o Johnny Cage sendo o alívio cômico. Na adaptação de 1995 que não foi lá grandes coisas, mas é parte da nostalgia de muitos, o personagem em si é chato.

Não há nenhum mal em ter um pouco de piada, mas do jeito que fizeram chega a ser muito ridículo pela situações em que ele está inserido.
Dai para piorar tem a cena deles sentado ao redor de uma fogueira e tranquilos (vamos pessoal, é forçado demais) e dois minutos depois ele larga “Estamos ferrados”. Achei muito deslocado com as tramas.

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