Crítica | Mothra 3: O Ataque de King Ghidorah (1998)

Rebirthmothraiii Mothra 3 plano critico

Última parte de uma trilogia de qualidade descendente, iniciada com Renascimento de Mothra (1996) e continuada por Mothra 2: A Batalha Submarina (1997), este Mothra 3: O Ataque de King Ghidorah (1998) é o tipo de história que tinha tudo e mais um pouco para ser no mínimo inteiramente divertida, mas só consegue esse efeito em poucos minutos da projeção, muito por conta do roteiro absurdo de Masumi Suetani, que provavelmente achou que qualquer colocação de viagem no tempo, sem a mínima preocupação de que isso fizesse sentido para a história, tornaria o filme melhor. Spoilers: não tornou.

De benéfico em relação à obra, podemos dizer que seu início impressiona muito pela diferença em relação aos longas anteriores da trilogia e pela forma como coloca o grande problema em cena. Belvera está de volta, agora com outra versão de seu Garugaru, a melhor delas na saga, e sua ideia inicial parece algo interessante, acenando para uma possibilidade de explorar a mitologia do povo Elias — ou é assim que o espectador pensa nesses primeiros minutos. Ao mesmo tempo, o núcleo humano também é apresentado e, novamente, temos uma excelente representação de uma família, sendo as crianças o centro da narrativa, sempre com uma nota de aprendizado moral. Aqui, porém, não se trata de uma lição ecológica, como nos outros filmes. O filho mais velho da família parece ter algum problema na escola ou algo parecido com Síndrome do Pânico, que o impede de frequentar as aulas (se vocês entenderam algo diferente, por favor, digam nos comentários).

Pensando nessa relação de fortalecimento dos laços entre as famílias e de uma lição de superação para um garoto, o texto basicamente segue com a apresentação do vilão (King Ghidorah) em mais uma ação de Belvera que não demora muito para se arrepender do que fez. E eis aqui o grande problema da obra. Para fechar o ciclo apresentado no filme de 1996, o texto mantém a irmã malvada fazendo coisas que antagonizam as protetoras dos rituais de Mothra. O problema é que o vilão da vez é forte demais, exige muito poder de fogo (e mais o absurdo da viagem no tempo) para ser vencido, logo, não precisa ser um gênio para entender que a premissa de um “fechamento de ciclo” acaba fazendo pouco ou nenhum sentido no meio da bagunça toda.

E como se não bastasse, temos um Ghidorah genérico, com um som que não é o dele e com habilidades difíceis de processar, como a criação de uma redoma viva que aparentemente serviria para estocar comida (só crianças, vale dizer) para uma futura refeição. Como os efeitos do longa são majoritariamente ruins, tudo o que o diretor inventa de mostrar em termos de “ataque” dessa redoma, com seus tentáculos estranhos, acaba falhando. E o mesmo ocorre com o sequestro das crianças, que são teletransportadas para dentro da tal redoma. Claro que em termos de direção de arte, o local é incrível. Aliás, os setores técnicos desse filme muitas vezes nos fazem esquecer o horror do argumento que se desenvolve na tela. O design para todas as Mothras que aparecem aqui (Rainbow Mothra, Light Speed Mothra, Armor Mothra e Eternal Mothra) são muito bons, assim como a construção para os ambientes interiores, em todos os espaços do filme.

Destaque também para os figurinos, que já impressionam pela forma como mostra uma Belvera extremamente elegante, meio gótica, e segue na mesma linha com a reintrodução de Moll e Lora, que tem lá os seus momentos de vergonha alheia, mas pelo menos os figurinos delas estão bons. Embora as justificativas do roteiro sejam imensamente vergonhosas em diversos pontos, existem algumas momentos aqui que nos fazem arregalar os olhos (bom, isso acontece na sequência do Cretáceo também, mas por outros motivos…) e aproveitar, mesmo que por alguns segundos, a briga entre os kaiju da vez. Todavia, não estamos diante de um encerramento louvável para a trilogia dos filmes de Mortha nos anos 90.

Mothra 3: O Ataque de King Ghidorah (Mosura 3: Kingu Gidora Raishu) — Japão, 1998
Direção: Okihiro Yoneda
Roteiro: Masumi Suetani
Elenco: Megumi Kobayashi, Misato Tate, Aki Hano, Atsushi Ohnita, Tsutomu Kitagawa, Kôichi Ueda, Sayaka Yamaguchi, Shirô Namiki, Miyuki Matsuda
Duração: 99 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.