Crítica | Motoqueiro Fantasma Cósmico Destrói a História da Marvel

Inventado por Donny Cates em Thanos Vence, o amalucado e super-poderoso Motoqueiro Fantasma Cósmico ganhou uma minissérie solo em 2018 e, agora, em 2019, ganhou uma segunda que leva um daqueles títulos espalhafatosos normalmente de bobagens da Marvel Comics, mas que é continuação razoavelmente direta da primeira. Aqui, Frank Castle (se você não sabe como Castle tornou-se o Motoqueiro, então leia o começo de minha crítica anterior, em que eu explico a sandice), que ficara no passado remoto, aguarda alguns milhares (ou centenas) de anos até a véspera do dia em que sua família é massacrada para contactar Maria e seus dois filhos, fingindo ser seu próprio tio, Fredo, algo que  sua esposa aceita com a maior naturalidade do mundo, mesmo considerando que o Frank do presente (ou do passado, depende de como você quiser contar o tempo) está fora de casa. O objetivo é um só: impedir os assassinatos e que, portanto, ele se torne o Justiceiro.

No entanto, os roteiristas Paul Scheer e Nick Giovannetti infelizmente usam essa premissa banal não para fazer como Cates e trabalhar o potencial enlouquecido do personagem, mas sim para recontar grandes momentos da história do Universo Marvel sob o ponto de vista do Motoqueiro Fantasma Cósmico que, aparentemente, deu uma mãozinha aos super-heróis em todos eles, começando na Segunda Guerra Mundial com o Capitão América e o Comando Selvagem, passando pela origem do Quarteto Fantástico e o primeiro enfrentamento de Galactus na Terra, um pot-pourri do Homem-Aranha, um pouco dos Vingadores originais e dos X-Men durante as sagas da Fênix e da Fênix Negra. Cada edição é dedicada a Frank – como Fredo – recontando suas aventuras como o ser cósmico para seus filhos e, depois, a ele mesmo mais novo, para criar uma conexão com sua família perdida, para absoluto desespero do Vigia que observa tudo sem saber o que fazer e morrendo de raiva da bagunça temporal que o Castle do futuro alternativo está fazendo.

Inicialmente, o texto é cansativo e pouco original, com diálogos demais e ação de menos, com apenas a história no presente/passado entre Frank/Fredo e sua família merecendo mais do que uma sobrancelha levantada. Depois, com a chegada do Frank da linha temporal correta, a coisa fica um pouco melhor, com os roteiristas saindo do torpor na edição #4 e escrevendo a história do Motoqueiro Fantasma Cósmicos com o Capitão América e o Comando Selvagem como uma divertida adaptação de Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, com direito a piadas com não saber falar outra língua que não o inglês e o Caveiroso sendo utilizado como o Urso Judeu de Eli Roth.

(1) O Motoqueiro sendo possuído pela Força Fênix no lugar de Jean Grey e (2) Castle contra Castle.

Na edição #5, outro momento inspirado, com uma brevíssima adaptação da sequência de Os Supremos, Vol. 1, em que o Gavião Arqueiro e a Viúva Negra infiltram-se em um prédio comercial tomado por alienígenas disfarçados de humanos. A gozação no estilo Deadpool é evidente e consegue segurar-se razoavelmente bem, ainda que o humor seja inevitavelmente repetitivo como o Mercenário Tagarela.

Seja como for, o encerramento da história, que coloca o Vigia, completamente enlouquecido, tentando parar Frank Castle a todo custo é o ponto alto da história. Uatu nunca foi tão… digamos… assertivo em sua atitude e vê-lo literalmente perdera as estribeiras finalmente trouxe aquele sorriso ao meu rosto que estava ausente desde o começo dessa minissérie. É mais do que evidente que a ausência de Donny Cates fez-se sentir aqui, pois faltou aquele nível de sandice bem escrita que o autor sempre trouxe à sua criação e a basicamente todos os personagem que vem escrevendo recentemente, vide Venom. Scheer e Giovannetti até conseguem estabelecer bem a narrativa principal, mas ela poderia ter sido desenvolvida em bem menos do que as seis edições que compõem a minissérie, já que pelo menos metade é tomada de fillers razoavelmente desinteressante que repetem a mesma premissa: o Motoqueiro sempre ajudou – de seu jeito, claro – os heróis ao longo de toda a história do Universo Marvel.

Infelizmente, a arte contou com três artistas no lápis trazendo três estilos diferentes em edições alternadas. Lendo todas em uma sentada só, as diferenças artísticas são sensíveis e potencialmente afastam o leitor da imersão necessária, ainda que Gerardo Sandoval, Todd Nauck e Nathan Stockman, separadamente, tenham estilos que me agradam, com o primeiro privilegiando a “super-deformação” dos personagens, o segundo focando em uma arte mais clássica e “super-heróica” e, finalmente, o terceiro com uma pegada mais cartunesca.

Como disse na crítica da primeira minissérie solo do Motoqueiro Fantasma Cósmico, o personagem parece-me ser aqueles de uma tecla só e essa segunda mini prova isso. Mas é claro que um roteiro mais azeitado e mais cuidadoso ainda poderia ter extraído coisa boa do personagem sem fazê-lo necessariamente repetir constantemente seu jeito ruidoso de ser. Mas, mesmo com diversos problemas, há material interessante para ser achado aqui, como em uma procura de tesouros e referências da história do Universo Marvel.

Motoqueiro Fantasma Cósmico Destrói a História da Marvel (Cosmic Ghost Rider Destroys Marvel History, EUA – 2019)
Contendo: Cosmic Ghost Rider Destroys Marvel History #1 a 6
Roteiro: Paul Scheer, Nick Giovannetti
Arte: Gerardo Sandoval (#1), Todd Nauck (#2, 4 e 6), Nathan Stockman (#3 e 5)
Arte-final: Victor Nava (#1)
Cores: Antonio Fabela (#1, 2, 3, 4 e 6), Rachelle Rosenberg (#3 e 5)
Letras: Travis Lanham
Capas: Gerardo Zaffino
Editoria: Lauren Amaro, Darren Shan, Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 06 de março a 07 de agosto de 2019
Páginas: 141

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.