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Crítica | Mr. Robot – 3X06: eps3.5_kill-pr0cess.inc

por Luiz Santiago
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SPOILERS! Leia a crítica para as temporadas e episódios anteriores aqui.

Considerar as muitas variantes de uma situação quando se está em um momento de crise não é algo fácil para ninguém. Elliot que o diga. Neste sexto episódio da temporada o personagem segue em uma intensa luta consigo mesmo, buscando resolver um problema que ele mesmo causou e que sua outra parte pretende manter. Mas como sempre, nessas ocasiões, nada é fácil de ser conseguido e muitas forças contrárias à vontade de Elliot estão fazendo os seus movimentos particulares, muitos deles ainda com intenções obscuras.

Escrito Kyle Bradstreet, atual produtor executivo da série (e que também assinou eps3.3_m3tadatapar2) o episódio equilibra momentos diferentes de personagens no passado e no presente, colocando o plano central da temporada em execução. Primeiro temos um aprofundamento familiar para Angela, na macabra “festa de despedida” de sua mãe, no momento em que resolveu parar de fazer o tratamento para o câncer. A impessoalidade versus a culpa que ela nos mostrou quando adulta contrastam com este momento e nos fazem entender as raízes de sua personalidade forte e inconformada, mostrando que a Angela aparentemente calma que vimos no início da série era apenas uma faceta secundária da verdadeira Angela. Seu encontro com Elliot e a breve conversa sobre o que ela estava fazendo no prédio, no meio da confusão, termina de maneira inesperada. Ela conseguiu magoar Elliot, que pela segunda vez — mas não a última, em pouco tempo — percebe-se manipulado.

Utilizando-se de uma câmera e planificação descritivas, com planos estabelecidos para mostrar os personagens integrados ao espaço e não separados dele (o oposto do que majoritariamente se vê na série. A direção de Sam Esmail sempre buscou o padrão de estranheza para os personagens, colocando-os no canto dos planos, utilizando-se de ângulos imprecisos para causar desconforto e indicar dissociação do indivíduo com o espaço, além de perturbações emocionais), o diretor consegue rapidamente um efeito de pertencimento e dificuldade de deslocamento. Tomando como base todas as deixas do roteiro, Esmail ressalta a importância da localização das coisas e pessoas, dando início a um McGuffin que tem fortes raízes no ato com Dom, Darlene e Santiago, o agente duplo.

A Fase 2 parece ser um problema que Elliot tem que contornar e a corrida contra o tempo junto à importância da localização nas cenas com os agentes e envolvidos com o FBI tornam tudo ainda mais angustiante. O espectador passa a torcer para o seu lado favorito da moeda (isso quanto não torce ora por um, ora por outro) à medida que elementos adicionais da trama são elencados, como o excelente encontro do Ministro Zhang com Phillip Price, o movimento “à margem da ordem recebida” de Dom e a longa jornada de Elliot para boicotar a explosão do prédio, um dos maiores embates dele com o Sr. Robô. Entramos em um loop improvável, com o protagonista lutando consigo mesmo para ter controle — ou ajudar a criar — uma situação. O interessante de tudo isso é que o roteiro joga tanto do lado da nossa expectativa, lançando mão das dicas fotográficas, da direção de arte e da trilha sonora, quanto da genuína surpresa, que  funciona perfeitamente bem porque usa dos mesmos ingredientes da construção regular do capítulo, subvertendo-as no final. É simplesmente genial a manipulação de informações feitas aqui.

O ciclo dá espaço a um outro modelo de andamento das coisas. E nesse vácuo ocorre o plano oculto de todos nós, ancorado na ideia de ponto crítico (ou único) de falha, determinando um local em um sistema que, se der algum tipo de problema, fará com que todo o sistema falhe. Elliot se mantém fechado na ideia de salvar o prédio em Nova York, achando que este era o ponto crítico da Fase 2. Mas na verdade, o ponto crítico era ele próprio. O personagem não conseguiu ver o plano inteiro. Ponto para Whiterose, que agora tem o Congo anexado à China e a aparentemente tem a E-Corp aos seus pés.

O futuro acabou de começar para o Universo de Mr. Robot.

Mr. Robot – 3X06: eps3.5_kill-pr0cess.inc (EUA, 15 de novembro de 2017)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Kyle Bradstreet
Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Portia Doubleday, Bobby Cannavale, Christian Slater, Michael Cristofer, Martin Wallström, Grace Gummer, BD Wong, Sakina Jaffrey, Omar Metwally, Grant Chang, Julia Crockett, Rizwan Manji
Duração: 45 min.

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23 comentários

Italo Cardoso 26 de novembro de 2017 - 12:20

A cada episódio eu termino e fico “preciso falar com alguém sobre esse EP!!’. Ai a únicas duas pessoas q eu assisto ainda não viram.. ai aumenta mais aflição por não poder externar tamanha qualidade a cada episódio dessa temporada.

Sério mesmo… A qualidade vem numa crescencia que meu Deus!
White Rose… Octopus de toda a trama!

Creio q Mr Robot será como Breaking Bad. Chegando nos finalmente vai submergir para o mainstream e se tornar queridinha.

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Luiz Santiago 26 de novembro de 2017 - 12:26

Eu também passo por esse perrengue de não ter com quem falar, porque ou meus amigos estão atrasados ou não assistem a série hahahahhaha. Sorte que eu tenho vocês pra trocar ideia sobre essa maravilha. E a cada semana que passa essa variedade de coisas, personagens e dominação acontecendo. É de pirar completamente!

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PerTodoSeu 20 de novembro de 2017 - 23:11

Elliot é foda, mas eu não consigo não torcer pelo caos hahaha. Eu esperava por alguma torre vindo abaixo, sendo mostrada ao fundo de algum dos personagens, como da Ângela ou Darlene. Ah, e como não torcer e amar a Darlene? Minha personagem favorita nesta série.

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Luiz Santiago 20 de novembro de 2017 - 23:15

Eu confesso que eu fico completamente em conflito na hora de torcer para um ou outro lado! Essa série mastiga minhas posturas morais! ahhahahahha

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Lucas Rodrigues 19 de novembro de 2017 - 22:36

Sem muitas palavras pra descrever, só posso dizer uma coisa: uma obra prima.

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Luiz Santiago 19 de novembro de 2017 - 23:11

Essa série tira as palavras mesmo! E o futuro já começou no show! ahahha

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Allisson Ventura 19 de novembro de 2017 - 15:36

E meu comentario foi excluido, obrigado.

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Luiz Santiago 19 de novembro de 2017 - 21:30

Como assim?

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Cesar 18 de novembro de 2017 - 23:48

Que season impecável! Comecei essa temporada numa desconfiança danada, quase largando a série, mas, 6 put@ episodios incriveis, e ja a considero uma das melhores temporadas do ano (o que nao é pouca coisa diante tanta serie boa esse ano). 45 minutos nao estao sendo suficientes, passa voando, fico olhando o relogio o tempo todo torcendo pra nao acabar.

Eu juro que começei a xingar quando o plano do Elliot tina dado certo, nao tava acreditando que o Esmail viria com uma saida facil dessas, e ai vem o show, adeus E corp, e meu sorriso vai de orelha a orelha. Salve White Rose!!

E aquele de volta para o futuro no inicio? O Esmail ta brincando com a gente ou vem sci-fi mesmo? Estranhamente depois desse episodio eu desacreditei um pouco, espero que eu esteja errado.

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Luiz Santiago 19 de novembro de 2017 - 21:40

O mais foda é que os caras consegue fazer tudo isso em 45 minutos e sem apelar pra um monte de bobagem, sabe. É entretenimento, é coisa pra pensar, é drama de verdade. Eu fico impressionado a cada semana!

Eu não sei mais o que pensar sobre a possibilidade de sci-fi, mas agora nada mais importa hahahahah eu tô tão feliz com o rumo da série que qualquer escolha que o showrunner fizer tenho certeza que se encaixará perfeitamente.

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Allisson Ventura 18 de novembro de 2017 - 23:22

Desculpem, mas esse foi o primeiro ep da serie que fiquei perdido. Tyrell se entrega pedindo para deterem o ataque, pq? Se era isso que ele arquitetou desde o começo. Os ataques as 71 locações da E Corp aconteceram pq o Elliot “impediu” ao de NY? E o Mr Robot enganou o Elliot nessa hora ou tb quis “impedir”?

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Luiz Santiago 19 de novembro de 2017 - 21:34

1 – Porque aquilo fazia parte da distração que ele recebeu nas instruções.
2 – Ele não, mas Whiterose sim.
3 – Sim e não. Whiterose colocou toda uma operação em andamento para Elliot ACHAR que o problema estava em um prédio, mas lá nem papel tinha. Foi uma distração a longo prazo. Um grande jogo de xadrez com pessoas…
4 – Mr. Robot provavelmente se deu conta de que estava sendo manipulado. Antes, tentava impedir. Depois, ajudou.

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Allisson Ventura 21 de novembro de 2017 - 16:41

Agradecido pela esclarecimento.

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Luiz Santiago 21 de novembro de 2017 - 20:46

;D

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Luiz Felipe 18 de novembro de 2017 - 17:33

Cara, que episódio fantástico e épico! O melhor da temporada para mim. É impressionante a capacidade de atuação desse fenômeno chamado Rami Malek. O duelo Elliot x Mr. Robot foi muito angustiante e eletrizante. Palmas para a direção!
Ademais, não tenho dúvidas que estamos acompanhando a melhor série do momento, quiça da história.

obs: não assistirei ao emmy do ano que vem, pois tenho certeza que vou quebrar a televisão de raiva ao ver a série dos dragões ganhando – INJUSTAMENTE – todos os prêmios. Fsociety terá que agir!!!

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Luiz Santiago 18 de novembro de 2017 - 17:49

Concordo com você. O negócio aqui é outro nível, outra história. Uma série e tanto! E tenho a mesma sensação que você quanto ao Emmy. Vou evitar para não quebrar a TV, pelo mesmo motivo….

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Caio Felipe 18 de novembro de 2017 - 17:10

Estava quase me recuperando do episódio anterior e me vem a paulada do plot twist desse, Mr. Robot sempre saindo do convencional, me sinto feliz de não conseguir prever nada do que acontece.

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Luiz Felipe 18 de novembro de 2017 - 18:01

Essa imprevisibilidade é uma das coisas que eu mais gosto em Mr. Robot. Em uma época em que impera a mesmice, assistir a essa obra-prima é um é privilégio!

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Luiz Santiago 18 de novembro de 2017 - 18:25

É como eu disse em outra crítica aqui: dá até orgulho dizer que a gente vê essa série.

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planocritico 18 de novembro de 2017 - 23:49

1. Eu não vejo essa série.

2. Portanto, ela não é boa.

3. Se um dia eu resolver assistir, ela, então, poderá ser boa.

4. Por enquanto, é ruim.

5. E tenho dito.

Abs,
6. Ritter

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Luiz Santiago 19 de novembro de 2017 - 18:06

COMPLETAMENTE RIDÍCULO ESSE RITTER BOSTOLENTO!!!!

Mojo 30 de novembro de 2017 - 14:08

Kkkkkk, vai assistir inumanos de novo amigo…

Luiz Santiago 18 de novembro de 2017 - 17:13

@disqus_ZiSdlZsx3b:disqus mano do céu, o que foi esse final??? Cara, simplesmente sensacional essa imprevisibilidade. E o mais foda de tudo é que o FDP do roteirista jogou com TODAS as expectativas convencionais e conseguiu pegar tudo isso e ainda sambar em cima e rir na nossa cara. Essa série não deixa de impressionar!

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