Crítica | Mr. Robot – 4X01: 401 Unauthorized

plano critico mr robot 401 Unauthorized

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

A imprevisibilidade é uma das maiores cartas na manga de Mr. Robot. Neste início intenso e gloriosamente bem dirigido de 4ª Temporada, a série mantém em alta esta sua característica mais interessante e retoma a linha de ação dos principais personagens, não sem antes se livrar de Angela logo na primeira parte. Evidente que isso vem como um choque para o espectador, porque o roteiro é escrito de maneira tão fluída, tão orgânica e real, que a gente não consegue de fato ver a morte da infeliz jovem até que os agentes do Dark Army vão em sua direção e disparam os tiros. É chocante e algo que estabelece o tom de grandes possibilidades, riscos e de que “tudo pode acontecer” nesta temporada.

Escrito e dirigido por Sam Esmail401 Unauthorized não pega leve com o leitor mas sabe muito bem que muito tempo se passou desde eps3.9_shutdown-r, que foi exibido em 13 dezembro de 2017. Para espectadores que não procuraram os famosos recaps pela internet, fica a dúvida inicial: será possível lembrar-se e acompanhar tudo tranquilamente? E a resposta é sim. Há uma pequena passagem pelos principais eventos do show até a sua 3ª Temporada e a construção dos eventos aqui é de um “retorno à normalidade”, então temos a impressão de estar vendo algumas coisas pela primeira vez, o que nos coloca rapidamente a par do status atual de todos os personagens. Tudo isso, porém, sem linhas fáceis, sem diálogos pobres ou poucas informações. Ao contrário, 401 Unauthorized abre a temporada com uma grande quantidade de informações e redirecionamento para o destino de Elliot, assim como para onde vai toda a história daqui pra frente.

A aproximação metalinguística, especialmente pela dupla personalidade do protagonista, sempre foi algo enraizado na série e utilizado de maneira elogiosa nos roteiros, através de uma narração off que explora o pensamento do protagonista e ao mesmo tempo liga-o ao julgamento do público. Aqui, porém, essa aproximação é diferente, já que Elliot está “se desligando”. Eu percebi a diferença a partir da excelente segunda sequência, aquela estourada no amarelo (na estação) e no verde (dentro do trem), onde Elliot tenta descobrir uma forma de atacar Whiterose. Freddy (claro que Esmail iria tirar um sarrinho com isso, não?) entra em colapso e sua interação com Elliot de cara parece algo estranho, porque sentimos a ausência da narração, de um olhar para “o lado de cá” da tela. E eis que temos uma referência a isso dada pelo próprio Robot, em uma composição geral do enredo que termina com uma overdose de Elliot para, no final, o vermos acordar de frente para Phillip Price. Ente é o momento em que a gente grita: “o que está acontecendo?“.

A interação entre Robot e Elliot é filmada de maneira cada vez mais cuidadosa, partindo de pontos diferentes do cenário e apresentando uma visão cênica complexa, dando a entender uma maior reclusão do protagonista (vejam os planos fechados nele) e uma tentativa de afastamento em relação à sua outra parte, que sempre faz os maiores movimentos de um ponto a outro, sendo aquele que procura se reconectar, inclusive assumindo a posição de narrador. No todo dessa relação que promete ser cheia de coisas intensas ao longo da temporada, Whiterose está prestes a colocar seu plano em ação (seja lá o que for esse plano), Tyrell Wellick já não aguenta mais a chatice de ser um “herói financeiro” dos Estados Unidos e Darlene não está lidando muito bem com a culpa pelo que aconteceu com Angela. Exceto Whiterose, ninguém está contente aqui. Motivo para grandes planos de vingança é o que não falta. Bem-vindos à última temporada de Mr. Robot.

Mr. Robot – 4X01: 401 Unauthorized (EUA, 6 de outubro de 2019)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Sam Esmail
Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Portia Doubleday, Grace Gummer, Ashlie Atkinson, Joey Bada$$, Jake Busey, Oriana Bustamante, Michael Cristofer, Maya Jasmin, Akiyo Komatsu, Liz Larsen, Max Lebow, Kelemete Misipeka, Dasha Nekrasova, Adam Shiri, Christian Slater, Joseph Tudisco, BD Wong, Evan Whitten, Martin Wallström
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.