Crítica | Mr. Robot – 4X06: 406 Not Acceptable

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  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Alguns dos temas trabalhados em cenários menos intensos que os desta 4ª Temporada voltam agora à série para descortinar duas coisas: o íntimo dos personagens principais e os lados de luta por um mundo melhor — ou algo mais ou menos parecido com isso. O interessante é que assim como na vida de todos nós, algumas atitudes de Elliot acabam atingindo pessoas de maneira extremamente negativa, mas para quem está no meio da turbulência, não há nada de diferente a fazer diante de certas circunstâncias. E isso não quer dizer que a gente não se importa. A vida está cheia desses paradoxos e dilemas morais. E é exatamente uma versão disso que 406 Not Acceptable nos traz.

O episódio se passa no Natal de 2015, e logo de cara temos uma genial cena que reflete perfeitamente a identidade visual que Sam Esmail tem aplicado à série como um todo, brincando com símbolos e estruturando bem suas histórias através de um intocável trabalho visual. Nesta cena, acompanhamos a prometida conversa entre Fernando Vera (Elliot Villar) e Krista (Gloria Reuben), numa espécie de parábola natalina que passa de uma piscadela para o balcão iluminado na diagonal e com bela presença da cor amarela em todo o ambiente para situações de vida ou morte em poucos minutos.

Essa fratura de luz e a marca da cor intensifica algumas suspeitas em relação a Vera, mas não necessariamente em relação ao que ele é, e sim em relação ao que ele representa para Elliot e para o plano que está cada vez mais difícil apostar se dará certo ou não. Uma coisa que o espectador deve prestar atenção é que não estamos lidando com longas passagens temporais até esse momento da temporada, mas com transições de algumas horas entre um episódio e outro, o que dá essa impressão de acompanhar quase em tempo real como as coisas se dão em diferentes espaços desse Universo. E olha, tudo está absurdamente intenso aqui.

O texto dessa semana é de Amelia Gray, e a roteirista conseguiu explorar a tensão em diferentes níveis, colocando pessoas em perigo e estabelecendo ações cujo impacto parece encomendar tragédias logo mais adiante. Pela objetividade do roteiro, o fio narrativo acaba sendo um pouco menos fluído, porque cada bloco tem a necessidade de se desenvolver muito bem para que, a partir da crise apresentada, a gente tenha uma compensação mais adiante. E ficamos então com o sequestro de Elliot pelos homens de Vera e com Darlene nas mãos da psicopata Janice (Ashlie Atkinson), cuja cenas são soberbas, cheias de ameaças e indicação de que qualquer coisa muito ruim deve ocorrer a qualquer instante.

Visualmente, o capítulo foi composto de contrastes de cor e até de simetria entre sets onde diferentes personagens aparecem, quebrando ainda mais a nossa ideia de “verdade” e sugerindo que as intenções dos personagens aqui podem estar direcionada para um lado bem diferente do que a gente pensa. Lembram da fala de Whiterose? Chegou mesmo a hora de Elliot saber que estão do mesmo lado? Oh, eu não consigo segurar mais a ansiedade para a próxima semana… alguém aí faz o tempo voar, por favor!

Mr. Robot – 4X06: 406 Not Acceptable (EUA, 10 de novembro de 2019)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Amelia Gray
Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Grace Gummer, BD Wong, Elliot Villar, Ashlie Atkinson, Christian Slater, Joey Bada$$, Dominik Garcia, Young M.A., Jing Xu, Gloria Reuben, Jahneer E. Williams, Jim Stanek
Duração: 47 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.