Crítica | Mr. Robot – 4X07: 407 Proxy Authentication Required

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  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Chega uma hora que é difícil ter palavras para expressar o que sentimento em relação a esta série.

Depois de 405 Method Not Allowed, eu não imaginava que tivéssemos qualquer episódio que superasse a abordagem genial de Sam Esmail para aquele ideal de fuga aliado a uma tonelada de sentimentos, tensão e ação. Mas eu estava errado, ainda bem. 407 Proxy Authentication Required é uma superação que Esmail faz de si mesmo, e num nível tão alto que eu tenho dificuldade de conceber o que esse homem ainda pode trazer para a série. Isso que é o trabalho de um gênio: chegar a um ponto de uma criação artística em que o público não imagina para onde essa mesma criação pode ir, seja em forma, seja em conteúdo.

Dividido em cinco atos, o episódio está organizado numa estrutura de peça de teatro, passando-se em apenas dois cenários e com cenas mais longas, cortadas para sequências rápidas de plano/contraplano, fortalecendo os diálogos que são absolutamente matadores. Na estrutura, Sam Esmail está fazendo uma grandiosa homenagem a Alfred Hitchcock, especialmente a obras como Festim Diabólico e Disque M Para Matar, explorando o número menor de cenários, investindo na claustrofobia, passeando com a câmera de um lugar para outro e fazendo de cada ato um pequeno drama em si mesmo — nesse caso, aproveitando-se daquele elemento típico da TV, o cliffhanger, para marcar a passagem de um ato para outro, ficando cada vez mais intenso e preocupante, algo que a trilha sonora entre um momento e outro confirma prontamente.

O drama aqui funciona a partir de dois núcleos, ambos conectados a Vera. Primeiro temos Elliot tentado buscar algum jeito de fugir daquela situação. Quando se vê sem opções, ele acaba entrando no jogo de seu sequestrador. Depois temos Krista, que também busca fugir de sua situação de crise, mas acaba sendo forçada a jogar, agora com Elliot e Vera, trazendo à tona uma revelação que adiciona imenso significado ao show. E coroando tudo isso, claro, temos as atuações.

Rami MalekElliot VillarChristian Slater e Gloria Reuben estão simplesmente magníficos em seus papéis, cada um entregando um momento forte de diálogo, de explosão emocional e de partida para ação, tanto no confronto quanto na forma como sustenta o andamento de um problema e tenta impedir que as coisas se tornem piores do que estão. É um trabalho dramatúrgico digno de todas as premiações possíveis, tanto para o elenco quanto para o diretor, e será uma verdadeira piada se não lembrarem disso na temporada de prêmios que começa em breve.

No quarto e no quinto atos temos revelações que abalam o que conhecemos da série e também de Elliot, uma preparação de terreno e um alerta de perigo (já que ele está para se encontrar com o Deus Group) que coloca em máxima atenção a partida para ação que teremos daqui em diante. A descoberta do abuso pelo próprio pai na infância e o surgimento de Mr. Robot para proteger Elliot foi algo que me pegou de surpresa. Uma terrível história de origem para a criação das personalidades e que nos faz ter uma visão geral de como todo o sistema do subconsciente de Elliot pode funcionar. A série chegou a um ponto em que a gente só consegue mesmo sentar e esperar ser embasbacado. Quando terminou esse episódio, eu não sabia exatamente como reagir, tamanho o choque, a qualidade com que essa informação foi construída e passada para nós e o que ela significa para o todo. Mais um episódio histórico para a TV.

Mr. Robot – 407 Proxy Authentication Required (EUA, 17 de novembro de 2019)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Sam Esmail
Elenco: Rami Malek, Elliot Villar, Christian Slater, Young M.A., Gloria Reuben, Jahneer E. Williams
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.