Crítica | Mr. Robot – 4X08: 408 Request Timeout

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  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Após a grande intensidade, surpresas e implicações de 407 Proxy Authentication Required, a maioria dos espectadores de Mr. Robot chegaram a um ponto em que não sabiam exatamente o que esperar do show. Uma coisa era certa: Elliot continuaria abalado demais para seguir com o plano, mas o encontro com o Deus Group estava “logo ali”, então, o que fazer numa situação dessas?

Basicamente é esta pergunta que se reponde em 408 Request Timeout, quando o limite de tempo para se conseguir a resposta para alguma solicitação é atingido e um atalho precisa ser tomado. Aqui, nossa mente já começa a viajar, uma vez que não temos muita certeza do que deve vir pela frente, tamanha é a quantidade de surpresas e subversão de caminhos tomados por Sam Esmail e sua equipe de roteiristas nessa temporada. Dessa forma, um episódio como esse é capaz de nos enlouquecer um pouco, porque o texto precisa lidar com duas possibilidades, a primeira, frente ao abalo emocional do protagonista; e a segunda, frente às ações muito importantes que ele precisa tomar a partir de agora.

Mas estamos lidando com um showrunner muito inteligente e com um plano de temporada absolutamente afiado. Desse modo, o ponto narrativo atravessa de Elliot para Darlene e então, o que temos? Mais um episódio tenso, cheio de dilemas morais para serem resolvidos e mais uma prova de que é possível criar duas frentes narrativas de pesos muito grandes e mantê-las rodando em separado por mais de um episódio seguido. E a forma como o show está sendo impiedoso com todo mundo, matando quem deve matar e fazendo tudo isso da melhor maneira possível me deixa ao mesmo tempo feliz e com medo pelo que deve vir adiante.

Palmas para a atriz Ashlie Atkinson, a maldita Janice! A naturalidade que ela imprime à personagem, a frieza, o sorriso psicopata, a maneira estratégica como ela estrutura a sua trilha de mortes, tudo isso alcança o ponto máximo aqui, e o final paga com gosto tudo o que passamos no decorrer do capítulo. Eu só não gostei do fato de Dom ter uma carta na manga e que absolutamente nada de mais sólido sobre isso tenha sido sugerido até aqui. Eu entendo que não é uma tomada de ação impossível porque a própria Dom estava guiando uma investigação frente ao pessoal do Dark Army, mas ainda assim… uma carta na manga dessas não é algo que se mantém no escuro. Eis aí o único ponto que me fez tirar meia estrela do episódio. De resto, gostei de absolutamente tudo.

Fiquei feliz em ver como o sistema de personalidades do Elliot funcionou após o choque da descoberta na semana passada e mais ainda com o retorno de Mr. Robot. O diálogo entre ele e Elliot é mais uma vez de partir do coração e Christian Slater está simplesmente incrível aqui. A personalidade do pequeno Elliot também tem um tratamento fantástico, inclusive na direção, com uma conclusão que me fez lacrimejar um pouco: “nós não estávamos fugindo, estávamos lutando contra“. Com mais cinco capítulos pela frente, começamos a sentir uma atmosfera de despedida e fechamento de janelas acontecendo. Mesmo que não tenhamos ideia do que nos aguarda adiante, uma coisa é certa: essa série vai deixar uma baita saudade.

Mr. Robot – 408 Request Timeout (EUA, 24 de novembro de 2019)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Robbie Pickering
Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Martin Wallström, Grace Gummer, Ashlie Atkinson, Christian Slater, Evan Whitten, Young M.A., Liz Larsen, Alex Morf, Gloria Reuben, Eva Jette Putrello, Preston Edwards, Jahneer E. Williams
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.