Crítica | Mr. Robot – 4X10: 410 Gone

PLANO CRÍTICO GONE MR ROBOT

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Em termos de diferença na continuidade e exploração de uma outra camada da série, 410 Gone se parece bastante com 404 Not Found, mas o presente episódio está acompanhado de um certo número de problemas narrativos que abalam a qualidade geral, tornando-o o pior dessa temporada, pelo menos até o momento.

Escrito e dirigido por Sam Esmail410 Gone funciona como uma leve demonstração de consequências, ou seja, o que aconteceu após o sensacional 409 Conflict. Particularmente, eu não esperava que o nível épico fosse mantido em um “episódio de consequências” como este, até porque nós já estamos acostumados com a ressaca que possuem os capítulos posteriores a outros muito importantes ou de qualidade muito alta. No entanto, me pegou de surpresa a imensa diferença de ritmo dos eventos, o que talvez seja mais sentido aqui pelo fato de o foco central do roteiro estar em uma relação que não vai para lugar nenhum, ou que bem pouco traz de novidades para a série, uma escolha estranha quando pensamos que estamos na reta final.

O primeiro choque foi com o fato de Dom estar viva. Vocês que acompanham minhas críticas a algum tempo já sabem a minha enorme chatice em torno de coesão dramática. Por isso foi que não achei ruim que Dom ainda estivesse viva (porque sim, é possível), mas confesso que eu não queria isso não. A quebra de expectativas desse jeito faz o espectador se sentir traído e ao menos que exista uma compensação definitivamente grandiosa para equilibrar a balança (o que não aconteceu), a nossa visão será bem menos elogiosa ou empolgada diante do personagem que deveria estar morto… mas não está. E não é como se isso fosse uma novidade na TV, porque não é. Acontece até muito mais do que deveria. Mas para o que temos aqui em Mr. Robot e considerando o trabalho de Esmail até o momento, fica bem difícil não fazer apontamentos negativos sobre essa escolha.

O que torna a jornada ainda bastante válida é que Carly Chaikin e Grace Gummer estão incríveis em seus papeis e acabam dando uma sensação de que “estamos em casa”, mesmo que não estejamos. Em adição, ainda há o fato de que a fuga e a própria transferência/divisão do dinheiro para todo mundo que tinha perdido algo por ter uma conta na ECorp acontecem de maneira quase anticlimática. Nós ainda apreciamos alguns pontos aí porque encontramos uma dramaturgia azeitada, como já citei, e a sempre excelente direção de Esmail, com seus planos alucinantes e a câmera sempre viajando da maneira menos óbvia possível pelo cenário. Mas o episódio começa com uma uma enorme promessa e acaba enigmático demais, tendo uma trajetória que ganha mais pontos pela forma do que pelo que traz de contexto para nós. Não chega nem perto de ser um episódio ruim ou mesmo medíocre, mas está aquém da grandeza de todo o restante dessa temporada até o momento.

Mr. Robot – 4X10: 410 Gone (EUA, 8 de dezembro de 2019)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Sam Esmail
Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Grace Gummer, Joey Bada$$, Don Guillory, James Andrew O’Connor, Bobby Cannavale, Mary Crosbie, Lizzy Plimpton, Abdul L. Howard, Kelsey Venter, ayatri Bahl, Bobby Roman, Catrina Ganey
Duração: 47 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.