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Crítica | Ms. Marvel – 1X03: Destined

Kamala entre dois clãs.

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Tenho plena consciência de que talvez aquilo que seja o “diferente da regra” e o “pouco representado” precise ganhar tratamento diferenciado no audiovisual, especialmente em obras pop, de alcance mais geral como é o caso de Ms. Marvel. Ver a cultura paquistanesa/muçulmana em uma série de super-heróis é algo raro, provavelmente único, e o destaque dado a esse lado da narrativa tem sua justificativa. Mas isso não quer dizer, de forma alguma, que a necessidade de uma abordagem própria, mais tendente ao didático, seja uma carta branca para se fazer qualquer coisa.

Mas deixe-me abordar o caso concreto para ninguém me entender erroneamente. Lá na crítica de Generation Why, comentei que os elementos da cultura de Kamala Khan ocuparam todo o espaço cênico, algo que reputei como necessário para situar rápida e eficiente o espectador, algo importante em uma minissérie de apenas seis episódios. Conjecturei que essa característica fosse arrefecida no episódio seguinte, o que efetivamente acabou acontecendo, gerando um capítulo ainda mais equilibrado. No entanto, Destined é um passo atrás novamente nesse aspecto, já que o episódio parece estar muito mais preocupado em lidar com a cultura “diferente” que quer abordar do que com uma progressão narrativa que não fique espremida em alguns minutos no começo e no final.

O casamento de Aamir, irmão de Kamala, com Tyesha Hillman é, portanto, o vilão narrativo aqui, com o episódio esquecendo-se de ser um episódio e passando a ser um guia de uma cerimônia desta natureza nesta religião em particular. E não é que o casamento não pudesse ser o centro das atenções, mas sim que ele acaba funcionando como um redemoinho que suga tudo para sua vizinhança e, por mais visualmente bonito que tudo seja, inclusive e especialmente as coloridas danças, senti que Destined apressou-se em todos os outros quesitos, todos eles girando ao redor da origem dos poderes que o bracelete destravou em Kamala (estou só presumido que foi isso que aconteceu, pois o poder pode estar exclusivamente nos braceletes, ainda que não me pareça que seja isso).

E o irônico disso tudo é que eu nem sequer achava que era mesmo preciso de explicação agora para os poderes. Eu trocaria todos os textos expositivos nesse sentido, aquele flashback (aquele era um braço decepado Kree?) e também a literal escavação no baú da Marvel que levou a produção aos mais do que esquecidos Clandestines (ou Clã Destino), criados em 1994 por Alan Davis e que, exclusivamente na série, foram conectados com Kamala Khan, por mais momentos em que ela tenta controlar seus poderes ao lado de Bruno, ou a momentos puramente adolescentes com o nascente triângulo amoroso com a entrada de Kamran e, claro, a amizade de Kamala com Nakia. No entanto, ao inserir essa “família” de seres extradimensionais que querem voltar para casa a todo custo, o episódio precisava dar mais tempo a ela e não simplesmente introduzi-la como a encarnação da simpatia para, 10 minutos depois, transformá-la em vilões genéricos.

Porque não, o problema não está só na cultura paquistanesa sendo marretada no episódio, mas sim que até mesmo o momento de ação foi somente qualquer coisa que por vezes me lembrou a sequência dos velociraptors na cozinha em Jurassic Park, só que sem nem 1/100 do finesse de Steven Spielberg. Se eu nunca reclamei de Ms. Marvel por ser uma série teen, como muitos vêm fazendo, aqui eu vi o lado negativo de ela ser uma série teen. Faltou um pouco mais de rigor para primeiro deixar a “transformação” da família boazinha em família vilã maturar com o tempo e, depois, para criar um primeiro embate que não fizesse de Kamala uma expert em fugir de adultos mais do que centenários com poderes e armas e ela com apenas um bracelete que começou a usar nem bem há menos de 15 minutos.

No entanto, nada do que eu disse acima deve ser interpretado como uma crítica negativa a Iman Vellani. A jovem continua arrebentando como Kamala Khan e é por isso que eu basicamente disse – e repito – que eu já ficaria feliz vendo episódios atrás de episódios apenas com ela treinando para controlar seus poderes e eventualmente salvando umas pessoas, espancando ladrões de lojas e até fugindo lá do Departamento de Controle de Danos. Tudo ao som de Bon Jovi – Brown Jovi também serve! – claro! Na maioria da vezes, menos é mais e, em Destined, Ms. Marvel começa a sofrer um pouco com a necessidade de exposição das características culturais da personagem, da origem de seus poderes e de se criar a estrutura padrão que dita que todo super-herói precisa de um super-vilão assim que ele surge.

Ms. Marvel – 1X03: Destined (EUA, 22 de junho de 2022)
Desenvolvimento: Bisha K. Ali
Direção: Meera Menon
Roteiro: Freddy Syborn, A. C. Bradley, Matthew Chauncey
Elenco: Iman Vellani, Matt Lintz, Yasmeen Fletcher, Zenobia Shroff, Mohan Kapur, Saagar Shaikh, Laurel Marsden, Azhar Usman, Arian Moayed, Alysia Reiner, Travina Springer, Rish Shah, Nimra Bucha
Duração: 48 min.

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