Crítica | Mulher-Maravilha, Batman e Superman: Trindade

Muita gente morre de amores por esta minissérie escrita e desenhada por Matt Wagner em 2003, mostrando os primeiros encontros de Batman, Mulher-Maravilha e Superman na DC da Era Moderna; mas para mim, a saga não tem assim tantas gloriosas passagens não, apesar de ser divertida de se ler — que me desculpem os que a amam muito.

É claro que não dá para ignorar essa premissa que traz algo que sempre chama a atenção de qualquer um que gosta de quadrinhos: personagens importantes vistos num ponto inicial de suas carreiras ou, nesse caso, no ponto inicial da convivência entre eles mesmos. Este, na verdade, é um trampolim capaz de vender qualquer plot para leitores de quadrinhos e que promete um bom divertimento durante a leitura, o que de fato acontece aqui. Cronologicamente estamos após Ano Um (para o Morcego), Deuses e Mortais (para a Amazona) e Homem de Aço (para… o Homem de Aço), de modo que o roteiro não precisa, por coerência, alçar voos absurdos, apenas focar no relacionamento entre os protagonistas e colocá-los para enfrentar juntos, pela primeira vez, um grande inimigo. E eis aí o meu problema com essa Trindade.

Não, não me refiro ao encontro dos medalhões, isso é fantástico (como fantástico também é o cameo do Aquaman). Estou falando do tal inimigo. E vejam, mesmo que eu tenha pequenos problemas com a forma como Matt Wagner reforçou as picuinhas entre Bruce e Diana,  o que não desce de verdade nessa história é o fato de precisar dos três para vencer Ra’s Al Ghul, que consegue descongelar Bizarro e colocá-lo na jogada também. E com isso não quero subestimar o vilão. Mas é que o tempo inteiro a aventura me soa como algo mais ligado ao Batman, depois mais ligado ao Superman e daí tem a Mulher-Maravilha. Apesar da ação direta e importante dela na trama, não há de fato uma boa conexão com esse elemento vilanesco. Nem Ártemis ou a Ilha Paraíso (que é apenas uma consequência do plano e que aparece só na terceira edição) funcionam como ponte, de modo que a Amazona sobra em alguns momentos. Daí vocês já tiram a minha visão geral da obra. Apesar de gostar do todo, sempre tenho um pé atrás porque não gosto do vilão envolvido e nem do plano que une a Trindade em sua primeira luta.

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Já sobre a arte, devo dizer que gosto do trabalho de Matt Wagner e principalmente das cores de Dave Stewart para toda a aventura. O estilo do artista combina bastante com esse olhar para o passado, o que nos ajuda a comprar melhor o que está sendo narrado. E existem momentos muito bons aqui, especialmente os do Superman — tanto agindo em cenas de exercício de força, quanto de babá para Diana e Bruce não se pegarem (e não de um jeito legal). Dos três, inclusive, o que o roteiro melhor captura a essência de início de carreira é o Superman, seguido pelo Batman. Já a visão de Wagner para a MM não me agradou muito, com exceção de alguns poucos quadros e das cenas em Themyscira.

Trindade é uma história gostosa de se ler e uma forma interessante de se olhar para a relação dos três grandes da DC Comics num encontro onde ainda não sabiam muito bem o que esperar um do outro. Traz à memória um tempo diferente da editora e dos próprios personagens. Mas não é uma aventura perfeita. Se você ainda não leu, que fique preparado, então.

Batman/Superman/Wonder Woman: Trinity (EUA, agosto a outubro de 2003)
No Brasil:
Panini (2004), Eaglemoss (2016)
Roteiro: Matt Wagner
Arte: Matt Wagner
Cores: Dave Stewart
Letras: Sean Konot
Capas: Matt Wagner, Dave Stewart
Editoria: Bob Schreck, Michael Wright
228 páginas (encadernado Eaglemoss)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.