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Crítica | Mulher-Maravilha: O Deus da Guerra e O Mistério da Casa das Sete Torres (1942)

por Luiz Santiago
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Nós já temos um texto aqui no site falando das primeiras aparições da Mulher-Maravilha nos quadrinhos, desde a sua criação, na All-Star Comics #8 (1941) até as outras duas histórias de origem, apresentação e familiarização da personagem em Sensation Comics #1 e principalmente em Mulher-Maravilha #1. Em 1942, a personagem teve uma sólida linha de publicações na revista Sensation Comics e apenas mais duas histórias em publicações diferentes. Essas duas outras tramas são abordadas aqui na presente crítica, sendo uma coletânea de 57 páginas cujo principal título é Ares, o Deus da Guerra (Mulher-Maravilha #2) e outra uma história curta, de apenas 13 páginas, chamada O Mistério da Casa das Sete Torres (Comic Cavalcade #1).

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Ares, o Deus da Guerra

Numa longa história dividida em três capítulos e com um adendo de duas páginas chamado Wonder Woman Campaigns for War Bonds and Stamps — que pega um gancho simples dessa saga, mas na verdade é só propaganda para os americanos comparem títulos e selos de guerra — temos a Amazona lutando contra um de seus maiores inimigos de todos os tempos: Ares, o Deus da Guerra.

Nos capítulos The Earl of GreedThe Duke of DeceptionThe Count of Conquest, Ares manda representantes do seu Reino (em Marte, claro) para virem à Terra, aproveitarem-se do conflito então em andamento (a 2ª Guerra Mundial) e então capturarem a Mulher-Maravilha, que deveria ser condenada à prisão e às torturas do Reino do Senhor da Guerra.

Toda a grande jogada do vilão é marcada pela agilidade. Os capítulos são cheios de luta, plots investigativos, traições e reviravoltas, todos com cenas da Mulher-Maravilha e outras mulheres sendo amarradas, amordaçadas e aqui e ali colocadas no colo para levarem uns bons tapas na bunda. William Moulton Marston e seus fetiches…

Os primeiros dois capítulos são os que conseguem elencar com melhor qualidade a ação da Amazona em meio à guerra e a presença dos enviados de Ares incentivando o conflito, ao mesmo tempo que procuram capturar seu alvo. Já na história final existe um claro desleixo na abordagem dada à protagonista, especialmente nos diálogos e justificativas para a sua captura. Ainda assim, a estrutura é divertida, pois nunca dá sequência aos diálogos estúpidos por muito tempo e foca bastante em cenas de ação e fuga, mantendo viva a atenção do leitor.

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A conclusão meio que estabelece uma possibilidade de retorno para Ares — apesar do seu palácio em chamas — uma indicação que cimentaria para sempre a relação dele com Diana. E por se tratar de um personagem que está feliz com a estupidez e tendência humanas em buscar lutas armadas e louvar a violência, oportunidades não faltariam para que esses dois se encontrassem novamente. No mais, o longo arco tem a cara do momento em que surgiu, especialmente considerando o contexto político e social dos anos 1940. Quanto à arte, não tive reais problemas com os desenhos de Harry G. Peter, mas definitivamente incomoda a diagramação de páginas da maioria das histórias da Era de Ouro, não?

Wonder Woman Vol.1 #2: The God of War (EUA, setembro de 1942)
Roteiro: William Moulton Marston
Arte: Harry G. Peter
Arte-final: Harry G. Peter
Capa: Harry G. Peter
Editoria: Sheldon Mayer
57 páginas

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O Mistério da Casa das Sete Torres

A pedido do general Darnell, Steve Trevor e Diana Prince vão a uma missão na costa da Nova Inglaterra, para ficar de olho na esperada presença de espiões e sabotadores no local. Como em diversas outras histórias do período de guerra, era de se esperar algo engajado e ligado à presença dos nazistas nos Estados Unidos, plot que é até certo ponto bem aproveitado por William Moulton Marston. Aos poucos, a missão de Trevor e Diana força que cada um cubra um local de Massachusetts, momento em que vemos a Mulher-Maravilha entrar em ação.

A história começa meio chatinha, lenta demais e visualmente nada interessante. Aos poucos porém, o leitor vai aproveitando bem o drama do desaparecimento de um garoto chamado Tommy, que leva Diana a tentar localizá-lo. Embora a desvie de sua missão inicial (o roteiro faz um bom jogo em relação ao caráter da missão aqui, primeiro insinuando um desvio, depois uma junção de caminhos), ela termina por descobrir um grupo de nazistas que devem desembarcar na região.

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Claro que Diana é presa e amarrada (assim como outras mulheres na história), mas depois das primeiras páginas tudo fica realmente interessante: uma trama de investigação em tempo de guerra que poderia ser bem melhor se não fosse o começo cambaleante.

Em tempo: o título dessa história tem sim a ver com a história de Nathaniel Hawthorne, e ela é literalmente referida pela própria heroína em dado momento da trama, pela semelhança da tal casa (onde ocorre a penúltima luta da aventura) com aquela que o autor explora em sua obra.

Comic Cavalcade Vol.1 #1: Wonder Woman – The Mystery of the House of Seven Gables (EUA, dezembro de 1942)
Roteiro: William Moulton Marston
Arte: Harry G. Peter
Arte-final: Harry G. Peter
Capa: Frank Harry
Editoria: Sheldon Mayer
13 páginas

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