Crítica | Mulheres de Cinema

Produzido, escrito e dirigido por Ana Maria Magalhães, o documentário Mulheres de Cinema (1978) é surpreendentemente muito rico de informações para um curta-metragem, cuja proposta é fazer uma viagem pelo cinema brasileiro e destacar o papel de algumas mulheres nessa saga, tanto na frente quanto atrás das câmeras.

Infelizmente o filme não fala de Cléo de Verberena (propositalmente colocada em destaque na reportagem que ilustra esse texto), considerada a primeira mulher a dirigir um filme no Brasil — O Mistério do Dominó Preto (1931) –, mas faz um apanhado bastante elogiável sobre o papel dessas artistas em nossa indústria, começando por um ponto que infelizmente segue em alta até hoje, por motivos que sociologicamente só ganharam debate de massa no país a partir dos anos 2000. E esse tema é a objetificação da mulher.

A narração começa contextualizando o possível surgimento de uma “Sétima Arte nacional”, com a chegada de Affonso Segreto ao Rio de Janeiro, em junho de 1898, trazendo no navio uma unidade do cinematógrafo e filmando a Baía de Guanabara. Seja este ou não o início do nosso cinema (mas vale destacar que 19 de junho, justamente o dia dessa chegada, é oficialmente o Dia do Cinema Brasileiro) o fato é que o marco foi estabelecido e uma longa e conturbada História começaria a ser construída a partir de então.

Ana Maria Magalhães toma esse ponto de partida para mostrar como as mulheres tentaram fazer parte da novidade, e algumas delas conseguiram, a muito custo, estabelecer-se na produção ou direção, embora sempre fossem destacadas no jornal e nas revistas como beldades quase excêntricas, sob descrições mal-disfarçadas de libido e atributos físicos melosos, como se estivessem tentando vender uma boneca prendada para o público. O documentário traz à cena diversas personalidades que fizeram notícia e ganharam espaço na mídia e na boca do povo. E fala-se também da quase-padrão inconstância de atuação da mulher como diretora — a primeira a quebrar a “maldição” foi Gilda de Abreu (que inclusive dá uma breve entrevista aqui), diretora de O Ébrio (1946), Pinguinho de Gente (1949) e Coração Materno (1951).

O grande problema do curta é que falta um melhor método na organização narrativa. A passagem entre atrizes e diretoras parece seguir apenas a um critério cronológico (e nesse ponto a melhor parte do filme é a que narra as pioneiras) não favorecendo o enredo, algo mais sentido na reta final. Junto a isso, temos o maior incômodo da obra, que é a edição de som, gerando segundos de silêncio constrangedor de bloco para bloco e às vezes de cena para cena. Não chega a atrapalhar aquilo que está sendo contado, mas não tem organicidade, o que acaba gerando um peso cumulativo.

Terminando rapidamente após a narração da morte de Leila Diniz, a quem o filme é dedicado, Mulheres de Cinema faz um apanhado de trabalho sobre a nossa Sétima Arte, mostrando o machismo gritante, mas ao mesmo tempo, a coragem e o respeito que muitas mulheres, desde os anos 1930, vem demonstrando e conquistando na indústria. Um caminho ainda difícil para diversos grupos, mas que pouco a pouco gera espaços e, via novas tecnologias, permite a criação de oportunidades para mais e mais pessoas falarem de suas lutas, mostrarem suas ideias artísticas e deixarem a sua marca no mundo. Um filme delimitado por um período (é uma obra de 1978) mas com um poder de debate que vai dos primórdios ao contemporâneo cinema brasileiro.

Mulheres de Cinema (Brasil, 1978)
Direção: Ana Maria Magalhães
Roteiro: Ana Maria Magalhães
Elenco: Ana Maria Magalhães, Gilda de Abreu, Cristina Aché, Norma Bengell, Ana Carolina, Hugo Carvana, Vicente Celestino, Arduíno Colassanti, Manfredo Colassanti, Leila Diniz, Reginaldo Faria, Aurora Fúlgida, Helena Ignez, Paulo José, Eliana Macedo, Humberto Mauro, Aurora Miranda, Carmen Miranda, Liège Monteiro, Eva Nil, Oscarito, Isabel Ribeiro, Carmen Santos, Dina Sfat, Irene Stefânia, Jece Valadão
Duração: 30 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.