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Crítica | Nas Garras do Tigre

por Leonardo Campos
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Imagine a situação. Uma tempestade é anunciada e você precisa se proteger dos fortes ventos e chuvas. Para aumentar a carga dramática da situação, a sua missão é cuidar não apenas de si, mas do seu irmão autista que reage de maneira peculiar aos desdobramentos desse cenário que na hipótese aqui descrita, ainda tem a presença de um tigre fora de seu habitat natural, a disputar espaço dentro de casa com você e sua companhia, depois que uma situação pontual dá errado e o contato com a fera não será apenas a divisão do lugar, mas a busca pela sobrevivência diante de uma criatura que age por instinto e tal como rege a cartilha da natureza selvagem, precisa atuar como predador dominante e territorial. O que fazer? Pergunta complexa, não é mesmo? E aparentemente absurda, mas no desenvolvimento do empolgante Nas Garras do Tigre, se apresenta como algo crível, parte integrante de uma série de coincidências perigosas e fatais.

Sob a direção de Carlos Brooks, cineasta guiado pelo roteiro assinado pelo trio formado por Julie Prendiville, Christine Coyle e David Higgins, a produção tinha tudo para ser uma bizarra estrutura narrativa aos padrões da produtora The Asylum, mas consegue ser demasiadamente superior aos monstros de lá, criaturas turbinadas e ceifadoras de vidas dispensáveis, tamanha a construção dos personagens, caricatos e impeditivos do estabelecimento da catarse. Para embarcar nas emoções propostas pela narrativa, no entanto, é preciso aderir ao princípio da suspensão total da descrença, tendo em vista o melhor aproveitamento deste entretenimento de 86 minutos, lançado em 2010. Aqui, o predador conhecido por ocupar o posto de maior felino do planeta, caçador por emboscada de trajetória relativamente solitária, é transformado num monstro ágil, mordaz, dentre outras características que o colocam no favoritismo da situação.

Na trama, Kelly Taylor (Briana Evigan) é uma jovem que pretende seguir a sua vida para longe de casa, após a morte de sua mãe. O que a prende ao lar é o irmão, Tom (Charlie Tahan), uma criança autista de 12 anos que pede muitos cuidados especiais. Dentre tantos obstáculos em sua caminhada, ainda há o padrasto, Johhny (Garret Dillohunt), um desses homens que avançaram na idade, mas possuem maturidade zero para lidar com situações conflitantes. Enquanto Kelly tenta organizar as suas estratégias para deixar o irmão internado numa clínica especializada, tendo como base os recursos financeiros deixados pela matriarca da família, o irresponsável do padrasto faz um investimento altíssimo num tigre em cativeiro, comprado na mão de terceiros, animal que integrará um empreendimento ao estilo safari, ideia insana que mina os planos da moça.

Para piorar a situação, ela ainda precisa lidar com a chegada de uma tempestade com furacões de 120 km/h, previstos pelo serviço meteorológico, algo que vai somar duas preocupações da moça e do irmão face aos desdobramentos da natureza, um de ordem climática, natural e já conhecido pelos moradores da região, e o outro, causado pelo homem, haja vista a soltura do tigre durante a tempestade, algo que talvez não seja um acontecimento acidental, mas algo planejado previamente pelo padrasto, quem sabe? É com esse mote que acompanhamos a fera aguçada pelos seus instintos de caça, a perseguir e infligir fortes tensões na dupla de protagonistas que possuem vários obstáculos para driblar na busca pela sobrevivência. A sua presença em cena é garantida pela supervisão de efeitos visuais assinada por Dan Schmidt, eficiente para a proposta orçamentária que não permite o melhor desempenho visual possível para o tigre, mas não compromete.

Para aumentar a presença do felino em cena, a direção de fotografia de Michael McDonough é ágil e dinâmica, tal como o monstro da narrativa, preocupada em captar as imagens necessárias para o desenvolvimento dos trechos que utilizam efeitos especiais e seus truques físicos, somados aos recursos computadorizados já mencionados. O design de produção de Mark Garner concebe uma casa espaçosa para o desenvolvimento da ação, com cenografia assinada por Shaw McFall, setor que investe em dimensões consideráveis para a circulação de seus personagens, acossados por um tigre dentro de uma casa cheia de objetivos dispersivos que ora servem como material para o embate ou esconderijo, ora adentram como obstáculos potenciais para o deslocamento. Ademais, a trilha de Zack Ryan investe nos elementos essenciais para uma história cheia de sustos bruscos e investimento no design de som para tornar o tigre mais ameaçador e presente em cena.

Nas Garras do Tigre (Burning Bright/Estados Unidos, 2010)
Direção: Carlos Brooks
Roteiro: Christine Coyle Johnson, Julie Prendiville Roux
Elenco: Briana Evigan, Charlie Tahan, Garret Dillahunt, Peggy Sheffield, Mary Rachel Quinn, Tom Nowicki, Katie, Schicka, Kismet
Duração: 86 min.

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2 comentários

samuel marques 10 de março de 2021 - 21:42

Muito obrigado por fazer eu revisitar esse filme, quando vi a critica, logo lembrei que já tinha visto esse filme e lembro que gostei muito, agora irei revê-lo novamente.

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Jordison Francisco 10 de março de 2021 - 12:20

Suspense simples e muito eficiente, tem muitos momentos de pura tensão e aflição, a protagonista se destaca facilmente, o filme trabalha bem os personagens, mesmo que brevemente, cria um drama inicial fundamental para o envolvimento do espectador com os personagens (o que faz muita FALTA em filmes do gênero nos dias atuais).

Eu penso que o drama dela com o irmão foi fundamental nesse filme! Faz a pessoa que assiste pensar o tempo todo “será que ela vai se preocupar em salvar o menino? ou não vai se importar?”. Foi realmente tenso. Afinal a mãe dela morreu, ela sentia que era responsável pelo menino e ele, como uma criança autista não é nada fácil de lidar.

Essa irmã é uma mãe pra esse menino. Fiquei realmente bem toca com o amor e dedicação que ela tem pelo irmão autista. Na cena em que ela consegue sair por uma janela, por exemplo, ela entrou no carro e eu fiquei pensando se ela iria mesmo ter coragem de simplesmente deixar o menino com o tigre.

Só achei a Briana Evigan meio sem expressão.
E gente parem de zoar com o menino que parece um retardado que ele é chato! Poxa o menino é autista então lógico que ele tem limitações e isso é muito triste e deve ser respeitado. Não to falando sobre o filme to falando sobre a vida de um Autista e de quem convive com eles que não é nada fácil.

Resumindo, vale sim uma conferida, pois o filme é direto e vai direto ao ponto, não enrola com pistas falsas, reviravoltas desnecessárias, e surpresas fora do contexto, o filme cumpre o que propõe e acaba deixando o espectador satisfeito com o resultado final. Muito bom o filme! E achei bem tenso e bem original.

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