Crítica | Nathan Never: O Número Zero

NN #0 -plano critico nathan never o numero zero

O Número Zero foi o primeiro exercício do trio de criadores de Nathan Never, Antonio Serra, Michele Medda e Bepi Vigna, ou seja, a história que serviu como um rápido laboratório para a formulação da “verdadeira estreia” do personagem com a one-shot Agente Especial Alfa, em junho de 1991. Dois meses antes, porém, os autores conceberam — ao lado do desenhista Roberto De Angelis — uma edição que rapidamente seria considerada rara, a edição zero de Nathan Never, chamada… wait for itO Número Zero.

A publicação dessa pequena revista aconteceu originalmente em mínima escala e ela só se tornaria conhecida do grande público da Sergio Bonelli Editore, em maior distribuição, no mês de dezembro de 1991, por ocasião do lançamento de A Zona Proibida, sétimo volume da série regular do herói, da qual O Número Zero foi um adendo especial — o que era possível pelo fato de ser uma aventura curta, com apenas 16 páginas. Na trama, estamos em uma Estação em órbita, onde o professor Hecht é encontrado morto, dois meses depois de ter sequestrado um garoto gênio chamado Gene Smith, até então, sob as asas do Instituto Hawking. Preocupados com o que poderia acontecer ao menino, o Instituto contrata a famosa Agência Alfa para encontrá-lo.

Conhecido como “Número Zero”, Gene serve como cobaia para diversos experimentos do Instituto (Nathan Never não sabia disso), então não importa qual lado que se olhe, o menino está em maus lençóis. Em campo, Nathan Never até diante de um mistério. A primeira parte de sua investigação não leva a lugar algum porque o comportamento dos sequestradores parece não fazer nenhum sentido. Até que uma emergência na região de gravidade zero aparece e então o Agente se vê diante das respostas que procurava.

O roteiro resolve rápido e bem essa questão das pistas, mas a reta final da história certamente clama por melhor contexto. À medida que os bandidos são vencidos e o peso moral do texto se ergue, imaginamos que seria mais interessante a soma de algumas páginas para justificar o acordo mudo de Nathan Never com o menino e o próprio destino que ele levou, embora a manutenção do mistério aqui seja um fator importante, desse modo, penas uma sugestão bastaria.

Iniciando a série com uma investigação rápida e um final que dá grande peso ao julgamento do leitor sobre quem é Nathan Never e também sobre o funcionamento esse mundo futuro em que ele vive, O Número Zero se tornou uma espécie de “origem de luxo” do personagem, um dos quadrinhos-teste da Bonelli que abriu as portas para uma longeva e elogiada série de ficção científica.

Nathan Never #0: Il Numero Zero (Itália, abril de 1991)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
Roteiro: Antonio Serra, Michele Medda, Bepi Vigna
Arte: Roberto De Angelis
16 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.