Home QuadrinhosOne-Shot Crítica | Nathan Never – Vol. 16: O Campeão

Crítica | Nathan Never – Vol. 16: O Campeão

por Luiz Santiago
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E vejam só quem está de volta nessa edição! Eu comentei na minha crítica de Além das Estrelas que a constatação de Nathan Never sobre a existência de vida inteligente fora da Terra mudaria bastante a sua personalidade, a sua forma de ver o mundo, não foi? E cá estamos em O Campeão, uma aventura que ocorre no mundo dos esportes e que traz novamente os Homens-Sombra, agora focando em apenas um deles, uma manifestação originalmente chamada Aytin, que se apossou do corpo do ex-militar Andrej Krivcenko e que no presente momento habita o corpo do atleta Diego Hernandez.

A aventura se dá poucos dias antes da final do campeonato de Fightball, onde os Lobos enfrentarão os Marcianos, um embate histórico que está deixando o público enlouquecido e ao mesmo tempo preocupado, pois parece que alguém está tentando matar Diego Hernandez antes da partida. O senhor Berlin, dono da equipe, contrata a Agência Alfa e o caso fica a cargo da dupla Nathan Never e Legs Weaver, cuja tarefa é garantir a segurança do atleta, o “campeão” do título. E numa atmosfera referenciando o filme Rollerball: Os Gladiadores do Futuro (1975) o roteirista Michele Medda nos guia pelo mundo de um esporte do futuro, cercando, como não podia deixar de ser, muitos dilemas que temos nos esportes da atualidade.

Uma das reflexões que Michele Medda nos traz nesse volume é a da jornada meteórica e arriscada de um jovem atleta (o protagonista guarda semelhanças com Diego Maradona, inclusive) e o quanto isso afeta o psicológico do indivíduo, capaz de tomar para si responsabilidades tão grandes que acaba pagando com a própria vida. A fama, o amor condicional do público, os riscos da profissão e as recompensas financeiras fazem de Hernandez uma espécie de Cristo imprudente, que se sacrifica pelo bem de toda a equipe aceitando o caminho das drogas sintéticas que o “tornariam melhor em campo“, mas que acabariam rapidamente com a sua saúde.

Eu achei muito interessante que toda essa discussão tenha vindo em uma história com um Homem-Sombra. O roteiro mais uma vez reforça que nem todos os indivíduos dessa espécie são ruins e que alguns deles estão até dispostos a fazer sacrifícios pessoais, optando não machucar mais nenhum humano com sua “possessão” (a psicometabiose) e enfim partir dessa realidade para uma outra. Ao fim da edição, Aytin dá uma pequena pista par Nathan Never, falando o nome de Nusuth, alguém muito importante para ele — um nome de mulher, como conclui depois o agente — mas sobre quem ainda não temos muitos detalhes.

A ânsia de vencer e a disposição de fazer qualquer coisa para garantir uma vitória são as colunas centrais de O Campeão. O jogador que protagoniza a trama vem dos níveis inferiores da cidade, de uma classe social miserável. Ele constrói uma carreira em um esporte arriscado e se torna alguém de grande importância nos altos níveis. O que não prevê é a força das ondas de interesse monetário do dono do time, da imprensa e da pressão de seus adorados fãs. É por isso que ele faz tudo o que pode para manter o título de “campeão” que lhe deram. Uma escolha que acaba lhe custando a vida… uma vida que já seria mais curta, devido a algo que ele não escolhera e que não tinha como controlar. Um afortunado desafortunado.

Nathan Never #16: Il campione (Itália, setembro de 1992)
Sergio Bonelli Editore

Roteiro: Michele Medda
Arte: Stefano Casini
Capa: Claudio Castellini
100 páginas

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