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Crítica | No Olho do Furacão

por Rafael W. Oliveira
164 views (a partir de agosto de 2020)

Não há nada de especial para ser notado no desenrolar da filmografia de Rob Cohen. Claro, conhecemos seus êxitos comerciais como o início da bilionária franquia Velozes e Furiosos e outros projetos bacanas no cenário dos filmes de ação como Daylight, Triplo X e Coração de Dragão, mas, no geral, Cohen sempre assumiu sua postura de pau mandado de Hollywood, o “joga esse projeto no meu colo que eu faço”. E outras contribuições como A Múmia – Tumba do Imperador Dragão e O Garoto da Casa ao Lado comprovam que nem só de boas bilheterias foi feita a carreira desse diretor.

Mas confesso que, diante de uma premissa tão rocambólica e fajuta como a de No Olho do Furacão, cuja banalidade grita por todos os poros possíveis, não houve como botar alguma fé quando um diretor com energia pra dar e vender, independente de seus resultados, se propôs a comandar (ou ficar à serviço dos produtores) mais um desses filmes de furacão, tornados e tempestades que tentam ser o novo Twister à todo custo e que podem, ocasionalmente, injetar alguma dose de diversão quando temos alguém tão acostumado com a movimentação e manipulação de efeitos visuais (não que Cohen seja referência nisso) para dar vida a ideia de aliar essa vibe de filme catástrofe com uma narrativa paralela envolvendo um assalto de 160 milhões(?!).

No caso, Will (Toby Kebell, de Black Mirror) é um meteorologista que dá sinal vermelho para as autoridades de uma pequena cidade norte-americana sobre a chegada de uma tempestade devastadora. Em algum momento, Will e seu irmão Breeze (Ryan Kwanten), com quem tem uma mágoa do passado (e pasmem, também envolvendo uma tempestade), irão dar de contra com o andamento de um assalto contra a sede do Tesouro Nacional, ode os assaltantes dependem da agente Casey (Maggie Grace) para abrir o cofre, já que ela é a única detentora dos códigos de acesso.

Há um claro apelo em No Olho do Furacão para atrair o mais médio dos públicos, e não há nenhum problema nisso quando o único objetivo de divertir se faz tão claro diante da proposta. Mas vocês estão lendo as palavras de um crítico que sempre renegou o posicionamento do “é só desligar o cérebro e embarcar”, pois acreditem, mesmo o mais descompromissado dos filmes necessita de algum cérebro para não se deixar engolir pela banalidade e respeitar minimamente a inteligência do público, algo que os roteiristas Scott Windhauser e Jeff Dixon parecem piamente pensar o contrário. A começar pelo fato de que No Olho do Furacão se leva a sério de tal forma que não deveria, e o revirar do estômago já têm início com a pincelada dramatúrgica dos dois irmãos protagonistas, que nada mais passam de um arremedo de motivações para que os irmãos despertem alguma empatia no público, e isto com direito ao rosto de Lord Voldemort se formando no meio da tempestade e tudo.

E mesmo a má qualidade da computação gráfica (cheguei a acreditar que tudo se passa no mesmo universo de Sharknado, pois JURO que só faltaram os tubarões) que poderia jogar à favor de Cohen nas cenas de ação apenas acentua a bizarrice canhestra das situações elaboradas, uma vez que não há qualquer noção de movimentação por parte do diretor para que possamos compreender o que se passa na tela ou mesmo sentirmos alguma adrenalina. Quando a tempestade definitivamente assume seu protagonismo no clímax, Cohen parte para um novo nível de absurdo que jamais se justifica e causa níveis de constrangimentos cavalares, em especial quando os personagens saem com arranhões mínimos no rosto mesmo estando debaixo da enorme tempestade.

Há, é claro, o inevitável potencial cômico de No Olho do Furacão diante de tanta suspensão da descrença, em especial quando os personagens se vêem pendurados por cabos e sendo puxados pelo furacão, balançando no ar, ou mesmo a calota do carro que se transforma num maravilhoso bumerangue assassino. Não é difícil comprar a ideia de um filme como No Olho do Furacão, mas a prepotência do conjunto da vez em se deixar emburrecer a tal ponto minam o potencial de entretenimento de mais um filhote de Twister.

No Olho do Furacão (The Hurricane Heist, EUA – 2018)
Direção: Rob Cohen
Roteiro: Scott Windhauser, Jeff Dixon, baseado em argumento de Anthony Fingleton e Carlos Davis
Elenco: Toby Kebbell, Maggie Grace, Ryan Kwanten, Ralph Ineson, Ben Cross
Duração: 103 min.

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4 comentários

pabloREM 11 de junho de 2018 - 13:35

A ideia do assalto me lembrou Tempestade (Hard Rain), filme de 1998 com o Christian Slater de mocinho e o Morgan Freeman de bandido, só que lá era uma enchente.

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Rafael W. Oliveira 11 de junho de 2018 - 15:46

@pabloREM:disqus lembro bem desse filme! Assistia algumas vezes nas tardes do SBT, pelo que me recordo.

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Huckleberry Hound 10 de junho de 2018 - 07:13

Sharknado era tão ruim que é bom já esse é só ruim mesmo!

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Rafael W. Oliveira 11 de junho de 2018 - 15:48

Sharknado é um negócio tão charmoso na picaretagem… Rob Cohen não lambe nem a sola do sapato do nosso tubarão.

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