Crítica | Norman McLaren: Surrealismo (diversos curtas)

Surrealismo é o segundo volume da coletânea de curtas do diretor Norman McLaren lançados pela Magnus Opus. Os filmes desse volume abordam suas experiências mais formais e nonsenses em estúdio. Para expor detalhadamente essa parte da obra, optei por fazer uma pequena crítica para alguns dos curtas, ao invés de tecer uma opinião geral sobre todos eles, o que seria bastante reducionista e generalizador.

Stars and Stripes (1940)

Sob uma alegre marcha, a tela se enche de padrões e borrões desordenados de linhas e estrelas de todos os tipos, chegando até aludir a fecundação de um óvulo no final do curta. O filme foi desenhado em película branca e as cores foram adicionadas no processo de pós-produção. Algo curioso para um filme de formas em ebulição é que o título de abertura, em preto, sob uma cartela azul, aparece em oito idiomas diferentes. Stars and Stripes é um curta divertido com uma ótima exposição de um caos ordenado das formas já anunciadas no título, sob uma enorme paleta de cores e ampla variação de ritmos.

Dots (1940)

É engraçado como um filme não precisa, necessariamente, de muita coisa para ser bom. Esse pequeno curta de três minutos é um ótimo exemplo. Trata-se de uma animação de pontos realizada sobre um fundo de cor única. Com o andar da música, vemos os “pontos de tinta” explodirem na tela e se multiplicarem ou desaparecerem. Mais uma vez ressaltamos a relação da imagem com a música em um filme de McLaren, e como essa sincronia traz o ritmo perfeito para o espectador. Um fato interessante a acrescentar é que curtas do diretor como Boogie Doodle e Loops (ambos de 1940), que trabalham com o mesmo princípio de Dots, não são tão interessantes assim.

Hen Hop (1942)

Maravilhosa e divertida animação ao som de uma música country. No início do curta temos apenas algumas linhas e formas não identificáveis, mas um pequeno ovo ganha pernas e uma galinha é desenhada com as linhas soltas, e todo o restante do filme irá dançar e “sapatear” de todos os modos possíveis. Uma das coisas mais interessantes é a mudança de ângulo do animal na tela, o olho e os pés mudando de lugar e por vezes se deslocando, tamanho o poder da dança. Além de engraçada, a música e a animação são muito animadas, e é impossível o próprio espectador não fazer uma dancinha enquanto assiste.

Short and Suite (1959)

Um belo e pequeno concerto de jazz com animações que misturam pixeis, riscos sobre película e linhas horizontais (experiência que o diretor já fizera anteriormente com o intuito de criar um modelo diferente de acompanhamento para a música) formam esse curta metragem belo e interessante de McLaren. Cada “estrofe” da música aparece sobre um plano de fundo com cor diferente, e os solos são acompanhados por um tipo específico de animação. Ao final, com a aceleração do ritmo, dois bonecos aparecem como dançarinos, e finalizam o curta. Simples, musical e divertido.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.