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Crítica | Noturno (Nocturne)

por Guilherme Rodrigues
982 views (a partir de agosto de 2020)

O cenário artístico pode ser bem competitivo, e essa competição tem sido cada vez mais o foco de obras cinematográficas de diversos tipos. Cisne Negro mostra o desgaste mental que a busca pelo holofote no mundo do balé pode causar, e Whiplash retrata o abuso emocional envolvido em certos ambientes musicais. Outra adição recente a esse campo é A Perfeição, que mostra a briga entre duas “amigas” para serem uma melhor que a outra, só que mais calcada no cinema de gênero do que as obras prévias citadas, levando a competição a níveis extremos e violentos.

E agora, temos Noturno, que faz parte da parceria entre a Amazon e Blumhouse intitulada Welcome to Blumhouse. No longa, acompanhamos a história das irmãs gêmeas Juliet (Sidney Sweeney) e Vivian (Madison Iseman) que dedicaram toda sua vida a música, especificamente ao piano. Juliet começou mais cedo e é dedicada, mas todos os olhos se voltam para o talento de Vivian, que conseguiu ser aceita em uma das universidades de arte mais conceituadas dos Estados Unidos, Julliard. Juliet passa a se sentir inferior e invejar tudo que a irmã tem, mas a sorte dela começa mudar quando adquire o caderno de música de uma estudante que havia cometido suicídio. No caderno, uma série de símbolos e desenhos grotescos, mas que podem oferecer a protagonista o que ela tanto deseja, mas o preço pode ser alto.

Há muitos elementos a serem minados nessa história. Uma boa rivalidade entre irmãos, se bem explorada, pode render bons momentos dramáticos, a pressão psicológica por sempre ser o melhor e mais perfeito, idem. Além de claro, a presença sobrenatural que começar a interferir na vida de Juliet. Se tudo isso, isoladamente, pode render uma boa narrativa, o resultado de combiná-las pode ser interessante.

Infelizmente, não é bem o caso, e a diretora estreante constrói um drama pálido – tanto visual quanto narrativamente – que nunca realmente encontra uma coesão entre seus elementos. Os elementos de terror são tão tímidos que, por vezes, até me esqueci que eles estavam lá. Isso acaba por erodir a potência dos outros aspectos da trama, que até encontram uma sintonia melhor, mas ao insistir nos elementos mais genéricos da trama, nunca crescem de modo apropriado.

Nos poucos momentos em que a trama se foca no lado mais humano, quase funciona, mesmo com o pouco aprofundamento da relação entre as irmãs fora da competitividade, mas as atrizes conseguem vender muito bem a personalidade de cada uma, e os momentos que elas se confrontam chegam a ser interessantes. Próximo ao final da produção, Vivian para Juliet que não entende como a irmã pode ser tão agressiva com ela, e é possível ver em seus olhos a dor que a situação lhe causa. Já Sweeney transmite muito bem as duas fases de sua personagem, a frágil e insegura, assim como a arrogante.

No fim de tudo, há e, Noturno uma boa mensagem sobre como a competitividade distorce a perspectiva das pessoas em relação ao mundo em sua volta. Isso já poderia ser aterrorizante o bastante por si só, sem a necessidade de alucinações genéricas e desenhos sombrios.

Noturno (Nocturne, 2020)
Direção: Zu Quirke
Roteiro: Zu Quirke
Elenco: Sidney Sweeney, Madison Iseman,Jacques Colimon, Ivan Shaw, Brandon Keener, John Rothman.
Duração: 90 min.

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