Crítica | Novas Aventuras do 7º Doutor – 1ª Temporada

O 7º Doutor teve a sua boa cota de “Novas Aventuras” no Universo Expandido de Doctor Who, passando pelos quadrinhos, pelos livros e agora, com um título que literalmente se refere a essa abordagem, chegando à Big Finish, onde o mesmo Doutor já tem uma longeva e prolífica trajetória de aventuras. Fica claro, portanto, que as 4 histórias que compõem esta 1ª Temporada da série se passam muito tempo depois de Survival e um tempo considerável antes da regeneração dele, em O Senhor do Tempo. Também vale dizer que em todos os episódios o Doutor está acompanhado de Chris Cwej e Roz Forrester.

O primeiro episódio, The Trial of a Time Machine, escrito por Andy Lane, tem uma das premissas mais diferentonas da temporada. Tudo começa com a TARDIS colidindo com uma outra nave em pleno vórtice temporal. Em decorrência disso, acaba se materializando no planeta Thrantas, que tem um tratamento legislativo muito peculiar em relação aos seus criminosos e principalmente à viagem no tempo. Gosto da premissa e da primeira parte desse episódio, mas não tanto da finalização. O roteiro escolhe um momento orgânico, de uma conversa entre os companions, para lançar as sementes do que veríamos como tema no decorrer do capítulo, algo bem parecido com o ponto de partida do último episódio, e leva isso muito bem até certo ponto. A história de julgamento da TARDIS e as viagens temporais me pareceram oportunidades desperdiçadas e penso que se uma história assim estivesse considerada para um capítulo maior, na Main Range, por exemplo, teríamos um resultado bem mais interessante.

Em Vanguard, de Steve Jordan, chegamos a um planeta devastado pela guerra entre os Dauntless e os Intrepid. Assim como no episódio anterior, a ambientação é muito bem realizada e o drama de guerra tem uma enorme força, mesmo com as complicações de ordem pessoal e comportamental que vemos no meio da narrativa. Ao estabelecer os lados inimigos, o autor conseguiu manter o interesse pelas duas partes em luta e ainda criar uma variedade de vilões ou suspeitos, mantendo a trama viva e cheia de implicações para todos,  apesar de trazer amarras desnecessárias na reta final.

Já nos dois episódios finais a situação muda um pouquinho de figura, com capítulos que trazem um maior número de problemas, coisas que vão do estranho desfile de coadjuvantes até a insistência no terror fácil (com direito a uma boa coleção de jump scares) no episódio final. The Jabari Countdown, escrito por Alan Flanagan, se passa em uma ilha misteriosa que reúne um grupo de matemáticos contratados para pesquisarem uma forma de vencer os nazistas na Segunda Guerra Mundial. Aqui o problema é de não aproveitamento do evento. Não dá para aceitar uma obra ambientada na 2ª Guerra que não faça uso verdadeiro desse acontecimento. Talvez por isso o meu interesse minou rapidamente nesse história e eu não via a hora de que terminasse logo, mesmo com um certo “grande plano” que estava por trás de todos esses profissionais da matemática aqui.

Fechando a temporada temos The Dread of Night, escrito por Tim Foley. Este é o enredo de terror da saga, talvez o que mais caprichos o diretor Scott Handcock, responsável por todos os 4 episódios da temporada, tenha colocado em cena, se esforçando para assustar o espectador e fazer valer a narrativa de atmosfera claustrofóbica. O medo impacta em uma porção de cenas, mas o princípio para o susto se torna repetitivo, e eu sempre tenho problemas com histórias de espíritos escondidos ou entidades que ficam “testando” os outros, porque me dá a impressão que depois de estabelecido o problema, pouca coisa acontece e o roteiro fica apenas rondando o assustador de um lado, e os assustados de outro. Não é um final ruim de temporada, mas aquém daquilo que os dois primeiros episódios sugeriram que seria.

The Seventh Doctor: The New Adventures (Reino Unido, 15 de novembro de 2018)
Direção: Scott Handcock
Roteiro: Andy Lane, Steve Jordan, Alan Flanagan, Tim Foley
Elenco: Sylvester McCoy, Yasmin Bannerman, Travis Oliver, Liz Sutherland-Lim, Vikash Bhai, John Heffernan, Mina Anwar, Sara Powell, Olivia Morris, Connor Calland, Jacob Dudman, Janine Duvitski, Leonie Schliesing, Franchi Webb, Rupert Young, Silas Carson, Melanie Kilburn, Rhian Blundell, Elaine Fellows, Ellie Darvill
Duração: 4 episódios de c. 58 min. cada

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.