Home QuadrinhosArco Crítica | Novos Deuses #1 a 5 (1971)

Crítica | Novos Deuses #1 a 5 (1971)

por Luiz Santiago
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Servindo de história paralela às aventuras do Povo da Eternidade, a revista New Gods estreou também no mesmo período, no início de 1971, e em muitos aspectos mostra outros ângulos da primeira jornada de Darkseid e seus asseclas na Terra, à procura da mente que poderia resolver a Equação Anti-Vida.

A primeira edição (com capa de março de 1971), Orion Fights for Earth!, chegou às bancas em 22 de dezembro de 1970, trazendo a grande novidade dos Novos Deuses, os indivíduos nascidos em Nova Gênese ou Apokolips. Com uma rápida e inteligente história de origem, mostrando o fim da Era dos “antigos deuses” e, em seguida, a chegada dos novos, temos uma grande sequência de primeiras aparições, todas bem inseridas na história e sem a preocupação didática de mostrar detalhes ou caraterísticas gerais desses personagens logo de início. Na primeira edição, que é a melhor de todo o bloco de revistas dos ND lançadas em 1971, Jack Kirby teve total domínio do roteiro e se empenhou muito em criar uma grande dualidade entre os dois planetas com raças diferentes, surgidas após o crepúsculo de outras “divindades”.

Dentre os Novos Deuses, aparecem pela primeira vez aqui, Izaya, o Pai celestial; Lightray (Magtron); Metron e sua cadeira (ou poltrona) de Mobius, e Órion. Dentre os habitantes e criaturas do mundo de Darkseid, estrearam aqui Kalibak, Parademônios, Cavalaria Canina e os miseráveis chamados de “Cães Famintos”. Por fim, além da primeira aparição dos já citados planetas Nova Gênese e Apokolips, temos na primeira edição a presença dos quatro humanos que carregam o segredo da Equação Anti-Vida. Os quatro que irão estragar praticamente metade das edições seguintes.

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Do epílogo dos Antigos Deuses à aurora dos Novos de Nova Gênese e Apokolips. 

Após a brilhante edição #1, a narrativa vai ganhando um ar menos interessante, porque, talvez por algum tipo de premissa obrigatória colocada pelo editor executivo da DC na época, Carmine Infantino (e não podemos culpar mais ninguém “abaixo” dele além do próprio Kirby, que desenhava, escrevia e era o seu próprio editor nessa revista — assim como em Povo da Eternidade e Senhor Milagre), a presença dos Novos Deuses na Terra, andando com os absurdamente chatos 4 humanos salvo por Órion em Apokolips, disfarçando-se e enfrentando problemas cósmicos, diminuem e muito a vontade de o leitor em acompanhar a obra. E o problema é exatamente a narrativa exclusivamente terrestre, porque sempre que o texto mostra algum obstáculo fora de nossa órbita, como a apresentação do Corredor Negro, na edição #3, a coisa muda completamente de figura e o texto volta a ficar muito interessante.

Contudo, mesmo que perca força no roteiro por dar muita atenção a tramas na Terra e às vezes colocar em segundo plano os problemas dos Novos Deuses, Kirby jamais perde o passo na arte. Ainda mais grandiosa do que em Povo da Eternidade, sua jornada visual aqui investe na criação de novos tipos de bombas, meios de transporte absurdamente inteligentes e “deuses” com poderes e ações impensáveis. Os maiores destaque desta fase vão para o Pai Celestial e para Metron, em sua constante busca por conhecimento, singrando o Universo em sua cadeira, querendo mais e mais informações a respeito de tudo o que acontece, em qualquer ponto do cosmos.

Novos Deuses foi uma criação muitíssimo interessante, mas suas histórias, ao menos neste primeiro ano, só funcionaram bem quando os enredos focaram de fato nos personagens-título. Os disfarces, a insuportável presença dos humanos salvos por Órion e as cenas na Terra parecem não se misturar tão bem à proposta, como foi com o Povo da Eternidade. Ainda assim, esta jornada número um consegue se manter em um bom nível, afinal de contas, mesmo aparecendo bem menos do que deveria, o Universo dos Novos Deuses é simplesmente encantador.

Novos Deuses #1 a 5 (New Gods Vol.1 #1 – 5) — EUA, março a novembro de 1971
DC Comics

Roteiro: Jack Kirby
Arte: Jack Kirby
Arte-final: Vince Colletta / Mike Royer (apenas edição #5)
Letras: John Costanza / Mike Royer (apenas edição #5)
Editoria: Jack Kirby
Capas: Jack Kirby / com Mike Royer na edição #5
24 páginas (cada edição)

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8 comentários

Doc Zumbério 1 de abril de 2021 - 16:53

Off:O PIOR ACONTECEU.
CANCELARAM O FILME DOS NOVOS DEUSES,E NÃO É PEGADINHA TA LA NO SITE DO THE HOLLYWOOD REPORTER.

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Luiz Santiago 26 de julho de 2018 - 22:14

Nem que seja pra conhecer, vale a pensa, viu!

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Henrí Galvão 26 de julho de 2018 - 14:03

Sinceramente, não me empolguei nem mesmo quando essas histórias focaram no universo dos Novos Deuses. Não sei bem por quê (talvez seja falta de familiaridade com os quadrinhos dos anos 70).

De qualquer forma, ainda pretendo conferir também as primeiras histórias do Senhor Milagre, já que numa outra resenha você diz que elas são melhores que as demais dessa primeira leva de HQs do Quarto Mundo.

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Luiz Santiago 26 de julho de 2018 - 14:57

@henrigalvao:disqus pode ser falta de familiaridade, mas também pode ser aquela coisa da conexão pessoal mesmo. Tem alguns tipos de história que realmente não dialogam com a gente, né. Isso acontece comigo às vezes. Não foi bem o caso aqui. Como você viu no texto, tem coisas que achei muito legais, embora seja, ao menos nesse começo, a revista do Quarto Mundo que menos me agradou. Já leu o Povo da Eternidade?

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Henrí Galvão 26 de julho de 2018 - 19:04

Pois é, a história como um todo não me tocou. Acho também que eu criei muita expectativa antes da leitura, por conta de toda a badalação em torno do Jack Kirby.

Ainda não conferi O Povo da Eternidade. Vi que você escreveu uma resenha a respeito, mas ainda não li. É bem capaz de eu dar uma chance a essas HQs também.

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planocritico 25 de setembro de 2017 - 16:36

Acho que você fisgou exatamente a razão pela qual eu nunca dei bola para Novos Deuses. Enquanto o assunto é “divino”, Kirby manda bem. Quando o assunto se torna “terreno”, fica sem graça demais… Lembro de ter lido uma meia-dúzia de histórias deles desse começo e, não fosse a arte, teria dormido… (ok, um exagero, mas você entendeu)

– Ritter Izaya.

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Luiz Santiago 25 de setembro de 2017 - 18:50

Siiiiim, entendo perfeitamente o que você diz. De fato fica maçante, quase dá sono mesmo.

Luiz Órion

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