Crítica | Nude Nuns with Big Guns

É sintomático que, quando Nude Nuns with Big Guns é pesquisado no IMDb, as sugestões do site indiquem coisas como Nude Interviews, As Strippers Zumbi, Monjas Pecadoras e, claro, Pure Nude Yoga: Zen Garden Goddess. Em outras palavras, os chamados exploitation movies, que estouraram lá pelo final dos anos 60 e ao longo dos anos 70, estão muito bem, obrigado, literalmente formando um submundo vasto que fica ali na fronteira entre a pornografia e o Cinema. Há, afinal, espaço para tudo nesse nosso vasto mundo cinematográfico.

Um filme com o título Freiras Peladas com Armas Avultadas (gostaram de minha tentativa de manter a poesia do original?) que oferece exatamente o que está nele poderia mesmo ter sido estrelado por um elenco pornô, isso se não for efetivamente estrelado por um (eu, aham, nunca vi filmes pornôs pelo que não saberia dizer…). Essa trasheira, no entanto, consegue ficar ainda abaixo dos exploitation movies mais clássicos que ofereciam peitos, bundas e misoginia na mesma proporção que sangue, tripas e sadismo, pois não há qualquer tentativa, por mais longínqua que seja, de criar algo que tenha um resquício artístico aproveitável.

Nude Nuns with Big Guns é, mal comparando (porque é um pecado imperdoável citar alguma obra de Tarantino na mesma frase dessa porcaria), um Kill Bill vagabundo e sem noção que leva 80 minutos a mais do que deveria levar pela completa falta de história para além do “filme de vingança” e pela mais absoluta tosquidão amadora (em oposição à tosquidão boa) em cada fotograma. Sei que muitos poderão pensar coisas como “ah, mas o filme não tinha objetivo de ser complexo” ou “o crítico não entendeu o propósito” e essa postura “bebê chorão” até seria aceitável se não houvesse uma quantidade enorme de trasheiras pornô-soft infinitamente superiores a isso aqui.

Em seu filme, o cineasta (perdoem minha licença poética ao chamá-lo assim) Joseph Guzman simplesmente pega uma coleção de fetiches doentios – que começa, claro, pela manutenção da freira Sarah, dada em “pagamento” pelo furto de um carregamento de drogas fabricadas em um convento sob a supervisão de padres, como escrava sexual – e descarrega tudo em algo que mais ou menos lembra um produção cinematográfica, com vagas noções de montagem e direção de fotografia e mais vagas ainda noções de atuação, especialmente por parte de Asun Ortega, que faz a tal freira que sai para vingar-se de seus captores usando seu hábito, duas pistolas gigantescas e uma hilária cara de enfezada (entendam o adjetivo em sua literalidade aqui, por favor).

Na verdade, mesmo fazendo esforço para glosar as questões acima, o filme realmente consegue ser lento demais, com desvios narrativos desnecessários que estão ali somente para para suportar sua duração, com a ação tornando-se extremamente repetitiva, quase como se o roteiro de no máximo duas páginas tivesse sido colocado em loop para economizar palavras. É algo como uma sucessão infinita de “estupro quase explícito seguido de frases cafajestes de efeito seguidas de ameaças seguidas de morte com sangue obviamente falso”.  Embaralhe, troque o cenário (mas não muito) e repita.

Em poucas palavras, Nude Nuns with Big Guns não consegue nem mesmo oferecer uma bobagem descerebrada trash para queimar 91 minutos de vida de espectadores que não querem mais nada além disso. Ao contrário, o filme não só é material exclusivo para masturbação doentia, como é ruim mesmo em um cenário em que isso seja o único objetivo. É mais honesto procurar logo um bom e velho pornozão mesmo…

  • Crítica feita depois de súplicas do Luiz Santiago, que assistiu o filme duas vezes, adorou sem reservas, mas estava com vergonha de fazer a crítica.

Nude Nuns with Big Guns (EUA, 2010)
(Completa falta de) Direção: Joseph Guzman
Roteiro (não me faça rir): Joseph Guzman, Robert James Hayes II
Elenco (se é que dá para chamar disso): Asun Ortega, David Castro, Perry D’Marco, Maxie Santillan Jr., Sarah Emmons, Aycil Yeltan, Emma Messenger, Bill Oberst Jr., Maz Siam, Xango Henry, Robert Rexx, Jessica Elder
Duração: 91 min. (ou seja, uns 80 minutos mais longo do que precisava ser)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.