Crítica | O Adversário Secreto (1983)

O Adversário Secreto (1983) plano crítico

Adaptação de Tony Wharmby para a ITV britânica, O Adversário Secreto (1983) é um dos projetos mais fiéis à fonte que eu já tive a oportunidade de ver, e nesse caso é ainda mais interessante, porque a obra original não é exatamente um livro “fácil” de se adaptar, pois trabalha com diversos caminhos políticos e passa por uma grande teia de acontecimentos, fugas, prisões e investigações até que o tal adversário secreto seja descoberto. Na literatura, isso funciona bem, mas passar isso para as telas exige um grande cuidado.

Com James Warwick e Francesca Annis nos papéis de Tommy e Tuppence, respectivamente, esta versão televisiva começa tratando a aventura como um drama de espionagem e de boicotes políticos já a partir do desastre do Lusitânia que temos no livro, e o melhor de tudo é que o roteiro de Pat Sandys sabe levar adiante essa premissa, deixando claras as relações e a origem do almejado documento que pode mudar para sempre a História do Reino Unido. Claro que o caminho mais íntimo do roteiro impede que se desenvolva as relações políticas dos personagens centrais, o que torna a linha de suspeitos um pouco menos instigante, mas ainda assim o texto consegue fechar bem o arco de Mr. Brown com uma excelente cena de ‘retirada de máscaras’.

Francesca Annis está muito bem no papel, mas não consegui gostar quase nada de James Warwick, que me pareceu muito sem vida e muito sem graça para interpretar Tommy. Quem se destaca bem mais nesse aspecto é Gavan O’Herlihy, que interpreta o ricaço americano e primo de Jane Finn, Julius P. Hersheimmer. Ele traz para a tela a seriedade e ao mesmo tempo a desconfiança do personagem, além de alguns bons momentos de grande simpatia, algo que nem quando percebe que é o queridinho da protagonista, Warwick consegue transmitir.

Grande destaque também para Honor Blackman, que vive a cativante e autoritária Rita Vandemeyer. Ela tem poucas cenas, mas impõe facilmente sua presença. Eu ainda preferia que a obra focasse mais em momentos importantes como a sua morte ou relações bem mais intricadas dela com “um certo homem do governo”, mas a atmosfera de medo e dos tais ouvidos do Mr. Brown por todos os lados consegue ser passada facilmente durante a fatídica sequência, que tem um bom retorno no fechamento da obra, com atmosfera pesada, fotografia escura e trilha sonora macabra, como deveria ser.

A jornada para a descoberta do aproveitador político a fim de causar o caos é um assunto secundário nessa adaptação. Mesmo sendo muito fiel ao livro, o telefilme varia bastante no foco em alguns temas/personagens e também no tempo de tela que dedica a cada um. Como levantei antes, seria bom que as relações desses personagens entre si e com o governo fossem melhor delineadas, a fim de causar um choque maior e dar a grande dimensão do que esse tipo de documento perdido — e por todos procurado — poderia trazer de consequências para uma nação. No entanto, a abordagem de dois espiões amadores, cercados de “peixes grandes”, conseguiu manter a essência da obra de Agatha Christie, gerar muita tensão e garantir uma boa diversão.

The Secret Adversary (Reino Unido, 1983)
Direção: Tony Wharmby
Roteiro: Pat Sandys (baseado na obra de Agatha Christie)
Elenco: James Warwick, Francesca Annis, Gavan O’Herlihy, Alec McCowen, Honor Blackman, Peter Barkworth, Toria Fuller, John Fraser, George Baker, Donald Houston, Joseph Brady, Wolf Kahler, Reece Dinsdale, Peter Lovstrom, Matthew Scurfield
Duração: 115 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.