Home FilmesCríticas Crítica | O Agente da U.N.C.L.E. (2015)

Crítica | O Agente da U.N.C.L.E. (2015)

por Lucas Nascimento
670 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

É impressionante como 2015 tem se mostrado um ótimo ano para o gênero da espionagem. Já em fevereiro, a comédia de ação Kingsman: Serviço Secreto pegou todos de surpresa ao apostar numa abordagem refrescante e empolgante. Dois meses depois, Melissa McCarthy nos fez crer que era realmente engraçada com A Espiã que Sabia de Menos, que também funciona como uma eficiente sátira dos clichês do gênero. Aí o maluco Tom Cruise chega com Missão:Impossível – Nação Secreta, que traz algumas das melhores cenas de ação do ano e um ritmo vibrante, mesmo em se tratando do quinto filme da série. E, agora, é a vez de Guy Ritchie brincar com O Agente da U.N.C.L.E., revelando-se uma divertida homenagem ao espião dos anos 60.

A trama começa em plena Guerra Fria, quando o agente da CIA Napoleon Solo (Henry Cavill) é forçado a se unir com o agente da KGB Illya Kuryakin (Armie Hammer) para uma missão que envolve impedir remanescentes nazistas de lançar uma bomba nuclear. Com diferentes estilos e ideologias, a dupla ainda precisa proteger um importante contato, a mecânica Gaby Teller (Alicia Vikander).

De todos os filmes citados ali em cima, U.N.C.L.E. certamente é o que segue a fórmula mais tradicional. Um roteiro que traz situações simples e sem muita profundidade, mas que funcionam graças a estereótipos consagrados (a femme fatale de Elizabeth Debicki é visualmente hipnotizante, mas vazia como uma bexiga) e a deliciosa atmosfera retrô. A fotografia em película de John Mathieson captura com perfeição o look dos anos 60, com a imagem levemente granulada e cores dessaturadas, enquanto a trilha sonora absolutamente genial de Daniel Pemberton (um nome para ficarmos de olhos bem abertos) fornece uma identidade sonora única; ao mesmo tempo em que a seleção incidental de Richie oscila inteligentemente entre Nina Simone e Tom Zé.

O próprio Solo de Cavill é uma versão mais debochada e malandra do James Bond de Sean Connery, o que rende uma excelente performance do ator e um contraponto visível com o Illya de Hammer. A irreverência de Solo chega no ponto em que este simplesmente se abriga em um caminhão e toma vinho, enquanto o parceiro enfrenta uma mortal perseguição de lancha, ou quando percebe ter sido drogado, e logo se deita no sofá de seu captor para evitar bater a cabeça no chão. Já Hammer é o exato oposto, e isso já fica evidente em seu figurino mais “capanga”, contra o impecável terno de Solo, e o esforçado ator entrega um sotaque russo convincente e que diverte por seu constante comportamento carrancudo. Ver os dois agindo juntos rende os momentos mais ricos da produção, que também não precisa apelar para um bromance estranho – como o próprio Ritchie fizera com Sherlock Holmes e Watson em suas versões do detetive de Arthur Conan Dyle.

Como diretor, Ritchie encontra-se bem mais contido do que suas surtadas cômicas em Snatch ou  Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. Tudo bem que o diretor e roteirista insiste em apostar em sua batida técnica de repetir cenas para nos revelar “um truque de mágica” escondido ali (mesmo que este seja bem perceptível algumas vezes, como a primeira aparição de Hugh Grant), mas, no geral, é uma condução segura e elegante, especialmente em sequências como o encontro inicial entre Solo e Illya no Muro de Berlim ou uma corrida contra o tempo claramente inspirada em Curtindo a Vida Adoidado. Só deixo registrado aqui que U.N.C.L.E. tem a perseguição de carro mais estranha que já vi na vida, como se Goddard resolvesse bagunçar toda a disposição espacial e cinematográfica desse tipo de cena.

O Agente da U.N.C.L.E. é entretenimento de primeira, promovendo uma palpável reconstrução da atmosfera da Guerra Fria e uma química divertidíssima entre seus protagonistas, que fazem valer qualquer absurdo ou clichê. Em um bom ano para agentes secretos, agora é esperar que James Bond não decepcione…

O Agente da U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E., EUA/Reino Unido – 2015)
Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Guy Ritchie, Lionel Wigram
Elenco: Henry Cavill, Armie Hammer, Alicia Vikander, Elizabeth Debicki, Hugh Grant, Luca Calvani, Sylvester Groth, Jared Harris, Christian Berkel, Misha Kuznetsov, Guy Williams
Duração: 116 min.

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18 comentários

Crítica | Magnatas do Crime – Seu Negócio no Topo 24 de abril de 2020 - 19:52

[…] referenciais que tornam a experiência ainda mais gostosa, coisas que vão do poster de O Agente da U.N.C.L.E. (2015) numa cena onde faz todo sentido que ele esteja lá, até o uso de filmes como […]

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H-Alves 23 de setembro de 2018 - 11:09

Ahhhh cadê a continuação desse filme maravilhoso?

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Andrey Hugo 14 de maio de 2016 - 01:48

Um dos melhores filmes do ano passado na minha opinião. Lembro que cheguei no cinema meio no escuro pra ver esse filme e acabei me divertindo muito.
Os protagonistas e, principalmente, a trilha sonora, fizeram o ingresso valer muuito a pena(a cena do Cavill no caminhão é sensacional!).

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Andrey Hugo 14 de maio de 2016 - 01:48

Um dos melhores filmes do ano passado na minha opinião. Lembro que cheguei no cinema meio no escuro pra ver esse filme e acabei me divertindo muito.
Os protagonistas e, principalmente, a trilha sonora, fizeram o ingresso valer muuito a pena(a cena do Cavill no caminhão é sensacional!).

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2015: Os Melhores dos Melhores | Lucas Filmes 21 de dezembro de 2015 - 13:31

[…] O Agente da U.N.C.LE. […]

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Régis Valker 21 de novembro de 2015 - 22:18

Na minha humilde opiniao achei uns dos melhores do ano. E olha que assisto muitooooos filmes e series

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Lucas Nascimento 21 de novembro de 2015 - 23:10

Definitivamente foi uma das grandes surpresas!
Achou o melhor filme de espião de 2015, Régis?

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Régis Valker 22 de novembro de 2015 - 12:25

Achei sim. Tambem foi uma grande surpresa pra mim, pois achei que seria mais um filme antigo e chato e acabei rindo em algumas partes e com atençao presa em outras.
O carisma dos atores é surreal em relação a outros que assisti. Ate o personagem mais serio ( o espiao russo) entrou na graça do filme.
E a proposito não asssiti muitos filmes de espião, mas achei esse filme um dos melhores que assisti esse ano.
Qual melhor filme voce assistiu esse ano Lucas nascimento?

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Lucas Nascimento 22 de novembro de 2015 - 13:54

O elenco é sem dúvida o grande charme da produção. Henry Cavill e principalmente Armie Hammer ainda são um pouco subestimados em Hollywood.

Cara, meus preferidos certamente são Divertida Mente, A Travessia e Mad Max. Kingsman e Missão Impossível 5 também foram excelentes filmes de espião.

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Régis Valker 23 de novembro de 2015 - 16:22

Lembrou bem sobre o elenco do filme! Bom que parece que vai ter continuaçao pelo que foi visto no fim do filme.

Dos filmes que voce falou eu nao assisti ainda divertida mente por ser de desenho e não ter visto ninguem falar sobre ( algora vou assistir), a travessia realmente foi interessante, Kingsman foi muito bom mesmo (mas achei meio forçado algumas cenas mesmo com tanta tecnologia) e nao assisti missao impossivel por preguiça ainda..

Vou assisitir esses que faltam por curiosidade agora que vc falou que sao bons! kkk

Nao sei se ja assistiu “warriors”que conta a historia de dois irmaos lutadores.Nao sei de qual ano ele é, mas se nao viu, achei um dos melhores que ja vi.

Heleno Junior 2 de novembro de 2015 - 10:49

E dos filmes que você citou,concordo com o Kingsman e o Missão.Agora,A Espiã Que Sabia de Menos,a última coisa que consegue nessa vida é ser uma produção engraçada.A tal Melissa pode ser considerada o Leandro Hassun americano.Ela se esforça mas está longe de conseguir fazer rir.

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Lucas Nascimento 2 de novembro de 2015 - 13:49

Pior que odeio a Melissa, mas não sei o que aconteceu nesse Espiã… Gostei! Hahah

Abrax!

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Heleno Junior 2 de novembro de 2015 - 10:48

O filme é maçante,carece de uma sequência de ação que se torne referência.a trama é super-batida e o excesso de diálogos,muito papo e pouca ação entediam.Os próprios filmes do 007 dos anos 60,época retratada nesse obra,superam sem dificuldades esse filme.Mas a química do elenco é nítida,a direção de arte e os figurinos são legais.Só acho também que foi o filme lançado no momento errado,justo quando o cinema ainda respirava o Missão:Impossível 5.É o tipo de filme que não faria feio nos meses de janeiro ou fevereiro,época em que não existem grandes produções a estrear.Típico filme que se assiste e depois se esquece que viu.Não apostaria numa sequência,visto que fracassou nas bilheterias

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Lucas Nascimento 2 de novembro de 2015 - 13:48

Concordo quanto à ausência de ação, mas o que mais me interessa no filme são mesmo os personagens e as relações. E você foi certeiro em apostar que seria um melhor lançamento para janeiro; onde provavelmente renderia uma grana melhor.

Abrax!

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Matheus Fragata 2 de novembro de 2015 - 14:35

Dica: filme de ação pra você, Carga Explosiva 1,2,3,4,5,6,7,8,9

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Robson Costa 11 de outubro de 2020 - 08:05

Filme de espionagem, pra mim, não precisa ter muita ação, só momentos pontuais de ação. Precisa ter espionagem, sutileza. Espionagem é pra ser secreto, pra poucos verem os personagens sendo espiões, etc…

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Forsberg 6 de setembro de 2015 - 07:07

É uma pena que esse filme não rendeu nas bilheterias, daria uma ótima franquia. O pessoal hoje em dia só quer saber de filmes remakes ou continuações…Apesar de esse ser uma adaptação de uma série, mesmo assim, é um filme “original”.

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Lucas Nascimento 7 de setembro de 2015 - 15:46

Com toda certeza! Queria muito ver mais dessa interação Cavill e Hammer…

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