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Crítica | O Ataque das Cobras

por Leonardo Campos
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Serpentes são animais selvagens inesperados em ambientes urbanos, mas isso não impede que de vez em quando, um desses répteis rasteje e adentre as nossas casas e demais espaços de interação cotidiana. No Brasil, por exemplo, foram registrados mais de 30 mil casos de incidentes com serpentes a migrar para cidades no ano de 2019. A jararaca e a cascavel são os nomes mais presentes nos documentos que detalham tais interações que representam a inversão da relação animais, humanidade e natureza. Com a destruição de florestas e reservas, bem como invasões nocivas do homem ao ambiente selvagem, não resta outra “opção” aos bichos a não ser se deslocar para regiões com abundância de roedores, oferta decrescente por conta do desmatamento de outras ações destrutivas. Esse é o mote de O Ataque das Cobras, lançado em meados da década de 1970 e com discussão bastante atual. Plano Crítico.

Serpentes são animais selvagens inesperados em ambientes urbanos, mas isso não impede que de vez em quando, um desses répteis rasteje e adentre as nossas casas e demais espaços de interação cotidiana. No Brasil, por exemplo, foram registrados mais de 30 mil casos de incidentes com serpentes a migrar para cidades no ano de 2019. A jararaca e a cascavel são os nomes mais presentes nos documentos que detalham tais interações que representam a inversão da relação animais, humanidade e natureza. Com a destruição de florestas e reservas, bem como invasões nocivas do homem ao ambiente selvagem, não resta outra “opção” aos bichos a não ser se deslocar para regiões com abundância de roedores, oferta decrescente por conta do desmatamento de outras ações destrutivas. Esse é o mote de O Ataque das Cobras, lançado em meados da década de 1970 e com discussão bastante atual.

Sob a direção de John McCauley, guiado pelo roteiro escrito em parceria com Jerry Golding, O Ataque das Cobras é mais herdeiro do subgênero horror ecológico que ainda hoje encontra ressonâncias na indústria cinematográfica. O filme nos apresenta um inesperado ataque de cascavéis alteradas geneticamente depois do contato com uma substância química peculiar em uma cidade chamada Mojave, nos Estados Unidos. Modificadas, elas começam a atuar como assassinas impiedosas, num crescimento vertiginoso do seu grau de periculosidade já considerado elevado em estado natural. Para resolver a questão, o herpetologista Tom Parkinson (Sam Chew Jr.) é chamado para investigar as mortes que até então, apenas nós, espectadores, sabemos a origem. Ao passo que a sua análise ganha desdobramentos, descobre-se que as serpentes foram infectadas por um gás disseminado pelos militares.

Agora, a função é conter a população e estudar estratégias para diminuir os impactos das cascavéis assassinas. A polícia não sabe bem o que fazer e a cada novo ataque, as pessoas ficam mais desesperadas e sem esperança de resolução. Para ajudar Parkinson, a fotógrafa Ann Bradley (Elisabeth Chavet) torna-se a sua companheira de investigação, num óbvio interesse da narrativa em estabelecer o romance e o sexo esperado pelos espectadores, algo para preencher um pouco mais a história já batida sobre ataque animal, reiterada constantemente pelo cinema hollywoodiano após o estrondoso sucesso de Tubarão, de Steven Spielberg. A direção de fotografia da dupla formada por Irv Goodnoff e Richard Gibb, por sinal, é tributária do ponto de vista para economia no campo dos efeitos visuais. O tributo vale, mas não funciona como deveria.

A entrada de Bradley, por sinal, adiciona mais uma subtrama feminista pouco desenvolvida, mas com uma base dramática que daria ao filme um pouco mais de dignidade se tivesse sido abordada melhor pelo diretor. Em seus requisitos técnicos, a produção traz um eficiente trabalho no design de som, sempre com chocalhos que alegorizam a presença e a onipresença das serpentes em cena, trabalho que seria melhor exaltado se a trilha de Miles Goodman fosse menos burocrática e mais intensa artisticamente. O design de produção é outro setor que funciona bem dentro das limitações do próprio texto do filme, material que em si não oportuniza desempenhos formidáveis no campo da cenografia e da direção de arte.

Ademais, ao longo de seus 82 minutos, O Ataque das Cobras traz resquícios do cinema clássico de horror e seus monstros radioativos, prejudicados pelas forças humanas em constante destruição da natureza. A ação de militares e seus testes químicos oriundos da postura bélica dos estadunidenses perante o mundo guia os conflitos apresentados neste suspense bem abaixo da média, mas ainda assim, razoável enquanto entretenimento formatado dentro de regras dramáticas industrialmente rígidas, numa equação mais ou menos assim: acidente químico + contaminação + ataque de animais mutantes + população desinformada + políticos incapazes + polícia incompetente + heróis em busca de salvação diante das mortes escabrosas = a base comum do horror ecológico, dos mais criativos aos medíocres.

O Ataque das Cobras (Rattlers) — Estados Unidos, 1976
Direção: John McCauley
Roteiro: Jerry Golding
Elenco: Sam Chew Jr., Elisabeth Chavet, Dan Priest, Ronald Gold, Al Dunlap, Dan Balentine, Gary Van Ormand, Darwin Joston, Cary J. Pitts, Richard Lockmiller, Tony Ballen
Duração: 82 min.

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