Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | O Ataque dos Vermes Malditos (1990)

Crítica | O Ataque dos Vermes Malditos (1990)

por Luiz Santiago
564 views (a partir de agosto de 2020)

__ Damn it, listen to me. I’m older and wiser.

__ Yeah, well you’re half right.

Pensem num filme divertido de se ver. Pensaram? Agora adicionem uma grossa camada de loucura trash, temperem tudo com noções absurdas de sobrevivência em filmes de monstro e boom!… chegamos a O Ataque dos Vermes Malditos (Tremors, no original) um eco refigurado dos malacabados e malamunhados filmes de macho dos anos 80. E fui justamente na década de 1980, enquanto S.S. Wilson e Brent Maddock trabalhavam na Marinha Americana criando vídeos educacionais sobre segurança, que eles chegaram à seguinte pergunta, após subirem em uma larga rocha: “e se houvesse algo na parte de baixo que não nos deixasse descer?“. Brincando com o nome de “tubarões da terra”, a dupla levou a ideia para Ron Underwood, um amigo que trabalhava como diretor de documentários para a National Geographic.

Depois do sucesso de Short Circuit: O Incrível Robô (1986), primeiro roteiro de um longa-metragem escrito pela dupla, eles conseguiram levar a ideia dos “tubarões da terra” adiante, finalizando o tratamento inicial do então chamado “Beneath Perfection” em junho de 1988 e, após adições de Ron Underwood, tiveram a aprovação do material, cujas filmagens começaram no início de 1989, durando quase dois meses. A trama se passa na vila e no vale de Perfection, local isolado no meio do Estado de Nevada onde já no início da fita conhecemos os amigos Val (Kevin Bacon) e Earl (Fred Ward), dois ajudantes gerais quem não estão contentes com a vida que levam no local, e falam — aparentemente não pela primeira vez — de sair dali, mas ao que tudo indica, tiveram a ideia um pouco tarde demais.

Um dos grandes triunfos do roteiro de Tremors é expor com rapidez e muita competência a grande amizade existente entre Val e Earl, porque é a partir dessa amizade que veremos os “agarroides” causarem um verdadeiro caos na pequena cidade e matarem uma parte da já minúscula população local (14 pessoas). A escalação de todo o elenco aqui foi muitíssimo bem feita, mas Kevin Bacon e Fred Ward são realmente os grandes destaques, numa interpretação inteiramente à vontade de ambos, algo que facilitou a representação do roteiro, que para um filme despreocupado e de pegada trash como este, é muito bem fechadinho, com todas as piadas bem colocadas e retomadas como padrão de avanço da história ou evolução dos personagens na parte final da fita.

Com cenas majoritariamente realizadas em externas, o espectador tem uma percepção inteiramente livre e plenamente perigosa dos vermes malditos, que recebem um tratamento excelente por parte da equipe de design de criaturas e também da direção. Os efeitos sob a areia não são exagerados e, mesmo que tragam uma certa estranheza (produto da tecnologia e mesmo da abordagem para esse tipo de tragédia monstruosa no cinema da época), cumprem muito bem o seu papel. Nessa jogada, até mesmo os erros do roteiro conseguem ser equilibrados pela qualidade do suspense diante do que fazer com o ataque dos vermes. Observar os minhocões agirem com inteligência é um pouco demais para a situação, mas a exposição, no contexto da obra, até que faz sentido e novamente recebe um fechamento com uma piada apresentada ainda no início da fita. Um baita trabalho de construção cuidadosa de detalhes do roteiro.

Com reviravoltas inteligentes dentro de um pequeno núcleo de personagens e com uma inteligente exploração do espaço geográfico a favor do tema e do deslocamento dos indivíduos em fuga, Tremors é diversão garantida. Típico enredo de “amigos em base sitiada“, temos aqui uma abordagem que funciona na maioria dos seus aspectos de desenvolvimento, tropeçando mais na estranha ligação com a morte do casal que estava construindo uma casa e na abordagem inicial para Rhonda (Finn Carter), que depois acaba se integrando aos habitantes de Perfection e tendo um papel importante na luta contra os vermes, além de completar bem o arco de desenvolvimento do personagem de Kevin Bacon, que ao fim do filme, tem a opinião modificada sobre o seu tipo de “mulher dos sonhos”. É preciso ser um verme maior e mais asqueroso que os “agarroides” de Tremors para não gostar dessa trasheira absolutamente divertida — e que ainda estenderia seus tentáculos por diversas continuações no futuro! Quem diria que um filme de vermes gigantes pudesse ser tão bom!

O Ataque dos Vermes Malditos (Tremors) — EUA, 1990
Direção: Ron Underwood
Roteiro: S.S. Wilson, Brent Maddock
Elenco: Kevin Bacon, Fred Ward, Finn Carter, Michael Gross, Reba McEntire, Robert Jayne, Charlotte Stewart, Tony Genaro, Ariana Richards, Richard Marcus, Victor Wong, Sunshine Parker, Michael Dan Wagner, Conrad Bachmann, Bibi Besch, John Goodwin, John Pappas, Tom Woodruff Jr.
Duração: 96 min.

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27 comentários

Doc Zumbério 20 de março de 2021 - 19:22

Terminei de assistir é um trash divertido,recomendo.
Falando sobre os vermes malditos chamados Gabroids(Cuja critica os chamou de agarroides)são nojentos bleeeehhhhh,lembrou aquela minhoca rosada do King Kong do andy serkis.
(Na dublagem br pelo o que eu conferi,os Gabroids foram chamados de Larvoides).

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Luiz Santiago 20 de março de 2021 - 20:39

Graboids vem de GRAB = pegar/agarrar.

A forma aportuguesada correta para graboids, portanto, é agarroides.

Todo modo, sim, eles são bem nojentos. E ficam ainda mais com o passar da franquia…

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Tom Marcos 20 de agosto de 2020 - 13:04

Lançamos um Podcast sobre o filme, confere lá http://discada.com.br/discada-podcast-062-o-ataque-dos-vermes-malditos/

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Cahê Gündel 21 de abril de 2019 - 23:54

Nossa, eu via muito nas tardes do SBT quando era criança, não lembro se era “Cinema em Casa”, só que eu ficava muito impressionado com aqueles bichos andando embaixo da terra hahaha. Nunca mais vi, preciso rever urgentemente.

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Luiz Santi🦎Zilla 22 de abril de 2019 - 04:18

Esse vale a pena rever, viu!

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Rafael Lima 20 de abril de 2019 - 01:06

Como disseram nos comentários abaixo, é um clássico da era de ouro “Cinema em Casa”. Uma mistura louca e muito divertida de filmes de ação brucutu oitentista com sci-fi de monstros da década de 50. A química da dupla principal é excelente mesmo. Nunca tinha pensado nos vermes como tubarões da areia, mas é isso mesmo. Hehehehe.

Abraço!

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Luiz Santi🦎Zilla 20 de abril de 2019 - 01:14

Também nunca tinha pensado neles dessa forma, mas quando li a proposta, de brincadeira, dos autores, fiquei pensando: caramba, é exatamente isso! hahahahahahhahahah

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Junito Hartley 19 de abril de 2019 - 19:41

Classicao do cinema em casa, top da galaxia!

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Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 19:49

Muita gente realmente viu esse pelo Cinema em Casa!

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Wagner 19 de abril de 2019 - 09:30

Nossa senhora, eu amo esse filme.
Ele é realmente muito bom e não é nem por cumprir a “proposta” trash (coisa que ele nem é). O visual dos vermes é bem legal também e a interação dos personagens é demais. Nunca vi o Kevin tão a vontade em um papel (nem quando se soltou em Footloose)
Se eu tenho algo a reclamar desse filme, é dele ter gerado sequências ridículas.
E como não amar os títulos HUEBR’s, não é mesmo?

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Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 14:28

Pra mim ele se classifica perfeitamente como um filme trash. E só pra deixar claro, não estou usando o termo no senso comum, que usa “trash” como sinônimo de filme ruim.

O visual dos vermes é maravilhoso! Eu adorei a ideia de as cobras pequenas serem a língua e terem vermes beeeeeem maiores. Deu um caráter bem diferente aos bichos.

O elenco aqui é incrível. Kevin Bacon e Fred Ward formam uma excelente dupla e isso irradia pelo filme inteiro. É tudo muito divertido aqui! E eles estão muito à vontade no papel.

Esses nossos títulos… Até hoje, o melhor título brasileiro é O Poderoso Chefão mesmo. Mas a gente acumula uma quantidade absurda de títulos malucos/ruins/estranhos/estúpidos/nonsense/etc etc etc ahhahahhahahahahahhahahahahahahhahahahahahahah

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Wagner 19 de abril de 2019 - 14:47

Pra mim o melhor título sempre será “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!’ no lugar de “Airplane!” Hiehueheuehue

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Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 15:17

Nossa, esse também é um título maravilhoso!!!

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Paulo Roberto 20 de abril de 2019 - 20:40

O que dizer daquele filme sobre o Ned Kelly, com o Mick Jagger, cujo título imbecil entrega o final do filme: “A Forca Será Tua Recompensa”.

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planocritico 19 de abril de 2019 - 04:13

Seu verme maldito, você atacou o filme que eu queria criticar!!! De novo!!!

Abs,
Ritter

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Gabriel Carvalho 19 de abril de 2019 - 13:16

Nós queríamos. E ainda tirou uma estrela das cinco merecidas.

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Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 13:57

Deixa de fanboyzismo. 4 estrelas está de bom tamanho.

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Gabriel Carvalho 19 de abril de 2019 - 23:00

Santiago, isso não é “fanboyzismo” não… É mesmo a minha visão sobre o longa como sendo, sem mais nem menos, um dos grandes dentro do seu meio, uma enorme conquista para o gênero.

Eu enxerguei a obra em questão, pelo menos na última vez que eu a vi – ano passado -, merecedora de 5 estrelas. Não são as mesmas 5 estrelas de um “Ladrões de Bicicletas”, mas eu não teria nada para mudar não… Vejo-a como melhor do que as pessoas costumam enxergar, enaltecendo-a às vezes, mas sempre colocando-a em seu lugar.

E se “Os Caçadores da Arca Perdida” e “Star Wars” concorreram ao Oscar, “O Ataque dos Vermes Malditos” também merecia.
(Exagero, mas sem exagero)

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Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 23:39

Eis aí um homem que realmente gosta de um filme!!!

Gabriel Carvalho 19 de abril de 2019 - 23:46

Muito coração por ele mesmo! E a sua crítica, mesmo sem a estrela que eu defendo, captou muito bem o meu sentimento sobre! Parabéns!

Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 23:55

Muito obrigado! Agora vem cá, @disqus_HrYi9xZvdi:disqus: tu visse as continuações? Se sim, o amor permanece ou é só em relação a esse aqui mesmo?

Gabriel Carvalho 20 de abril de 2019 - 01:52

Eu não vi não. Mas acho que, mesmo não gostando do mesmo jeito que o original, espero curtir um tanto mais que outras dessas produções B. Os roteiristas permanecem. Não pode ser que eles erraram tanto.

Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 13:57

Ora ora ora… depois de usurpar 456 críticas minhas??? EU TO DE OLHO, SEU VERME ANCIÃO MALDITO!!!

Luiz, o Olheiro Verminológico

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Sérgio Henrique Sper 19 de abril de 2019 - 18:19

Verme ancião maldito…kkkkkkkkkkkkk
Quase caí do sofá agora! 😂

Responder
Luiz Santi🦎Zilla 19 de abril de 2019 - 18:29

A equipe aqui é muito amor! AAHAHHAHAHAHHAHHAHAHAHAAAHHAHAHAHAHA

Responder
Paulo Roberto 20 de abril de 2019 - 20:41

Briga, briga, briga…

Responder
Luiz Santi🦎Zilla 20 de abril de 2019 - 21:39

AJAAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAAHHAH

Sempre tem um leitor que bota lenha na fogueira!

Responder

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