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Crítica | O Ataque dos Vermes Malditos 2: Os Vermes Estão de Volta

por Luiz Santiago
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O Ataque dos Vermes Malditos (1990), conseguiu chamar uma enorme atenção para si, apresentando um modelo consideravelmente diferente de se fazer um “filme de monstro”. Foi um daqueles momentos interessantes onde um menor orçamento tornou possível a criação de algo que, acima de qualquer cosa, é muito divertido. As negociações para uma sequência foram iniciadas três anos depois, mas os altos custos de uma produção na Austrália, como havia sido previsto, inviabilizou o projeto. E foi entre desistências e entre diversos técnicos baixando o próprio salário para tornar possível a realização da obra, que Os Vermes Estão de Volta conseguiu sair do papel, após um processo de filmagens de 27 dias, em Valencia, Califórnia, no começo de 1994. Dois anos depois, o filme era lançado diretamente em vídeo.

Sem Kevin Bacon no elenco, a produção de Tremors 2 trouxe Chris Gartin como o sidekick da vez, abrindo um caminho que seria adotado pelo restante da franquia e que acabou dando uma cara interessante para o projeto como um todo. O mesmo podemos dizer das rápidas e aceitáveis justificativas para a ausência deste ou daquele personagem original. Sei que alguns espectadores e colegas de crítica vivem reclamando disso, mas é uma questão de validação narrativa simples, e que, goste ou não, é bem feitinha: se você não pode contar mais com um personagem e nem tem condições de mostrar o processo que o levou a partir, então que uma objetiva e orgânica justificativa seja apresentada. Evidente que não terá o mesmo impacto de uma despedida dramaticamente planejada, mas cumpre o seu papel contextualizador.

Como núcleo para a história do monstro, temos uma primeira evolução do bicho vista na tela e uma citação afirmando o que havia sido deixado em suspenso lá no primeiro filme, dando conta da origem alienígena dos graboids. E no que diz respeito à evolução, observamos como a equipe de efeitos práticos teve muito mais trabalho dessa vez, posto que as criaturas deixaram o subsolo e passaram bem mais tempo em cima da terra. Os movimentos são desajeitados, mas a construção das criaturas, o desenho bizarro de sua figura, da boca aberta e do instrumento de detecção de calor + o grito de aviso aos pares são coisas sensacionais, adicionando uma aura de repulsa que, no todo da obra, acaba tendo um papel bem maior que o medo.

De modo geral, a direção de S.S. Wilson e o roteiro que ele escreve em parceira com Brent Maddock consegue passar com graça e franqueza a sensação de uma real sequência dos eventos originais da saga. Pessoas que partem. Indivíduos que enriquecem, mudam de vida e somem no mundo. Amigos ou colegas que perdem contato… todo o ponto de partida meio patético que o filme estabelece tem um ar de irônico realismo frente às relações sociais, servindo para reforçar a aura de “recomeço” que o filme apresenta. E pensando bem, o processo se assemelha à própria produção do filme. Após um icônico ponto de partida, o que fazer com a vida a seguir? Como administrar as expectativas, os ganhos com um primeiro e bem-sucedido passo? Diegeticamente, o personagem de Fred Ward terá uma segunda chance de vitória, passando pelo mesmo tipo de luta pela vida quando lhe oferecem uma boa recompensa para… matar graboids em um campo petrolífero do México.

O lado romântico da fita é uma de suas coisas menos interessantes, e o alívio cômico proporcionado por Chris Gartin funciona apenas parcialmente, mas tudo o que diz respeito à ação de caça aos graboids tende a nos chamar atenção, exceto quando a única coisa que o diretor escolhe nos mostrar é solo explodindo e pedaços de minhocão pré-cambriano chovendo nos caçadores. Arrisco dizer, porém, que a verdadeira melhor coisa do filme é Burt Gummer (fantástico personagem de Michael Gross), pois seu caráter de sobrevivente, seu amor por armas e interação com os outros personagens é ao mesmo tempo engraçada e decisiva, dando muito mais leveza ao filme do que o indivíduo contratado para isso (ok, eu salvo a brincadeira com o jokempô).

Mesmo sem o brilho ou a quantidade de diversão promovida pelo primeiro filme, Os Vermes Estão de Volta consegue criar as colunas necessárias para o andamento da saga a partir daqui, além de dar uma nova abordagem para os bichos nojentos e perigosos que sustentam a história. Rejeitado aquele plot vergonhoso em relação à “noiva do passado que reencontrei por acaso“, o filme traz uma perigosa e instigante história sobre começar de novo, com os dois personagens mais velhos aproveitando essa nova e arriscada chance que a vida lhes deu… para construir um novo caminho. Um novo sentido. E de quebra, matando bichos escrotos no processo.

O Ataque dos Vermes Malditos 2: Os Vermes Estão de Volta (Tremors II: Aftershocks) — EUA, 1996
Direção: S.S. Wilson
Roteiro: S.S. Wilson, Brent Maddock
Elenco: Fred Ward, Chris Gartin, Helen Shaver, Michael Gross, Marcelo Tubert, Marco Hernandez, José Ramón Rosario, Thomas Rosales Jr., S.S. Wilson
Duração: 100 min.

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