Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | O Clube dos Cinco

Crítica | O Clube dos Cinco

por Handerson Ornelas
777 views (a partir de agosto de 2020)

“Mas o que descobrimos é que cada um de nós é um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso.”

Contém spoilers.

A década de 80 foi responsável pelo surgimento de inúmeros filmes “adolescentes” ou high school que marcariam e influenciariam o cinema e a vida de muitos, marcando boas horas da Sessão da Tarde. No entanto, entre todos esses, O Clube dos Cinco se destaca por apresentar aspectos um pouco diferenciados para a época, se tornando um dos que mais influenciou esse tipo de gênero. John Hughes, roteirista e diretor que marcou essa época com clássicos da comédia adolescente como Gatinhas e Gatões e Curtindo a Vida Adoidado, realizava uma de suas maiores obras.

Sinopse simples: cinco estudantes são mandados para a detenção, cada um representa um tipo diferente de colegial. O nerd, o esportista, o valentão, a patricinha e a garota bizarra. Passar pleno sábado dentro do colégio soa horrível, assim, tentam enganar o diretor e se divertir dentro do colégio, onde começam a compartilhar sentimentos e descobrir que, apesar de diferentes, todos eles possuem mais coisas em comum do que imaginam.

O grande marco do longa é o excelente desenvolvimento dos personagens, todos muito bem trabalhados e equilibrados. Essa é a grande cartada, onde o telespectador consegue ver carisma em todos aqueles jovens e simpatizar até mesmo com o encrenqueiro John Bender, que rouba a cena em diversos momentos com a interpretação caricata de Judd Nelson. O filme passa um clima incrivelmente despretencioso, simples e divertido. Tal simplicidade talvez venha do fato que Hughes escreveu o roteiro em apenas dois dias e uma das melhores cenas foi um completo improviso entre atores (a sequência de diálogos no chão da biblioteca). O excelente roteiro reveza muito bem de tom, colocando doses de drama que em seguida são preenchidas com inúmeras piadas. As boas tiradas de humor e os diálogos descontraídos enriquecem a obra e comprovam que o diretor John Hughes sabe trabalhar com esse tipo de gênero e público.

O Clube dos Cinco também foi uma espécie de base para comédias high school com um humor mais escrachado, como surgiriam alguns American Pies da vida. Mas o filme acerta em cheio na medida desse teor, que não é tão grande, mas que se diferencia por não ser uma abordagem tão família como as outras comédias da época. A despretensão de O Clube dos Cinco em falar de sexo, drogas e mudanças na adolescência, se divertindo com esses temas sem ser apelativo faz o grande acerto da obra.

O maior erro do longa, no entanto, é contradizer a si mesmo, principalmente em seu fim. O filme em sua maior parte passa a impressão de se tratar de um contra-clichê. Aparenta tentar desfazer estereótipos e clichês, mas seu fim só os reforça ao máximo e deixa confuso sua real intenção. A garota esquisita precisa modificar sua aparência e personalidade pra ter seu final feliz, o nerd é o único que termina sozinho, além de ter de fazer a lição para todos os demais, por exemplo. Sem contar outros vacilos, como forçar a barra para construir casais românticos aos 46 do segundo tempo. Por sorte, isso não é o suficiente pra derrubar o filme, mas serve como grandes borrões em um excelente quadro.

O Clube dos Cinco serviu pra lembrar uma época de filmes, não perfeitos, mas com roteiros mais inspirados, divertidos e menos prepotentes. Quando filmes para o público adolescente tinham roteiros mais originais e não buscavam incessantemente adaptar livros juvenis de fantasia. Por isso, para quem clama por bons filmes desse estilo a obra é um prato cheio e nunca será esquecida. Funciona mais ou menos como diz o sensacional tema cantado pelo Simple Minds: Don’t You Forget About Me. E no fim, pode ter certeza, você vai ficar se perguntando o que aconteceu na segunda-feira.

O Clube dos Cinco (The Breakfast Club) – Estados Unidos, 1985
Roteiro: John Hughes
Direção: John Hughes
Elenco: Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Judd Nelson, Molly Ringwald, Ally Sheedy
Duração: 97 min.

Você Também pode curtir

11 comentários

Athena 10 de setembro de 2018 - 17:50

Concordo pra caramba! Tambem senti o romance do john e da claire um pouco forçado

Responder
Wilkson Ferreira 17 de março de 2017 - 15:53

verdade, não esperava ver a alysson com o jogador, muito menos bonita, gostava dela doida do jeito que ela era, kkkk mais o que me chama mais atenção nesse filme e como as pessoas se submetem a fazer coisas só para agradar as outras, e o Bender vem mostrar que todos devem ter opinao propria e fazer o que deixa eles felizes! adoro esse filme e a alysson kkk quando ela fala ” eu sou mentirosa compulsiva” lkkkkkk

Responder
AleCassia Aguiar 16 de janeiro de 2017 - 11:53

Acho legal essas críticas atuais sobre filmes de outras épocas, culturas e pensamentos diferentes. Porém, creio que há possibilidade de não sermos justos quando se trata de filmes em que o crítico (que não sei se é o caso), não viveu a época, e tem somente as informações nostálgicas do mesmo.

A linguagem do filme oitentista se tratando de fotografia, roteiro e da própria época, é bem diferente das películas do gênero de hoje. Apesar de muitas questões tratadas no filme, serem tão atuais… Isso porque o mundo que nos rodeia é que geralmente muda, mas os nossos anseios pessoais, pouco mudaram. E são esses quesitos, e questionamentos e anseios pessoais dos jovens que tocam o expectador, vendo que o grupo colocado no filme trás o “o núcleo da noz” , representando cada jovem, como diz na própria crítica: “Mas o que descobrimos é que cada um de nós é um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso.”

Referente a contradição citada na crítica, não concordo 100%. Por causa da pressão da sociedade, que na época, lembro eu, que na América a influência a união das classes era “um sonho” (vide Martin Luther King), e mesmo com aquele final onde “A garota esquisita precisa modificar sua aparência e personalidade pra ter seu final feliz, o nerd é o único que termina sozinho”, na verdade aderem a pressão da sociedade da época para serem aceitos, lembrando que na conversa entres os personagens no chão da biblioteca, eles dizem e afirmam que na segunda-feira tudo iria continuar do mesmo jeito, justificando a mudança estereotipadas.

O filme é maravilhoso!!! E o que mais chamou minha atenção, foi a questão interna de cada personagem, e a pressão que um jovem sofre no convívio escolar para serem aceitos, mudando muitas vezes a personalidade daquilo que não são para tal aceitação.

Alexandre Aguiar.

Responder
Gabriel 1 de janeiro de 2016 - 11:16

Heey Handerson!

Estou me sentindo um mané… Achei esse filme absurdamente monótono e bem piegas. Tenho problemas? HAHAHA.

Abraço!

Responder
Handerson Ornelas. 1 de janeiro de 2016 - 22:10

Faaaala, cara! Então, acho que não, depende de ponto de vista. Sinceramente, na minha opinião ele está bem longe de ser monótono, pois os diálogos e maioria das sequências prendiam bastante minha atenção. Quanto a ser piegas, entendo seu ponto. É anos 80 no talo. Tem realmente um lado meio “bobo” e clichê do filme que define se a pessoa vai gostar ou não dele. No seu caso acho que isso não deve fazer muito seu tipo, o que não é problema algum hahaha

Abraço!

Responder
Luiz Santiago 18 de fevereiro de 2015 - 03:59

O que aconteceu na segunda-feira… Pô, quem nunca se perguntou??? hahahahaha

Esse filme dá uma sensação de nostalgia absurda! Quando era adolescente, esse e Curtindo a Vida Adoidado eram os meus favoritos!

Concordo com você sobre a questão da contradição. E também no fato de isso não derrubar o filme.

Responder
Beatriz Veronique Setta 18 de fevereiro de 2015 - 13:09

Nossaaahh, amiguinho, achei que você ainda era adolescente! Você só assiste lixo, aí quando assiste um filminho europeu de quinta categoria fica todo deslumbrado. é a tal cultura cinematográfica que você não tem…

Responder
Beatriz Veronique Setta 18 de fevereiro de 2015 - 18:38

Bom, como o Handerson é discípulo do Luiz ou vice -versa, so does, né? quando era adolescente eu assistia Fellini e Bergman, então chamais perderia meu tempo comentando tanta série e filme idiota que nem vocês fazem aqui. abrazo

Responder
Luiz Santiago 18 de fevereiro de 2015 - 18:00

@beatrizveroniquesetta:disqus, olha você por aqui, em uma crítica quem nem é minha! hahahah
Você virou uma espécie de Watcher das minhas atividades sobre cinema! Só digo uma coisa: seja bem vinda! Eu tenho mais de mil textos pra você xingar e mais de 500 comentários também!

Grande abraço e apareça mais vezes!

Responder
Beatriz Veronique Setta 18 de fevereiro de 2015 - 18:33

Puxa, achei o estilão meio parecido…Que fora que eu dei, tsc tsc tsc, tô beige

Responder
Beatriz Veronique Setta 18 de fevereiro de 2015 - 18:38

podexá que apareço sim!

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais