Crítica | O Date Perfeito

“Noah Centineo narrando a sua trajetória tão árdua.”

Noah Centineo virou o prostituto da Netflix no que tange a produção de comédias românticas direcionadas a um público mais jovem. O ator começou sua trajetória de sorrisos, suspiros e mais sorrisos com o simpático Para Todos os Garotos Que Já Amei, mas continuou essa caminhada com o detestável Sierra Burgess é uma Loser. O mais interessante – ou o menos interessante – desse universo teen em que o mundo das maravilhas personifica-se no corpo de um jovem perfeito é a constante movimentação das obras por alguma premissa fantástica adolescente bastante perturbada. Em um caso, uma garota engajava-se em uma conversa por celular com Noah, embora ele não soubesse sua verdadeira identidade. Noutra situação, o garoto começava a namorar de mentirinha a protagonista tímida. Pois no multi-verso de Noah Centineo, os seus problemas acabam com sorrisos e suspiros, uma paixão “surpreendente” e azarações e confusões.

Esse aqui, entretanto, é um degrau a mais para uma franquia cinematográfica que surge semestralmente, como uma edição especial para a revista Capricho. O Date Perfeito tem a pachorra de conseguir aumentar o grau de perturbação a um outro nível fantasmagórico, mesmo sendo, ao invés de provocativo, um tanto quanto comum e ordinário. Noah Centineo, dessa vez, é um garoto tão esperto que decide criar um aplicativo de date, para levar qualquer garota necessitada para um encontro perfeito, transformando-se no garoto que ela quiser que ele seja. Mesmo que nasça de uma ideia um tanto doentia – um misto de prostituição às avessas com encontrar um estranho qualquer que vai, intencionalmente, estar pretendendo ser quem ele não é -, brincar com o imaginário é sempre interessante. Uma pena que, em contrapartida a isso, Chris Nelson, comandando a comédia na direção, prefira marcar moralismos cafonas como proposições.

O Date Perfeito, em primeira instância, não se importa com a sua vertente mais imaginativa. Uma montagem entrecortando várias situações mais cômicas, envolvendo esse aplicativo tão perturbador, surgem para pavimentar uma noção narrativa que nunca se consolida como o cerne do negócio. O projeto rapidamente assassina a sua premissa mais “fantástica”, originada por meio de um aplicativo de celular, para dar margem àqueles clássicos e recorrentes arcos dramáticos.  O roteiro opta por construir camadas mais clichês para servirem como reais motores aos confrontos do longa. O que importa não é realmente o aplicativo ou a premissa que está trazendo tantos espectadores para assistirem ao projeto, contudo, os reveses na hora de escolher ir para uma universidade ou um relacionamento que todos sabem que vai tornar-se realidade. Ora, o grande problema do negócio nem é esse anti-clímax, contudo, a maneira porca em como desenvolvem-no.

O longa é um emaranhado de várias coisas que já vimos anteriormente. O melhor amigo que se sente distante do protagonista, dedicando-se mais tempo ao aplicativo e não à amizade. O pai que possui problemas pessoais. O próprio personagem principal, vivendo uma vida de duplos, mas sem viver sua própria. E tudo vai surgindo sem nem pedir licença, na maior grosseria mesmo, apenas fingindo serem questões que provocam o espectador a se pensarem em meio a impasses supostamente sensitivos – ou seja, sinceros. O Date Perfeito executa tudo isso pessimamente, apresentando problemáticas de uma maneira robótica, sem conjugá-las a uma ideia mais arrumada de narrativa e de drama. Como acreditar no interesse amoroso de Brooks Ratigan, o protagonista, por uma garota qualquer que ele vê em um baile qualquer? O longa se valeria de uma simplicidade e de mais descompromisso, só aproveitando o charme de Centineo com Laura Marano – o seu par.

O Date Perfeito (The Perfect Date) – EUA, 2019
Direção: Chris Nelson
Roteiro: Steve Bloom, Randall Green
Elenco: Noah Centineo, Laura Marano, Odiseas Georgiadis, Camila Mendes, Matt Walsh, Joe Chrest, Carrie Lazar, Wayne Pére, Blaine Kern III, Jared Bankens, Evan Castelloe
Duração: 93 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.