Crítica | O Dia da Luta

O Dia da Luta

estrelas 3

Stanley Kubrick tinha 22 anos quando realizou os seus dois primeiros filmes, dois documentários em curta-metragem sobre homens em ocupações diferentes e enfrentando desafios que os tornavam, através da abordagem do diretor, uma espécie de “heróis do dia”. No presente O Dia da Luta vemos a rotina do boxeador Walter Cartier em um dia muito importante de trabalho.

O modelo de “profissional em seu ofício” é o mesmo aplicado em O Padre Voador, mas em O Dia da Luta isso funciona muitíssimo melhor, porque percebemos o produto fílmico fechado em si, sua função e a consistência de seu argumento. Não há dúvidas sobre o foco do filme e as ações dos protagonistas, mesmo que encenadas, ganham um ar mais autêntico de documentário do que o seu exercício fílmico anterior.

O curta é estrelado por Walter e seu irmão gêmeo, Vincent Cartier, advogado e empresário do boxeador. A relação entre os irmãos é um dos pontos mais interessantes do filme, mas não é o único elo fraterno ou de criação de laços que o diretor destaca. A ideia central, entendemos, era afastar um pouco o lutador de seu meio profissional violento e mostrá-lo em situações bastante corriqueiras para muitas pessoas, como tomar café da manhã, almoçar, brincar com o cachorro, cuidar da vaidade pessoal e ir à igreja.

Talvez esse contraste entre os mundos profissional e pessoal seja o ingrediente principal do sucesso narrativo do filme, que sustenta nessas duas pontas uma linha de ação que nos prende, até porque sabemos o que vai acontecer ao final e, essa luta anunciada antecipada por ações pacíficas, torna a expectativa ainda mais viva e inquietante.

O Dia da Luta não é um curta-metragem brilhante, mas é um interessante passo do diretor que seria conhecido por assinar obras de monumentalidade e perfeccionismo gigantescos. Considero-o melhor que Flying Padre e definitivamente melhor que The Seafarers. Para os cinéfilos que gostam de ver diretores filmando cenas esportivas, este é um exemplo que pode agradar bastante — e ainda tem o mérito de ser o melhor dos três curtas de Stanley Kubrick.

O Dia da Luta (EUA, 1951)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Robert Rein
Elenco: Douglas Edwards (narrador), Vincent Cartier, Walter Cartier
Duração: 16 minutos

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.