Crítica | O Diário de Ma-chan

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Quando escreveu e desenhou as tiras que fazem parte de O Diário de Ma-chan (1946), o pai do mangá moderno, Osamu Tezuka, tinha 17 anos. Nos anos finais da Segunda Guerra Mundial, ele realizou diversos trabalhos fabris e em 1945, foi aceito no curso de medicina (no qual chegou a graduar-se, diferente do que muita gente diz por aí), da Universidade de Osaka. Foi durante este período que começou a sua história com desenhos, tendo em 1946 o seu primeiro trabalho profissional publicado, no jornal infantil da Escola de Mainichi.

O Diário de Ma-chan foi um trabalho curto. Entre janeiro e março de 1946, Tezuka publicou 73 tiras, com quatro quadros cada uma, todas acompanhando o dia-a-dia do garotinho bagunceiro chamado Ma-chan, que crescia no Japão pós-Guerra. Ma-chan já está na pré-escola, e é possível, em um dado momento da sequência de tiras, observá-lo aprender a escrever e identificar letras do alfabeto. Na sequência narrativa, temos cenas com sua mãe, seu pai, seu professor, seu amigo Ton, e um outro personagem jovem, em idade universitária, que aparece em alguns quadros.

Os traços charmosos e limpos de Tezuka — característica central de sua grande obra futura — já se podem ver nesses primeiros momentos, então sobra espaço para o leitor estudar com facilidade a já impressionante habilidade do jovem artista em escolher bons ângulos para personagens e em trabalhar com o humor através do absurdo, do slapstick e através contrariedade emocional dos personagens, especialmente no comportamento de Ma-chan em relação a todos à sua volta.

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As brincadeiras de Ma-chan.

Particularmente, fiquei sem entender o sentido humorístico de algumas narrativas, talvez por possuírem um elemento cultural que me escapa ou porque a intenção do autor realmente não foi muito clara para mim. Como as tiras possuem poucos e curtos diálogos, o leitor tem mais análise de imagens para levar em conta e nem sempre todas as indicações serão entendidas.

Há uma inocência tremenda na forma como Ma-chan age, e isso me lembrou muito as crianças de Bom Dia, obra-prima de Yasujiro Ozu, também sobre crianças crescendo no Japão pós-Guerra, mas na década de 1950. Simples, doce e capturando muito bem o comportamento infantil, O Diário de Ma-chan é uma estreia respeitável do grande Mestre Tezuka e vejam que nem era um mangá ainda! O primeiro passo de alguém que iria revolucionar toda uma indústria e seria influência, motivo de admiração ou referência para as gerações de respeitáveis artistas do ramo, em seu país ou fora dele.

O Diário de Ma-chan (Maachan no Nikkichō) — Japão, 1946
Roteiro: Osamu Tezuka
Arte: Osamu Tezuka
Publicação original: Mainichi Shimbun (4 de janeiro a 31 de março de 1946)
73 tiras de 4 quadros cada uma

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.