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Crítica | O Elo Perdido – 1X01: Cha-Ka

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 3
Número de episódios: 43
Período de exibição: 07 de setembro de 1974 a 04 de dezembro de 1976
Há reboot?: Sim. Série O Elo Perdido, que teve 26 episódios entre 1991 e 1992 e um longa-metragem de mesmo nome de 2009.

Os irmãos canadenses Sid e Marty Krofft construíram um pequeno império televisivo infantil nos EUA a partir de 1969, quando criaram e lançaram H.R. Pufnstuf. O Elo Perdido (Land of the Lost, no original) foi uma aposta diferente na carreira dos dois, que trabalharam com David Gerrold e Allan Foshko no desenvolvimento de uma série levemente mais adulta e trazendo conceitos até complexos de ficção científica na medida em que ela foi sendo desenvolvida. Angariando enorme sucesso na televisão americana e também na internacional – a série era presença constante na televisão aberta brasileira -, a obra marcou época por suas pretensões épicas que apresentava um universo de grandes dimensões e por ter preocupações com detalhes como a criação de uma língua para os Pakunis, povo local, que ajudava na imersão do público.

Diferente do que muita gente talvez deduza ou até se lembre vendo os dinossauros e o pequeno hominídeo Cha-Ka, o Pakuni que faz amizade com os três membros da família Marshall, O Elo Perdido não se passa na Terra, seja no passado, como em uma viagem no tempo ou no presente em uma repetição de Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne, ou O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle. Claro que as ideias são retiradas dessas clássicas obras, dentre outras, mas esse lugar para aonde os Marshall vão depois de cair de uma cachoeira como a vinheta musical de abertura explica é um outro universo, uma outra dimensão. A fenda a que eles são levados é interdimensional para um mundo que parece a nossa pré-história, mas que reúne outros vários elementos que o diferencia, inclusive civilizações avançadas, ciência e magia.

No primeiro episódio, que tem como objetivo apresentar Cha-Ka (Phillip Paley), a primeira conexão mais profunda dos Marshalls com esse mundo, a presença do trio de protagonistas ali é fato consumado que só ganha contexto pela já referida abertura ao som de banjo e uma explicação didática que Rick (Spencer Milligan) a seus filhos Will (Wesley Eure, que anda de camisa azul semi-aberta) e Holly (Kathy Coleman, que tem duas tranças enormes). Não é estabelecido quanto tempo se passou desde que eles chegaram, mas foi suficiente para eles já terem apelidado o tiranossauro que mora por ali de Grumpy (Rabugento) e encontrarem uma caverna para morar cuja entrada fica exatamente à altura das mandíbulas do dinossauro.

É o ataque de Grumpy à Cha-Ka e sua família que leva Will e Holly a salvar o pequeno hominídeo que machucara a perna. Levado até a caverna, ele se espanta com o isqueiro dos Marshall e isso marca o início da simpática amizade entre eles. Como era comum na época, notadamente em obras de cunho infantil, uma lição é passada e, aqui, ela é particularmente atual e relevante, já que Rick ensina aos filhos que, apesar de diferente, Cha-Ka é uma pessoa e, como tal, deve ter sua vontade levada em consideração. O interessante é que tudo isso é feito de maneira razoavelmente fluida, dentro do roteiro, sem que a história precise “parar” para que sua moral seja explicitada.

Os efeitos especiais sem dúvida são destaques na série. Lógico que, a essa altura do campeonato, os filmes de monstro japoneses já eram comuns, mas o trabalho em O Elo Perdido remete mais ao começo do stop motion, com dinossauros bem esculpidos e animados no chamado claymation, com inserção na história por meio de sobreposição de imagens e jogo de perspectiva. Além disso, há um vasto uso de detalhadas pinturas matte para criar impressão de profundidade nesse mundo fantástico. Mesmo com o orçamento apertado, o resultado final, para a época, especialmente considerando que estamos falando de uma série para a televisão, à época uma mídia “menos nobre”, era acima da média.

O começo de O Elo Perdido, apesar de deixar entrever um universo potencialmente expansivo, esconde muita coisa por ser razoavelmente acanhado em escopo. Apesar de a amizade dos Marshalls com o pequeno Pakuni Cha-Ka ser importante, o verdadeiro filé mignon da série viria depois com mais dinossauros e, claro, já no segundo episódio, com a introdução dos assustadores Sleestaks e toda sua rica mitologia. Definitivamente, uma série que marcou sua época.

O Elo Perdido – 1X01: Cha-Ka (Land of the Lost – 1X01: Cha-Ka, EUA – 07 de setembro de 1974)
Criação: David Gerrold
Desenvolvimento: Sid Krofft, Marty Krofft, Allan Foshko
Direção: Dennis Steinmetz
Roteiro: David Gerrold
Elenco: Spencer Milligan, Wesley Eure, Kathy Coleman, Phillip Paley
Duração: 23 min.

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