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Crítica | O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas

O Terminator logo antes de se tornar Governator.

por Ritter Fan
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A produção de O Exterminador do Futuro 3 foi tão conturbada, mas tão conturbada, com um entra e sai de elenco, roteiristas e diretores, discussões acaloradas sobre orçamento e visões criativas que muito me admira que o filme, no final das contas, tenha conseguido fazer algum sentido. Porque sim, a segunda continuação da saga de Sarah e John Connor, respectivamente mãe protetora e filho salvador do mundo contra a ameaça das máquinas depois do Juízo Final, apesar do exército de detratores que a obra tem, faz sim todo o sentido narrativo, mesmo que ele não inove em absolutamente nada e mesmo que a direção de Jonathan Mostow empalideça se a compararmos com o trabalho de James Cameron (mas temos que combinar que é uma comparação injusta, não é mesmo?) e, mais ainda, que Nick Stahl não funcione ou convença que é o mesmo John Connor originalmente vivido por Edward Furlong na maravilhosa segunda parte da saga.

No primeiro filme, Sarah Connor e Kyle Reese impedem o Juízo Final, derrotando o terrível exterminador T-800 vivido por Arnold Schwarzenegger. No segundo filme, vemos que eles apenas atrasaram o inevitável, e Sarah, ao lado de seu filho adolescente e de um T-800 reprogramado e enviado pelo John Connor do futuro para ajudá-los, impedem novamente o Juízo Final. Era então óbvio que o terceiro filme – Hollywood sendo Hollywood, lógico – seguiria exatamente a mesma premissa, mas desta vez fundindo os dois primeiros longas em um só e entregando um final supreendentemente sombrio. Sai Sarah Connor (Linda Hamilton não quis voltar no final das contas) e entra Kate Brewster (Claire Danes) como sua substituta e futura esposa e segunda em comando de um John Connor que, no presente, vive completamente à margem da sociedade, como um nômade com cara de sujo e uma personalidade que não poderia ser mais diferente de sua versão de 10 anos antes vivido por Stahl, já que Furlong foi defenestrado da produção por problemas com drogas. Uma exterminadora de exterminadores – codinome T-X -, vivida pela modelo e manequim estreante Kristanna Loken chega para fazer o serviço sujo de eliminar não só Connor, mas também Brewster e todos os demais que, no futuro, formariam seu grupo mais próximo da resistência e, claro, o T-800 de Schwarzenegger vem logo atrás para impedir a matança.

Em termos de premissa, o longa funciona muito bem, pois efetivamente continua a história de maneira consideravelmente coesa e até interessante dentro do conceito de inevitabilidade do destino. Claro que a T-X é uma versão pouquíssimo inspirada do inesquecível T-1000 de Robert Patrick e até o austríaco radicado nos EUA que, no mesmo ano de lançamento do filme, tornar-se-ia governador da Califórnia, vive um T-800 cansado e burocrático graças a um roteiro que tenta emular as melhores características do personagem, mas falha fragorosamente. E tem Stahl como um Connor subjugado, resignado e cabisbaixo que não serve para muita coisa. Pelo menos Danes mostra-se à altura e, com sua personagem, compensa um pouco a passividade de seu “primeiro beijo” e futuro marido, ainda que Mostow incompreensivelmente subutilize a atriz. Em outras palavras, O Exterminador do Futuro 3 passa longe da qualidade da verdadeira continuação de Exterminador 2, mais conhecida como a série O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor, criminosamente cancelada ao final de sua segunda temporada, mas não faz feio como seus colegas seguintes fariam, ou seja, em nada verdadeiramente prejudica ou desdiz a mitologia estabelecida, ainda que acrescente pouco também.

Em termos de ação, o roteiro não se faz de rogado e não demora a lidar com a pancadaria rasgada, sem barreiras. É como se a produção achasse que não valia a pena fazer floreios, pois a novidade da franquia se fora. Mas a grande verdade é que faltou finesse à equipe criativa que logo partiu para uma perseguição automobilística absurdamente destrutiva que é até divertida, mas que não é nada diante do que Cameron fez em T2. Sei que fazer comparações não é a melhor maneira de criticar um filme, mas não tem muito jeito. O que vemos em T3 é uma tentativa tipicamente hollywoodiana de ultrapassar o que foi feito antes, com uma quebradeira em escala maior, mas o resultado é apenas burocrático, algo que reputo ser culpa concorrente de um texto básico demais casado com uma direção que não faz esforço algum para impressionar para além do que efetivamente vemos na tela, ou seja, não há cuidado com posicionamentos de câmera, montagem e outros detalhes que tendem a transformar o banal em espetacular. Aqui, o banal é apenas banal, mesmo que o caminhão escolhido pela T-X para arrebentar a cidade e a rodovia proporcione alguns bons momentos explosivos do tipo que são esquecidos logo que eles acabam.

Gosto como o Tenente General Robert Brewster (David Andrews), pai de Kate, é usado para fazer a ponte tecnológica que aproxima o longa da realidade apocalíptica que vimos, pela primeira vez, nas cenas iniciais do filme original e eu também gosto como o roteiro trata o ataque cibernético como algo já em andamento, sem entrar em detalhes do como e o porquê, permitindo que o espectador se vire para traçar a linha temporal em sua cabeça. E, finalmente, acho muito interessante a escolha da produção em dar ao filme um final sombrio e desesperançoso que dá cabo do futuro casal Connor-Brewster, mesmo que toda a pancadaria que anteceda o momento de realização seja, mais uma vez, apenas, com boa vontade, café requentado.

O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas é bem melhor do que imaginaria que poderia ser em razão das confusões durante sua longa gestação e também é superior ao que viria depois (menos, claro, a já citada série de TV estrelada por Lena Headey). Por outro lado, é uma obra também muito inferior às duas obras-primas que o antecederam, ainda que querer uma terceira maravilha sem Cameron, sem Hamilton e sem Furlong fosse uma expectativa completamente irreal. Mas T3 dá conta do recado de seu jeitinho cinematograficamente mais humilde e funciona como uma boa diversão neste fascinante universo de androides, apocalipses, salvadores e viagens no tempo.

O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines – EUA, 2003)
Direção: Jonathan Mostow
Roteiro: John Brancato, Michael Ferris
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Nick Stahl, Kristanna Loken, Claire Danes, David Andrews, Mark Famiglietti, Earl Boen
Duração: 109 min.

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